Avaliação diagnóstica da lombalgia

Avaliação diagnóstica da lombalgia

O autor desse artigo afirma que a expectativa de identificar uma causa única para a dor lombar crônica é impraticável e que fazer testes isolados não é razoável. Sendo esta observação frustrante (e até arrepiante) para quem sofre de dor lombar, você não quer saber do seu argumento?

“Quando o problema for grande e feio, nunca haverá uma solução linda e elegante que seja totalmente indolor ou sem custo”.

Henry Paulson

Se alguém afirma “estar com uma dor nas costas há muito tempo” é muito provável que esteja se referindo à dor lombar crônica, um termo que os médicos usam e os pacientes nem sempre sabem o que significa. Ela é uma condição médica complexa, caracterizada por vários sintomas além da dor, e pode desembocar em incapacidade.1

Se você for agraciado com esse transtorno musculoesquelético e procurar atendimento primário – ou seja, aparecer pela primeira vez num Pronto Socorro ou no consultório do clínico geral que cuida de sua família e for examinado por um interno, ou pelo médico de plantão – a probabilidade de sair de lá com um diagnóstico de “dor inespecífica” é de 75%. (Se você ainda não passou pela experiência, acredite, ela é bem assustadora.) E se você depois procurar um ortopedista, notará que as opções para categorizar sua dor aumentam, mas não necessariamente as probabilidades de se ter um veredito esclarecedor.

“Na prática clínica, os pacientes com dor lombar crônica são categorizados em três grupos: 1) associado a uma doença subjacente específica; 2) com presença de componente neuropático, que é a dor lombar associada à lesão ou doença do sistema nervoso somatossensitivo; 3) inespecífica, que na maioria dos casos é de origem mecânica.”2

Mesmo com exames de imagem, que a maioria dos pacientes leigos consideram infalíveis, nem sempre fica fácil associar a dor lombar com algum grau de certeza à uma causa específica (trauma, infecção, inflamação, artrite reumatoide, tumor, hérnia discal, vasculopatia etc.). Prova disso é que a prevalência da lombalgia inespecífica ao longo da vida é estimada em 60% a 70% nos países industrializados.3

O Dr. Eugene Carragee, médico especializado em cirurgia espinhal e Professor de Cirurgia Ortopédica na Stanford University Medical Center, num artigo um pouco antigo (2004)4 porém de conteúdo ainda vigente, afirmou que a expectativa de identificar uma causa única para esse complexo de sintomas seria impraticável e que qualquer teste isolado poderia não ser uma abordagem razoável. Sendo esta observação frustrante (e até arrepiante) para quem sofre de dor lombar, achei pertinente expor alguns dos seus argumentos:

“Os estudos de imagem são usados ​​na prática como estudos de confirmação, uma vez determinado o diagnóstico de trabalho. A ressonância magnética, embora seja excelente na definição de tumor, infecção e compressão nervosa, pode ser muito sensível em relação aos achados da doença degenerativa e geralmente exibe patologia que não é responsável pelos sintomas do paciente. Como exemplo, as zonas de alta intensidade (HIZ) vistas na ressonância magnética são confiáveis ​​na determinação de defeitos anulares no disco, mas não são confiáveis ​​no estabelecimento de interrupção interna do disco como causa da dor lombar.

O Dr. Carragee esclarece um ponto importante para quem começa a perceber que a dor lombar veio para ficar: ela não resulta apenas de um distúrbio espinhal mecânico e, portanto, o alívio desejado não depende apenas da eliminação deste último. Isso porque a patologia mecânica, diz o médico, pode ser apenas uma parte do problema que é aumentado por questões neurofisiológicas, sociais e psicológicas.

“Um paciente inteligente percebe que a pessoa mais capaz de diagnosticar e tratar seus problemas de saúde é ela mesma.”

Steven Magee

E se a expectativa de identificar uma causa única para esse complexo de sintomas é impraticável e qualquer teste isolado pode não ser uma abordagem razoável, o que concluimos?

A risco de sermos redundantes, que a correção cirúrgica da porção mecânica da dor lombar crônica, mesmo se o problema for corretamente identificado, e a cirurgia bem-sucedida, não é garantia de volta à normalidade. Se outros aspectos da vida e das circunstâncias do paciente, que são alheios à sua patologia espinhal específica, não forem diagnosticados e tratados concomitantemente, a dor lombar dificilmente será aliviada, quando mais curada.

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