Achatando a curva do coronavírus – a história por trás de uma genialidade

Achatando a curva do coronavírus – a história por trás de uma genialidade
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Há um mês um tweet sobre como se prevenir no início de uma pandemia pode mudar a trajetória de sua disseminação, aliviando o sistema de saúde, se tornou viral na internet. Era uma ilustração de apenas três linhas. Logo depois, uma matéria publicada no Washington Post baseada no conceito anterior, rodou o mundo. Hoje não há noticiário, comentarista, personalidade médica ou até Chefe de Estado que deixe de falar no “achatamento da curva”. Leia aqui a história de uma genialidade.

“Criatividade é inteligência se divertindo.”

Albert Einstein

Duas semanas atrás, o nosso canal no YouTube agregou mais um vídeo “made-by-mim-mesmo”. O seu nome? Coronavírus 1 – O achatando da curva.

Em poucos dias a minha obra de arte transvestida de trash-video foi vista por mais de 700 visitantes. Como eu não aspiro a entrar para o elenco do próximo BBB, achei sensacional.

O parabéns, todavia, deveria ir para os inventores dessa sacada genial que é a imagem das duas curvas. A mais achatada, à direita, representando a distribuição de infectados numa população sob medidas de isolamento social, e a mais aguda, à esquerda, sobre como seria o mesmo sem essas medidas. Mais ou menos o isolamento horizontal versus o vertical, para usar termos mais contemporâneos.

E bem, o tal conceito ficou famoso após um artigo publicado em 14 de março, de autoria de Harry Stevens, em que são simuladas quatro situações de infectação.

Por que surtos como o coronavírus se espalharam exponencialmente e como ‘achatar a curva’“, explica visualmente como um vírus simulado se espalha através do contato humano.1

E no fim da linha deixa bem claro, ao menos teoricamente, a estupidez sideral que seria deixar o coronavírus correr mais ou menos solto fora de um cerco montado em torno dos velhinhos e velhinhas com mais de… 60 anos.

O surpreendente é que o verdadeiro merecedor dos louros da fama hoje alcançada pelo esquema do Flatten the Curve, é um microbiologista da Nova Zelândia de nome Siouxsie Wiles e o ilustrador Toby Morris, os quais o aventaram num artigo publicado em 2007, ou seja há 15 anos.2

Nesse período outros atores foram entrando em cena, aperfeiçoando a ilustração original.

Drew Harris, professor na Thomas Jefferson University, por exemplo,

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

…adicionou a linha pontilhada de “capacidade do sistema de saúde”. Hoje a tarde eu assisti pela CNN Brasil, um médico importante insistir na “necessidade de achatar a curva para não sobrecarregar, e eventualmente implodir o sistema de saúde como um todo”. Você olha a ilustração acima 5 segundos e entende TUDO o que ele quer dizer. Veja só!

“É esse exemplo perfeito do que você deseja com design. Você quer algo tão envolvente que as pessoas possam realmente entender o conceito.”

Siouxsie Wiles

Enfim, do Mandetta ao Trump, as personagens que todo dia noticiam sobre o andar da pandemia relacionam o “achatamento da curva” e a “capacidade do sistema de saúde” com desenvoltura invejável. E tomara que assim continuem porque é da compreensão veloz do que essas breves linhas elegantes significam, por parte do maior número de pessoas possível, que depende a vida de muita gente.

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