Boa parte do seu estresse é você que faz

Boa parte do seu estresse é você que faz
image_pdfimage_print

A verdade é que o estresse não vem do seu chefe, seus filhos, seu cônjuge, engarrafamentos, problemas de saúde ou outras circunstâncias. Isso vem de seus pensamentos sobre essas circunstâncias.

Andrew J. Bernstein
Sobre o estresse costuma-se comentar duas coisas: que ele é produto da vida agitada etc., e que faz mal. Esta última é 100% verdadeira, a outra não.

Que o estresse está relacionado a doença e dor, isso já foi arqui-comprovado cientificamente. Porém, a noção de que sua origem seja somente externa está equivocada. A maior parte do estresse que sofremos é de fabricação própria. Três são as matérias primas que usamos: pressão cotidiana, mente e corpo.

Pressão é o combustível de estresse mais evidente. Ela advém do desequilíbrio entre capacidades reais e expectativas pressupostas. Do dia que enfrentamos uma lista imensa de coisas-a-fazer, da experiência do trânsito, ou de dizer sempre “sim”, de não delegar nem estabelecer prioridades, de conservar relações tóxicas, de estar sempre correndo contra o tempo – uma carga que sabemos superior a nós. Não somos brigados a aceitá-la em toda sua extensão. Poderíamos descobrir atalhos mais saudáveis. Mas o hábito de atender é mais forte.

Sem você se dar conta, acaba fazendo coisas não naturais para expandir seus negócios. E quando você faz isso, todo o sistema sofre uma pressão excessiva. É como tocar música em alto-falantes que podem suportar apenas 50 watts de potência com um amplificador 10 vezes mais potente, e de repente você aumenta à velocidade máxima. Algo vai explodir.


Se você não acha que sua ansiedade, depressão, tristeza e estresse afetam sua saúde física, pense novamente. Todas essas emoções desencadeiam reações químicas em seu corpo, que podem levar à inflamação e a um sistema imunológico enfraquecido.
A nossa mente é também uma fonte de estresse. Ela abriga emoções, pensamentos ruins e auto-engano.

  • Medo, ansiedade e estresse são emoções que se retro-alimentam. Quanto mais medo e ansiedade as pessoas experimentam, mais estressadas tendem a ser. E quanto mais estressadas elas estão, mais ansiosas e temerosas tendem a ser. Infelizmente, a maioria das pessoas permite que o medo, a ansiedade, a raiva, a tristeza ou a culpa interfiram no seu dia. Aos poucos, porém, o corpo irá manifestar essas negatividades em doença e dor.
  • Pensamentos ruins, quer seja sobre outros, a vida ou o futuro, atrapalham qualquer esforço de recuperação. Não é por nada que a única terapia reconhecida como razoavelmente eficaz para aliviar a dor crônica – a Terapia Cognitiva Comportamental – visa eliminar ou enfraquecer a poluição mental, ao invés de fortalecer o físico.
  • O autoengano, por último, dá-se pelas mentiras sobre nós mesmos que contamos a… nós mesmos, no intuito de parecer mais do que somos, e mais que outros. “Não há ninguém que não seja desconhecido de si mesmo”, um filósofo famoso, Ludwig Wittgenstein (1889-1951), certo dia disse. Mas não é bem asssim, a parte de nós que pratica o auto-engano não nos é desconhecida.

O medo mais profundo que temos, “o medo sob todos os medos”, é o medo de não estarmos à altura, o medo do julgamento. É esse medo que cria o estresse e a depressão da vida cotidiana.

Tullian Tchividjian
Por fim, o corpo. O que nós fazemos com ele também gera estresse e, no fim da linha, dor. Não, não me refiro apenas à dor de barriga que ganhamos por comer muito e mal, mas ao sobrepeso e a diabetes que, mais dia, menos dia, advém disso. O peso excessivo acarreta dor nas juntas, principalmente joelhos, enquanto o excesso de açúcar no sangue pode – entre muitas outras coisas horríveis – danar os nervos, principalmente nas pernas e pés. Isso chama neuropatia diabética e ela também afeta o sistema digestivo, o trato urinário, vasos sanguíneos e o coração. Para algumas pessoas, a neuropatia diabética pode ser bastante dolorosa e incapacitante.

E você ainda acha que a expressão estresse “autofabricado” não procede?

Veja outros posts relacionados...

2 comentários
  1. Leio sempre que posso suas materias e ao final fico um pouco frustrada porque fica no ar o assunto, ao final não tras um fechamento ou uma explicação . Por exemplo: a materia que fala do Estresse diz: voce precisa saber o que é o estresse , como funcionana, da onde vem, o que causa. Ao ler o assunto fico na espectativa que tudo sera explicado e que ao final da leitura terei um certo conhecimento e saberei o que devo fazer e coisas que não deveria. Então, ao terminar a leitura permaneceu tudo da mesma forma que era antes ou seja não acrescentou em nada. Se eu quiser as respostas terei que ir atras pesquisar. Isso tras um questionamento em mente porque vou ler toda uma materia que ao final não me tras resposta?
    Gosto muito do se blog, escrevo isso com todo respeito ao seu trabalho. Por favor tome isso como uma critica construtiva e não como alguém que vem desfazer de seu trabalho.
    Cibele Ruiz

    1. Cibele,
      Parabéns pelo seu comentário. Crítico, porém construtivo e respeitoso. Isso é incomum.
      Desculpe não ter lhe respondido antes. Estou no meio de um tiroteio porque nessa semana vão ao ar dois projetos nos quais trabalhei o ano inteiro. Se você ainda não desistiu do blog, talvez goste deles.
      Mas vamos ao que interessa. E que me deixou bem pensativo. Para bem e para mal.
      Vejamos o “mal”, primeiro. Resisto acreditar que depois da leitura de um post (ex.: estresse), você fique sem “um certo conhecimento”. Isso é excessivo para uma pessoa que redige uma crítica inteligente como a sua. Concordo, por outro lado, com que você fique sem saber o que deve fazer e/ou não fazer, e seja obrigada a pesquisar.
      Até porque essa é a minha intenção com o blog.
      Eu explico. O meu objetivo é educar as pessoas sobre a dor crônica e suas adjacências/fatores provocadores etc., os que são muitos e complexos. Mas a educação é um processo e hoje quase ninguém sabe nada sobre dor crônica. E um post não é uma aula, um artigo, ou um trecho de um texto médico. Dentro dessas limitações somente me resta COMEÇAR instigando, despertando a necessidade de averiguar, pesquisar… para então talvez a pessoa com dor crônica vislumbrar caminhos que possam lhe trazer qualidade de vida. “Talvez” porque, Cibele, desde que o reino da dor passou a ser explicado pela neurociência tudo fico menos ilusório e mentiroso do que antes… mas também muito mais complexo. Sobre o cérebro hoje se sabe 5% do que poderia ser sabido, afirmou recentemente um neurocientista destacado. E o cérebro governa a dor e o estresse e a ansiedade e a depressão e etcétera… Evidentemente, o paciente com dor (pode ser seu caso) quer respostas, mas ninguém pode afirmar que as conhece, e eu prefiro mostrar a incerteza que caracteriza a REALIDADE, a apontar soluções que hoje não são universais, confiáveis, transferíveis… Na minha opinião, e falo por experiência própria, cabe ao paciente pesquisar opções terapêuticas, compará-las, e depois testar/tentar a que mais lhe convém. Eu procuro motivá-lo nessa direção.
      Agora o “bem” que a sua crítica me trouxe. Pensar, refletir e me angustiar por ainda não encontrar uma linha de informação que agrade pessoas que buscam soluções e ao mesmo tempo me satisfaça. O blog é o projeto de uma pessoa só (eu), que também precisa estar motivada. E ocorre que entregar soluções – embora entenda perfeitamente a exigência por parte de quem está com dor persistente – não me satisfaz. Todavia, isso não significa que a sua crítica me seja indiferente. Hoje o blog tem 12.000 visitantes por semana. E se muitos pensam igual a você, é preciso prestar atenção e eventualmente mudar o enfoque. Não sou cego.
      Enfim, ao terminar a leitura de (este comentário-resposta) talvez tudo para você “…permaneceu da mesma forma que era antes, ou seja, não acrescentou em nada”. Nesse caso, paciência e muito obrigado de qualquer maneira. Todavia, pode ser que tenha ficado alguma coisa consigo e eu estou a sua disposição para conversar online quando quiser.
      Cordialmente, Julio

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *