A dor é estranha - Parte 4

A dor é estranha - Parte 4

Explicando a dor: mitos e equívocos

Muitas luas atrás, eu comecei a tentar entender e explicar a dor, produzindo gradualmente este artigo, apenas vagamente consciente enquanto eu trabalhava de estar re-produzindo algumas idéias muito mais maduras. Eu fiquei sabendo que a ciência e o tratamento modernos da dor tinham raizes profundas, insight se pesquisas que datavam dos anos 1960 e Melzack, Teoria do Controle da Porta e Terapia Cognitivo Comportamental, porém aminha explicação era estranhamente similar a uma recente e popular “embalagem” da ciência da dor conhecido como Explain Pain (EP), dos Drs. Lorimer Moseley e David Butler: “uma série de intervenções educacionais que visam mudar a compreensão dos processos biológicos que são pensados para apoiar a dor como um mecanismo para reduzir a dor em si.”1 Há um livro com esse nome – Explain Pain – e muitas outras interpretações sobre suas idéias-chave (como este artigo)

Explicando a dor de acordo com o Dr. Moseley é sobre “querer que as pessoas realmente entendam como e por que elas podem sentir uma dor horrível, mas não no estar em perigo.” Explicar a dor (pode) ajudar a reduzi-la, e é algo inerentemente fascinante, mesmo que não traga nada de bom.

No meu entendimento, tem havido muitos mal-entendidos. Afinal, explicar a dor é complicado. (Há ainda muitas perguntas científicas não respondidas, também.) E porque Explain Pain virou uma “marca”, algo assim como um upstart super badalado, a quem lhe fora concedido muito crédito por muitas pessoas muito cedo-especialmente a idéia de que ele realmente reduz a dor, a qual é altamente especulativa. No entanto, para o registro, aqui vão alguns equívocos-chave sobre Explain Pain…

O dano tecidual é real e a dor que surge é real. Mas eles têm um relacionamento complicado”.

  • Explicar a dor não é gerenciar ou lidar com a dor.
  • Não se trata apenas de dor crônica. A dor aguda precisa de explicações também.
  • Explicar a dor não incentiva as pessoas a se mover apesar de sua dor-é apenas sobre ensinar-lhes que a dor é muitas vezes “superprotetora.” Só porque o cérebro se preocupa demais não significa que está errado.
  • Não é sobre a regulação de “mensagens de dor” ou “sinais de dor”, porque não existem tais coisas. É sobre a regulação das mensagens de perigo, e como só o cérebro pode amplificar ou silenciar a dor.
  • O dano tecidual é real e a dor que surge é real. Mas eles têm uma relação “complicada”.
  • O ponto não é tranquilizar as pessoas quanto a que a dor é “apenas” uma percepção e não algo real (Ugh)-trata-se de tranquilizar as pessoas que o perigo implícito na dor pode ser exagerado.
  • Muitas pessoas parecem pensar que Explain Pain ignora a biologia, a biomédica, e os fatores estruturais na dor. Nada disso: a intenção de Explain Pain é explicar a “complicada” relação entre essas coisas e dor. O dano tecidual é real, e a dor decorrente dela é real… mas é complicado.2
  • Não se trata apenas de sensitização central (para a qual não há cura conhecida). A sensitização é um subtópico importante, mas é importante explicar a dor “insensitizada” também.3 E o movimento pro-Explain Pain é de fato bastante otimista(talvez até muito otimista) quanto a que aprender as coisas certas pode realmente mudar a dor, mesmo quando foro produto de sensitização.

Mas a mãe de todos os mal-entendidos é a idéia popular de que se a dor é um produto do cérebro, então devemos ser capazes de pensar a nossa maneira de sair dela. É um tópico tão importante e difícil que a maioria do resto do artigo é dedicada a ele.

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