Como o vírus infecta qualquer um. Qual-quer-um. Inclusive você.

Como o vírus infecta qualquer um. Qual-quer-um. Inclusive você.
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O mundo vive dias de perplexidade: duas das nações mais populosas do mundo – os EUA e o Brasil – estão aceitando trocar vidas por empregos. Eis a tradução, em termos macabros, do que há por trás dos estados de isolamento social meia-boca que ambas praticam. Hoje faz parte da rotina acompanhar o cômputo dos novos infectados e dos mortos antes da novela. A explicação imediata para esse absurdo é falta de consciência do que o vírus é, e de como este ataca o organismo até liquidá-lo. Porém, comandos como lavar as mãos, usar máscara e ficar em casa geram consciência? Ora, somente se a sua utilidade for bem explicada. E não tem sido. Isso já requer educação, ou seja, a transmissão de informações científicas embaladas de forma a deixar uma marca no cérebro da pessoa; uma marca capaz de incitar comportamento. Eis o caso do vídeo sobre o novo coronavírus que este post apresenta.

“A disponibilidade de conhecimento é apenas próxima à prevalência de estupidez em sua abundância esmagadora.”

– Pawan Mishra

Esse post é para apresentar um vídeo que, em princípio, talvez você não queira assistir. Por isso vou fazer um preaquecimento, justificando-o. A chance de eu convencer você é de 50%, já entenderá o porquê.

Bem, eu sei fazer as 4 operações – somar, subtrair etcétera. Aprendi bem cedo. Mas de Pitágoras de Mileto, da astronomia que os árabes dominaram antes de Cristo, dos cálculos que botaram em pé as pirâmides egípcias e maias, e de como sem a trigonometria a Ponte Niterói não existiria, nem vacinas, mísseis atômicos ou modelos econométricos prevendo a inflação do próximo ano… disso eu só fiquei sabendo bem mais tarde.

Enfim, como ia dizendo, eu aprendi as 4 operações e depois tive que estudar geometria, trigonometria e cálculo estrutural, mas ninguém me disse – nem eu me interessei em saber – como tudo isso se juntava, ou se encaixava num modelo de entendimento do mundo e da vida.

Então, sem entender a matemática, nem compreender o seu significado vital, eu nunca gostei dela, da matemática. Usei-a durante meio século, e devo ter me saído bem nisso, mas jamais gostei dela.

Em suma, eu fui informado, mas não educado… em matemática. Sou, portanto, um semianalfabeto no assunto e assim presa fácil para feirantes, corretores da bolsa ou economistas pedantes.

A minha sorte é que nenhum desses contatos envolve risco de vida. Eu posso até sucumbir a eles sem me contagiar fatalmente. A minha ignorância, nesses casos, é incapaz de me matar. Cultura matemática, então, é dispensável.

A toada é diferente em relação ao novo coronavírus. Esse aí pode matar você se não se proteger com método. Ou seja, lavar as mãos, tossir no cotovelo, evitar aglomerações e, acima de tudo, ficar em casa, guardado o maior tempo possível. Algo mais? Nada mais.

E não dá certo. A essa altura – na casa dos 10 mil e tantos mortos pelo Covid 19 no país – está claro que não dá. A maioria não traduz o entendido em comportamento. Por quê?

Cito o prefeito de Fortaleza, que contribui com pouco menos que 10% da marca fúnebre anterior: “É que o pessoal não tem consciência”, disse ele.

Consciência. Consciência da gravidade da pandemia. E por que não tem? Porque foi informado do mesmo jeito que eu aprendi as 4 operações. Dois + dois são quatro… lave as mãos… 6 menos 3 são 3… tossir no cotovelo… 3 multiplicado por 4, dá uns 12 não dá?… fique em casa, entendeu?

Todo mundo entendeu, claro. São informações precisas. Apenas a metade do mundo fez ouvidos moucos e se mandou para a rua.

Ok, ok… já sei que muita gente precisa fazer isso, ir para a rua. Funções essenciais, pessoal da saúde, e até os que estão à beira da loucura após semanas sem sair. Que tal supor que 50% do grupo que não cumpre o isolamento social, ou mais ou menos um quarto dos brasileiros e brasileiras, tenha motivos para tanto?

E o quarto restante, que dá mais ou menos a população da Inglaterra? Os 50 e tantos milhões que não entenderam que deviam ficar em casa, protegendo a si mesmos, e por tabela, os outros? Por que não entenderam?

Você acha que a educação é cara?
Veja quanto custa a ignorância.

Porque foram informados e não educados, a respeito do que fazer numa pandemia. Eis o meu ponto.

Educação requer saber menos do “como” e mais do “porquê” das coisas. Isso chateia muita gente, mas é o que é. Sem estudo, reflexão, síntese… a educação não acontece. E em não acontecendo, o cérebro não toma conhecimento. Exatamente o que o prefeito de Fortaleza disse: “Falta de consciência”. Um lorde diria: lack of awareness. Um matuto? Falta de “semancômetro”.

E é aqui que entra o vídeo mencionado antes. Ele mostra em technicolor como o vírus, valendo-se de um procedimento por demais inteligente, ataca as células, se multiplica, e as infecta… para depois abandoná-las quando não servem mais. A menos, claro, que o sistema imunológico entre em campo para destruir o vírus… algo que o vídeo também mostra.

O processo todo é absolutamente fascinante, e daria um filme de ação e aventura… não fosse ele um filme de terror.

E quem sabe somente o terror consiga levar alguns dos que cogitam sair de casa sem um bom motivo… a pensar duas vezes, e a se poupar de riscos que podem ser fatais. Eis a razão de eu ter insistido em que você assistisse esse vídeo.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

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