A dor é uma ilusão – Ainda bem - Parte 1

A dor é uma ilusão – Ainda bem - Parte 1

Deixe um neurocientista lhe convencer disso de maneira inesquecível.

A fotografia é um tipo de realidade virtual. Ajuda você a criar a ilusão de estar em um mundo interessante.

Steven Pinker
Um número cada vez mais crescente de neurocientistas especializados em dor está empenhado em validar e divulgar a noção de que a dor é um output do cérebro, e não – como 99,99% do resto da Humanidade pensa – do tecido onde a lesão ocorre. Artigos científicos assinados na Austrália, África do Sul, Bélgica, Canadá e outros lugares exóticos, martelam nessa tecla.

E por que tanto empenho?

Simples: primeiro, porque eles acham estar certos, e provavelmente o estão; e segundo, porque o que pregam é tão radical e diferente, que poucos, entre os profissionais da saúde e os próprios pacientes, levam a sério.

METÁFORAS E ESTÓRIAS AJUDAM A EXPLICAR A EXPERIÊNCIA DA DOR. A PARTICIPAÇÃO DO CÉREBRO NELA, INCLUSIVE.

Daí a importância do uso de metáforas para efeitos de convencimento. Uma metáfora é uma figura de linguagem que produz sentidos figurados por meio de comparações implícitas. Ou seja, se você diz que sua sogra é uma harpia – uma ave de rapina – bem, fica claro que ela é isso mesmo.

Numa apresentação sobre dor que viralizou absurdamente, Lorimer Moseley, o mais notório dos cientistas antes mencionados, recorre a uma ilusão de ótica como metáfora para passar seu recado. Veja a seguir – Lembrete: não continue lendo porque se o fizer a coisa toda perde a graça.

Vídeo


O truque é conhecido como Adelson Checker Shadow Illusion. (Adelson é professor no MIT).

Figura A

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Na figura A o quadrado parece ser mais escuro que o quadrado B, certo? Errado – ambos os quadrados têm a mesma tonalidade cinza.

Agora preste atenção:

Figura B

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

No caso de B, a sombra traça uma espécie de superfície, de maneira tal que a superfície branca na sombra reflete menos luz que a preta exposta à plena luz. Rodeado de vizinhos escuros, B aparece menos claro do que é. No caso de A, é o contrário: rodeado de vizinhos claros, A parece mais claro do que é. E assim por diante. A explicação completa tem outras nuances e pode ser vista clicando aqui.

Qual é a mensagem? Que a visão humana dá uma ideia aproximada da realidade, apenas. E com a dor é a mesma coisa. Ela é também uma sensação modulada pelo cérebro – portanto pode vir a ser mais ou menos intensa que a “realidade”. Dependendo de quê? De muitos outros fatores além dos envolvidos diretamente na lesão sofrida. Fatores cognitivos, emocionais, ambientais etc., passados, presentes e futuros, que também influenciam a percepção da dor.

“Nós somos mais frequentemente ameaçados do que machucados; e nós sofremos mais por conta da imaginação do que por conta da realidade.”

Lucius Annaeus Seneca
E porque isso seria importante?

Porque a mente tem algum poder sobre alguns desses fatores e assim, por tabela, sobre a dor que o corpo sofre. A maioria dos pacientes com dor crônica não tem esse conhecimento. E se o tivessem, eu suponho que supõe Moseley, eles estariam mais interessados em tomar a frente da sua recuperação.

Mais sobre o anterior, num próximo post.

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