5 condições de saúde preexistentes que podem dificultar o combate ao coronavírus

5 condições de saúde preexistentes que podem dificultar o combate ao coronavírus
image_pdfimage_print

Se você tiver certos problemas de saúde física ou um distúrbio de saúde mental, pode ser mais suscetível ao COVID-19. Veja nesse post quais são e o que fazer em cada caso, segundo indicado por médicos.

Autora: Claire Gillespie

Publicado em: 17 de março de 2020, no Health.com

Os primeiros dados da China, onde o novo coronavírus COVID-19 foi iniciado, mostram que algumas pessoas correm maior risco de complicações graves na saúde.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), isso inclui pessoas que têm condições médicas crônicas graves, como:

  • doenças cardíacas,
  • diabetes,
  • doenças pulmonares e
  • condições de saúde mental, como depressão e ansiedade.


Eis por que essas condições aumentam o risco de complicações com COVID-19 – e o que você deve fazer se for afetado.

Doença cardíaca

“Pessoas com doenças cardíacas tendem a ter outras condições subjacentes, como pressão alta, colesterol elevado, diabetes e doenças pulmonares, que enfraquecem os sistemas de defesa da saúde do corpo (incluindo o sistema imunológico) contra uma infecção viral”, diz William Li, MD, cientista médico e autor de Eat To Beat Disease.

“A febre associada ao COVID-19 coloca pressão adicional nas demandas metabólicas do corpo, estressando o coração já enfraquecido”, explica o Dr. Li. “A pneumonia, que é comumente vista com o COVID-19, dificulta a oxigenação do sangue pelos pulmões. Isso coloca mais estresse no coração.” Além disso, a inflamação causada pela infecção pode danificar o revestimento dos vasos sanguíneos, através dos quais o coração bombeia sangue.

Em fevereiro, o American College of Cardiology publicou um boletim para alertar os pacientes sobre o potencial aumento do risco de COVID-19, que incluía precauções adicionais a serem tomadas. O boletim recomenda que as pessoas com doenças cardiovasculares se mantenham atualizadas com as vacinas, inclusive para pneumonia, e tomem uma vacina contra a gripe para evitar outra fonte de febre.

O Dr. Li aconselha exercícios regulares (embora com distanciamento social, é claro) e uma dieta saudável para ajudar a fortalecer o coração durante a era COVID-19.

Doença Respiratória Crônica

As doenças respiratórias crônicas, que incluem asma e hipertensão pulmonar, são doenças das vias aéreas e de outras partes do pulmão. Pessoas com DRC precisam estar especialmente vigilantes com relação ao coronavírus, porque uma das possíveis complicações é a pneumonia.

“A pneumonia compromete o pulmão, que traz oxigênio para o corpo”, explica o Dr. Li. “Em pacientes que já têm uma doença respiratória crônica, pode ser letal.”

Além de seguir as diretrizes do CDC para lavagem das mãos, distanciamento social e outras etapas preventivas do coronavírus, a COPD Foundation emitiu mais conselhos para pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (como bronquite crônica ou enfisema).

Nota do blog:
Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (COPD é a sigla em inglês) é um termo genérico usado para descrever doenças pulmonares progressivas, incluindo enfisema, bronquite crônica e asma refratária (não reversível). Esta doença é caracterizada pelo aumento da falta de ar.

Isso inclui ter pelo menos um suprimento de 30 dias de todos os medicamentos necessários em mãos.

Diabetes

O que torna o coronavírus tão perigoso para as pessoas com diabetes? Primeiro, porque o sistema imunológico está comprometido, é mais difícil para o organismo combater o coronavírus, afirma a International Diabetes Foundation (IDF). Os vírus também podem prosperar quando os níveis de glicose no sangue estão altos.

Pessoas com diabetes têm níveis elevados de inflamação em todo o corpo, o que é outro fator de risco.

“Se você tem uma infecção viral, isso pode se transformar em pneumonia mais fácil, porque o diabetes em si é uma doença inflamatória”, disse Maria Pena, diretora de serviços endócrinos do Mount Sinai Medical Center em Forest Hills, Florida. “Também é importante observar que, quando uma pessoa tem diabetes, episódios de estresse, como uma infecção viral, podem aumentar os níveis de açúcar no sangue, o que também pode levar a complicações”.

Todos devem tomar medidas de precaução durante o surto de COVID-19 (tenham ou não condições de saúde preexistentes), e isso é ainda mais crucial para quem vive com diabetes. Isso significa lavar as mãos com cuidado e frequência, evitando tocar o rosto o máximo possível, limpar e desinfetar as superfícies frequentemente tocadas e evitar contato próximo com aqueles que apresentam sintomas de uma doença respiratória.

Medidas adicionais como o monitoramento dos níveis de glicose no sangue devem ser uma prioridade, pois qualquer tipo de infecção pode aumentar os níveis de açúcar no sangue. Isso aumenta a necessidade de água, por isso é importante ter um suprimento adequado. Portanto, para se preparar para uma quarentena, verifique se você tem medicamentos, provisões e alimentos suficientes para durar pelo menos um mês.

Pessoas com diabetes devem ter um cuidado especial com o contato social.

“Como diabético, evitaria supermercados ou outras reuniões públicas”, disse Pena.

Depressão e ansiedade

“O medo do vírus e todas as mudanças que ele está causando estão elevando os níveis de ansiedade para todos, mas para pessoas que têm um transtorno de ansiedade é muito pior”, Gail Saltz, MD, professora associada de psiquiatria do Hospital Presbiteriano de Nova York Weill-Cornell. A Dra. Saltz adverte que as pessoas que administraram seu distúrbio podem sofrer uma recaída e as que estão lutando ativamente podem ser muito mais sintomáticas.

“A ansiedade também piora a depressão, particularmente aqueles cuja depressão é da variedade ‘agitada’, um subtipo da doença caracterizada por um comportamento inquieto, ansioso e com algo grau de irritabilidade”, acrescenta ela.

As pessoas com ansiedade ou depressão que estão em casa com alguém que tem o COVID-19 podem achar que o ônus da prestação de cuidados causa a deterioração da sua saúde mental.

“Cuidar é muito estressante”, diz a Dra. Saltz. “Em muitos casos, é uma função 24 horas por dia, 7 dias por semana e, para aqueles que já estão enfrentando dificuldades, pode ser esmagador”.

Ela acrescenta que o distanciamento social, a quarentena e a perda da estrutura do trabalho ou da escola também podem aumentar os sintomas de ansiedade e depressão, aumentando os sentimentos de solidão.

Ao se concentrar ativamente na saúde mental, no entanto, esses sintomas podem ser reduzidos. A Dra. Saltz recomenda exercitar-se por 30 minutos todos os dias e experimentar técnicas de relaxamento, como respiração profunda e atenção plena, para ajudar a manter a ansiedade sob controle.

Também é importante ter estrutura no seu dia, mesmo se você estiver se isolando ou em quarentena, diz ela. Isso significa levantar-se ao mesmo tempo que você faria normalmente, tomar banho, vestir-se, criar e seguir um cronograma e manter o sono normal. Se você passa a trabalhar em casa, crie uma estação de trabalho para isso.

E se você toma medicamentos para sua saúde mental, verifique se você tem um suprimento de 30 dias.

A solidão é um problema para pessoas de todas as faixas etárias e, mesmo que você não tenha problemas de saúde mental, provavelmente conhece alguém que o tem. “Entre em contato com aqueles que você conhece”, diz a Dra. Saltz. “Conversar e apoiar os outros provavelmente fará com que você se sinta melhor também.”

Nota do blog:
As doenças são confirmadas como as mais presentes nos casos de óbitos no Brasil, conforme mostra o gráfico do Ministério da Saúde:

Óbitos por COVID-19 classificados por grupos de risco e faixa etária, Brasil 2020

Fonte: Sistema de Informação de Vigilância da Gripe. Dados atualizados em 06 de abril de 2020 às 14h, sujeitos a revisões

Veja outros posts relacionados...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *