Bom dia, flor do dia!

Bom dia, flor do dia!
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Num país de 215 milhões de habitantes é necessário recorrer a todos os meios de comunicação possíveis para disseminar conhecimento sobre a dor e seu gerenciamento entre a população com dor. O podcast pode ser infinitamente mais eficaz do que palestras e congressos, nesse sentido. 

“O bom do podcast é que se uma pessoa escuta e o repassa a outra, você nada menos que duplicou sua audiência!”

Robert Gerrish

Recentemente, o blog ingressou na era do podcast. Mais de 50 podcasts de não mais de 45 segundos cada, ficam à disposição dos visitantes. Clicando aqui, tem-se acesso a um elenco de mitos sobre a Dor Crônica, com temas tão variados como: Ansiedade, Depressão, Cérebro, Medicações, Relação Médico-Paciente, Terapias para o Alívio da Dor…

Qualquer podcast pode ser baixado na hora e hospedado em qualquer equipamento eletrônico (celular, tablet, PC), facilitando a audição posterior em qualquer momento e local.

E por que podcasts, no caso de um blog como este, focado na educação em dor?

Porque a Educação em Dor enfrenta os mesmos problemas de qualquer educação no Brasil – educandos (as pessoas com dor) avessos à leitura, e em geral estressados e sem tempo. Mas com dois agravantes específicos monumentais: centros educacionais e educadores ausentes.

Centros educacionais? Estes seriam as faculdades de ciências relacionadas à saúde (medicina, fisioterapia, psicologia…). Nelas, porém, o ensino da dor (como doença, sintoma ou o que for) não existe. Hipócrates definitivamente não pensou nisso, em que seus seguidores desconsiderariam a dor como assunto de interesse clínico nos séculos vindouros. Vai entender.

E os educadores? Bem, me ocorre que, por excelência, estes seriam os médicos. Ou o caro leitor teria outra alternativa em mente? Acho que não. Os médicos desfrutam de extraordinários privilégios para educar gente em dor: autoridade beirando a reverência religiosa, monopólio do conhecimento da biomedicina, tempo-espaço (se for no âmbito de uma consulta médica paga) e com o educando (o paciente) geralmente angustiado e sem nenhuma vontade ou conhecimento para contra-argumentar.

“O papel do médico é e sempre foi, muito o de educador e psicoterapeuta. Para saber como induzir a paz de espírito no paciente e aumentar sua fé na cura, os poderes de seu médico requerem conhecimentos e habilidades psicológicas, não apenas carisma.”

A passagem é extraída da conferência dada pelo Dr. George Engel, há mais de meio século em várias universidades dos EUA, denominada:  The Need for a New Medical Model: A Challenge for Biomedicine”. Nela se fala pela primeira vez na história da medicina num tal de “modelo psicossocial da medicina”. (A íntegra da palestra, traduzida por mim, está disponível aqui.)

Nela, Engel teve o cuidado de apontar que todo o anterior estava “…fora da estrutura biomédica.” Ou seja, que nem os médicos clínicos, nem os estudantes de medicina, estariam interessados – ou saberiam como – migrar de um modelo médico exclusivamente centrado em curar doenças do corpo para outro modelo preocupado em aliviar o sofrimento dos proprietários.

Isso foi em 1977, e infelizmente – na minha opinião, e destaco isso de “minha”, uma vez que eu sou um paciente crônico, careço de provas científicas e falo apenas por mim – a imensa maioria da classe médica não se vê no papel de educador. Como um médico conhecido um dia me disse: “Ora, o meu negócio é sarar, curar… não educar. E digo mais, é isso que o paciente quer… e não ficar me ouvindo”. Viva-se com isso.

“Quem não tem cão, caça com gato”

Diante dessa realidade, que outra alternativa resta senão recorrer a todos os meios de comunicação possíveis e disponíveis na internet, para disseminar conhecimento sobre a dor e seu gerenciamento entre a população com dor?

Porque, vejamos… qual é o tamanho dessa população? Conforme matéria recente, uma certa pesquisa (Global Pain Index 2018) encomendada pela GlaxoSmithKline – multinacional que pesquisa, fabrica e comercializa medicamentos, vacinas e produtos da saúde – teria descoberto que:

“Noventa e seis por cento dos brasileiros já sentiram alguma dor no corpo; e 95% têm dores todos os dias”.

Ora, “os brasileiros” andam por volta dos 210/215 milhões – 95% dessa cifra é muita gente. Suspeito que há algum exagero aí. Então fiquemos com… que tal apenas a metade disso? E ainda temos o dobro da população da Inglaterra!

Conclusão: educação (em dor ou em qualquer outra coisa) num país desse tamanho só pode ser feita através de meios de comunicação em massa, e o podcast é um deles.

Numa primeira instância, o nosso podcast terá um leve toque pedagógico. Por gentileza, ouça o exemplo a seguir:

Percebeu? A estrutura do podcast afirma algo sobre a dor e desafia o ouvinte a validar isso. Verdadeiro ou Falso?  Imediatamente após vem a resposta e uma breve explicação. Em 30, 40 segundos, confortavelmente desfrutando de um engarrafamento no trânsito, acertando ou errando, pode-se ficar sabendo mais sobre dor, tipos de dor, terapias etc.

O que ele(a) irá fazer com esse conhecimento? Ah, isso é algo absolutamente pessoal e intransferível. Como ocorre com qualquer tipo de educação, seja ela referente à etiqueta ou astronomia, pode ser jogada fora ou aproveitada para algo útil.

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