A depressão é curável? – Post 5

A depressão é curável? – Post 5

Conheça mais um post da nossa série sobre DEPRESSÃO, com a opinião do quinto dos 17 médicos espalhados pelo mundo que respondem à pergunta sobre se ela é mesmo curável. Aqui, a opinião do Dr. Rodrigo del Córdoba Rojas, da Colômbia.

“Nada expõe tanto o psiquiatra ao descrédito e fracasso quanto o tratamento para a melancolia, uma síndrome que em muitos casos é mais rebelde à terapia.”

– Antonio Vallejo-Najera

A depressão é curável? Pergunta mais incômoda que essa deve haver poucas. Para o profissional da saúde – e não somente um psiquiatra – que se vê impotente diante de um paciente ansioso. E também para este último, ao perceber que provavelmente a resposta desejada nunca virá. (Ou pior ainda, ao perceber meses depois que ela veio errada.)

A pergunta em questão foi respondida por 17 médicos clinicando em países diferentes, da Alemanha à Armênia, e entre eles, o Brasil.

E por que é interessante para alguém com dor crônica conhecê-las?

Porque a depressão e a dor crônica, é sabido, costumam andar juntas. E a dor crônica é o assunto do blog.

Já foram publicados as quatro primeiras opiniões a respeito – do Dr. Tunç Alkin (Turquia), do Dr. Eugene Allers (África do Sul), do Dr. CM Banki (Hungria) e do Dr. Bauer (Alemanha). Pelas próximas semanas, continuarei postando uma dessas 17 respostas médicas por vez. Pode ficar meio monótono. Mas nem tanto quanto passar pela farmácia a comprar um antidepressivo que talvez nem seja necessário.

DEPRESSÃO: NÃO É CURÁVEL, MAS É TRATÁVEL.

O escopo clínico da tristeza em humanos é debatido há muito tempo. Após o desenvolvimento das classificações psiquiátricas modernas em 1980, a tristeza em humanos agora é reconhecida como uma condição clínica associada a outros sintomas e mudanças no funcionamento pessoal, familiar e social, chamado transtorno depressivo maior. Mas considerá-lo uma entidade única que compreende todo o conceito de depressão é difícil, e isso levou a uma ampla discussão clínica, variando desde os diferentes espectros ou a distinção entre depressão unipolar/bipolar até a expressão da ansiedade. Esse quadro clínico heterogêneo conduziu a pesquisa a identificar biomarcadores e levou ao desenvolvimento de testes de diagnóstico, como o teste de supressão da dexametasona ou o teste de supressão do hormônio tireoidiano. A baixa homogeneidade, que está ligada à variabilidade individual dos seres humanos, é uma grande preocupação nos diagnósticos psiquiátricos.

A depressão é um problema de saúde pública em todo o mundo com alta taxa de prevalência e foi identificada como a quarta condição médica principal que contribui para a carga global da doença.1 O transtorno depressivo maior também é cada vez mais reconhecido como uma condição recorrente e potencialmente crônica e incapacitante. Um grande estudo nos EUA (STAR ​​* D [alternativas de tratamento sequenciado para aliviar a depressão]) relatou taxas de resposta em termos de efetividade do primeiro tratamento próximo a 40%,2 enquanto estudos de acompanhamento na América do Norte3 e Suíça4 permitem inferir que até 60% de todos os pacientes que sofrem de um episódio terão episódios subsequentes e sofrerão um declínio na saúde e no funcionamento. Cada novo episódio depressivo está associado a um risco renovado de episódios futuros e comprometimento funcional. Cada episódio parece aumentar a probabilidade de recorrências subsequentes. Estudos publicados sugerem que 30% a 50% dos pacientes atingem apenas remissão parcial de um episódio depressivo. Mesmo se houver alguns fatores de risco que possam nos ajudar a prever a recorrência do distúrbio – como histórico familiar de distúrbios afetivos, sexo feminino, início antes dos 25 anos, recorrência anterior, estilos cognitivos negativos, exposição a eventos estressantes da vida, ausência de apoio social (especialmente em mulheres) e comorbidade5 – eles também não conseguem prever com absoluta certeza a recorrência da doença.

Portanto, é provável que entre 30% e 50% dos pacientes sofram apenas um episódio na vida. Para este grupo de pacientes, a depressão é realmente curável. No entanto, essa afirmação é problemática, pois não há testes para identificar quem se recuperará e quem terá que continuar lutando contra a depressão crônica ou episodicamente. O conceito de remissão no tratamento de pacientes depressivos ganhou atenção crescente na última década e agora é o objetivo aceito do tratamento agudo da depressão. Com essa limitação, a abordagem atual baseia-se em intervenções gerenciadas em fases, onde três fases são geralmente distintas: gerenciamento agudo, continuação e manutenção. O gerenciamento agudo se concentra no uso de terapia medicamentosa, psicoterapia, terapia eletroconvulsiva ou uma combinação deles. A fase de continuação visa consolidar a resposta obtida e alcançar a remissão completa dos sintomas e a prevenção de recaídas, e normalmente leva entre 4 e 6 meses. A manutenção é direcionada aos pacientes com três ou mais episódios de depressão ou dois episódios graves que podem precisar ser mantidos com antidepressivos por um período prolongado ou mesmo indefinidamente.6

A depressão é tratável e não curável. A mensagem responsável para o paciente e para a comunidade médica em geral é enfatizar a importância de obter tratamento e mantê-lo ao longo do tempo como um meio de remissão completa e recuperação pessoal, familiar e social.

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