Afinal, o que é a neuromatrix?

Afinal, o que é a neuromatrix?

Você já ouviu falar em Neuromatrix? Se não ouviu, é uma pena porque aquilo revolucionou o campo da dor. E se ouviu e pouco entendeu, tente de novo.

A principal função do corpo é carregar o cérebro.

Thomas A. Edison
Você já ouviu falar em Neuromatrix? Ou em neurotag? Se você for uma pessoa normal, leiga em temas de neurociência e dor, e ouviu – provavelmente se sentiu algo idiota. Ou como eu, plenamente idiota. E para disfarçar o embaraço diante do seu ego, esforçou-se por esquecer do assunto.

E fez bem, se você pertencer a um quinto da população mundial que, segundo a Organização Mundial da Saúde, não sofre de dor lombar. Caso contrário, convém se informar sobre o assunto.

Eu, que também sou leigo, vou lhe ajudar nisso.

A neurociência cognitiva está entrando em uma era excitante em que novas tecnologias e ideias estão possibilitando estudar as bases neurais da cognição, percepção, memória e emoção no nível das redes de neurônios em interação, o nível em que acreditamos muitas das operações importantes do cérebro ocorrem.

John O’Keefe, neurocientista, Prêmio Nobel de Medicina
Meio século atrás, a prestigiosa revista Science publicou a Teoria do Controle do Portão (Gate Control Theory) de autoria de Ronald Melzack, canadense, e Patrick Wall, americano. Ela propunha que a dor é modulada pelo cérebro – e isso literalmente virou o conhecido sobre dor até o momento de ponta a cabeça.

Ficou difícil? Bem, “modulada” quer dizer que se você receber um golpe ou uma facada, sem ir se explicar com São Pedro de imediato, irá sofrer muita, muita dor. Porém – por favor preste atenção ao porém –, não aquela dor que sofreria se o único que estivesse acontecendo com você nesse momento fosse um golpe ou uma facada. Algo por demais impossível, porque você tem memória (o passado), vários assuntos lhe preocupavam ao ser agredido (o presente), e tinha a vaga esperança de proximamente assistir um show em São Paulo sem ser assaltado na saída (o futuro). Fora isso, no momento da agressão estava sentindo um cheiro de folhas secas (era Outono), olhando para um semáforo e sabe-se lá o que mais.

Segundo a Neuromatrix cada uma dessas coisas – lembranças, preocupações, esperanças, cheiros, visões… – constituíam “você nesse momento”, ou o que Melzack denominou “body self”.

O cérebro humano tem 100 bilhões de neurônios, cada neurônio conectado a 10 mil outros neurônios. O que está entre seus ombros é o objeto mais complicado no universo conhecido.

Michio Kaku, físico
Grosso modo, a Neuromatrix então é uma portentosa rede de trilhas neurais por onde fluem cognições, emoções, lembranças… – algumas que nem sabemos que existem (ex.: subconsciente). Ora, imagine-a como um capacete. Um desses de motoboy, vai. Apenas muito parecido com seu cérebro. Uma massa encefálica surcada por zilhões de trilhas neurais prontas para serem ativadas por zilhões de inputs.

“Isso tudo”, repito, era “você” ao ser agredido. E assim, a lesão tecidual provocada foi compelida a se juntar a “isso tudo” para produzir… dor.

Em síntese, o que você é (o body-self) ao ser vitimado por algo, dá significado à experiência dolorosa, tornando-a única, totalmente “sua própria”.

Veja outros posts relacionados...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *