A sua dor é crônica? Sair dessa é com você mesmo

A sua dor é crônica? Sair dessa é com você mesmo

A dor crônica está literalmente levando à falência os Sistemas de Saúde de países desenvolvidos. No Reino Unido, no Canadá e na Austrália, a palavra de ordem é “autogerenciamento”. Ou seja, fazer de tudo para o paciente crônico assumir a responsabilidade pelo seu tratamento.

Não deixe o ruído das opiniões dos outros abafar a sua própria voz interior. E o mais importante, tenha a coragem de seguir seu coração e intuição.

Steve Jobs
E se eu lhe disser que o propósito derradeiro de todo tratamento de dor crônica não é curar o paciente? E nem sequer aliviá-lo?

Não, eu não sou louco. Eu disse “derradeiro”, que significa “o que vem por último, no final de uma série…”. No caso de dor crônica, esse objetivo é o próprio paciente assumir o controle da dor mantendo qualidade de vida. Pain management, chamam isso.

Chegar lá, na opinião de quem sofreu dor crônica e viveu para contá-lo, depende de 1.457 coisas, das quais destaco apenas as seis seguintes – elas são algo insolentes, mas se o “medicamento correto” até hoje não resolveu a sua dor crônica, convém prestar atenção a elas:

ACEITAR O DIAGNÓSTICO

Muitos pacientes se insurjem diante “algo” que, além de fazer sofrer, não parece ter causa, nem tratamento certo, nem fim, nem cura. Mas lutar contra a realidade é inútil. É melhor prestar atenção para coisas construtivas como que o corpo é menos frágil do que dizem, e que hoje há tratamentos de cura multidisciplinares com resultados razoáveis.

EDUCAR-SE

Como pretender assumir o controle de algo desconhecido, sem ralar estudando-o? Para o paciente leigo, a dor e seu gerenciamento é como uma nova linguagem a ser obrigatoriamente aprendida – e praticada sem medo ao dialogar com médicos e fisioterapeutas.

CONFIAR DESCONFIANDO

O que o paciente imaginou ao longo da vida sobre a infalibilidade de remédios, cirurgias, injeções, médicos, laboratórios farmacêuticos e remédios, e até dele mesmo (“Eu sou o tal”), pode e deve ser desmistificado. Se você continuar acreditando piamente nessas coisas você vai insistir nelas, e somente nelas, e continuará chegando a lugar nenhum.

“Os analgésicos normalmente ajudam com apenas 50 a 60% da dor. É preciso empregar outras terapias de pain management para gerenciar a dor ao longo do tempo. Você não deve confiar apenas em analgésicos – ou continuar achando que pode aumentar a dose e quando quiser, interrompê-los. Isso não vai acontecer. Então você tem que aprender a viver com uma certa quantidade de dor e aceitar esse fato da vida.”

Ron Lechnyr, Ph.D, Practical Pain Management

O SISTEMA DE SAÚDE NÃO VAI AJUDAR VOCÊ

O establishment da saúde em qualquer país é um edifício de interesses criados, todo mundo ali tem seu status quo a ser preservado. Tratar da dor segundo as descobertas da neurociência mexe com as próprias bases daquele. A neurociência, por outro lado, ainda é acadêmica, e como tal, não consegue levar sua mensagem até a frente clínica. Um exemplo? Por décadas eu padeci de dor persistente, consultei dezenas de terapeutas e somente um pronunciou a palavra “crônica”.

“A maioria dos estudantes de medicina lamentavelmente tem falta de treinamento em dor crônica, geralmente recebendo apenas algumas horas em toda a sua educação. Na verdade, os veterinários recebem mais treinamento sobre como tratar animais com dor do que os médicos para seus pacientes humanos.”

Laura Kiesel, Harvard Health Publishing/ Harvard Medical School

RESPEITAR O INIMIGO

A dor crônica é encardida, sorrateira, um adversário temível. Ainda não foi inventada uma cura tipo “bala de prata” capaz de abatê-la. E mesmo os tratamentos multidisciplinares hoje na moda não seguem protocolos universais, em geral progredindo (ou regredindo) por tentativa e erro.

“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas.”

Sun Tzu

REDEFINIR A VIDA

Enfrentar a dor crônica é um projeto de vida, e uma vida que deve se adaptar a novas exigências. Do embate com a dor crônica ninguém sai igual a como entrou. Hábitos, ambientes de trabalho, hobbies e vícios, relações com familiares e outros, precisam ser revistos e, provavelmente, mudados ou abandonados.

Leia histórias de pacientes com dor crônica. Eles estão espalhados pelo mundo – Austrália, Índia, Reino Unido, Canadá, EUA, África do Sul, Brasil… Entre os que conseguiram empatar a luta, ou quase a venceram, todos irão lhe dizer que foi uma viagem incerta, sofrida, e principalmente, solitária. Eu fiz essa viagem e sei do que estou falando. Nela, você está pela sua conta.

Veja outros posts relacionados...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *