Coração: fatores de risco exclusivos das mulheres

Coração: fatores de risco exclusivos das mulheres

Uma abordagem médica pautada por pesquisas realizadas mormente em homens – sintomas como dor no peito que irradia para o braço esquerdo – tem deixado muitas mulheres subdiagnosticadas e subtratadas. Elas geralmente apresentam falta de ar, náusea ou vômito e dor nas costas ou na mandíbula. Como resultado desse viés no diagnóstico, não são poucas as que têm falecido desnecessariamente. Sabia disso? Saiba mais nesse post.

“As mulheres são mais propensas do que os homens a apresentar sintomas de ataque cardíaco não relacionados à típica dor no peito.”

Mayo Clinic’s “Heart disease in women: Understand symptoms and risk factors”.

Nota do blog:

  • Segundo a American Heart Association (AHA) uma mulher morre a cada minuto de doença cardiovascular (ataque cardíaco ou morte de doença coronária) nos EUA. Uma publicação recente da Harvard University corrige para cada 40 segundos.
  • Doenças cardíacas e derrames matam 31.000 mulheres anualmente no Canadá, mas a maioria das mulheres desconhece a ameaça. Uma mulher morre de doença cardíaca no Canadá a cada 20 minutos.
  • De fato, a maioria das mulheres canadenses tem pelo menos um fator de risco para doenças cardíacas e derrames. As mulheres que têm diabetes, têm origem étnica ou estão na menopausa correm ainda mais riscos.
  • Os primeiros sinais de um ataque cardíaco iminente não são percebidos em 78% das mulheres.
  • As mulheres têm cinco vezes mais chances de morrer de doenças cardíacas do que o câncer de mama.
  • As mulheres têm mais probabilidade do que os homens de morrer ou sofrer um segundo ataque cardíaco nos primeiros seis meses de um evento cardíaco.
  • Dois terços da pesquisa clínica de doenças cardíacas ainda se concentram nos homens.

Os problemas cardíacos da mulher, hoje já considerados mais prevalentes e menos parecidos com os dos homens quanto sempre se pensou, têm destaque no ebook “O Paradoxo de EVA”, que será lançado brevemente pelo blog. Em quase 200 páginas ilustradas eu examino as diferenças entre dores femininas e masculinas, seja do ponto de vista biomédico (a abordagem mais óbvia), como do ponto de vista dos preconceitos culturais que permeiam o sistema da saúde. Estes últimos, segundo reportado em países como EUA, Canadá, Reino Unido, Austrália, Suécia e outros, fazem com que as dores femininas eventualmente não mereçam a mesma prestância no diagnóstico e tratamento que as dores relatadas por homens.

É importante que toda mulher conheça seus fatores de risco e reconheça os sinais de doenças cardíacas e derrames, para que possa preveni-los e gerenciá-los.

As mulheres tendem a ser protegidas contra doenças cardíacas antes da menopausa por causa do efeito protetor do estrógeno. Mulheres na pré-menopausa com diabetes, no entanto, têm risco semelhante ao de homens da mesma idade porque a diabetes cancela o efeito protetor do estrógeno.

O papel do estrógeno

Durante o ciclo de vida reprodutivo de uma mulher, dos 12 aos 50 anos de idade, o hormônio natural, o estrógeno, fornece um efeito protetor na saúde do coração da mulher.

Pílulas anticoncepcionais (contraceptivos orais)

Os contraceptivos orais modernos são muito mais seguros do que as formas usadas décadas atrás. Em uma pequena proporção de mulheres, os contraceptivos orais aumentam o risco de pressão alta e coágulos sanguíneos. O risco é maior se a mulher: fuma, já tem pressão alta, tem mais de 40 anos, tem outros fatores de risco para doenças cardíacas ou derrame ou já tem um problema de coagulação do sangue.

Gravidez

Nos nove meses de gestação, as mulheres podem desenvolver certas condições que as colocam em maior risco de doenças cardíacas e derrames.

A pré-eclâmpsia é uma condição que normalmente começa após a 20ª semana de gravidez. Está relacionada ao aumento da pressão sanguínea e das proteínas na urina da mãe (a proteína indica que há um problema nos rins). Estão propensas a essa condição as que têm pressão alta ou forem obesas antes de engravidar. Outros fatores de risco incluem ter menos de 20 anos ou mais de 40 anos, estar grávida de mais de um bebê ou ter diabetes, doença renal, artrite reumatoide, lúpus ou esclerodermia.

Durante a gravidez, o corpo de uma mulher deve produzir insulina extra, porque os níveis crescentes de hormônios da gravidez interferem na capacidade do corpo de usar insulina com eficiência. Se o corpo da mulher não puder produzir insulina adicional o suficiente, seus níveis de açúcar no sangue podem subir, causando diabetes gestacional. Não há sinais de alerta, por isso é importante que as mulheres tenham seus níveis de glicose monitorados como parte do pré-natal e continuem sendo monitorados durante toda a gravidez. O diabetes gestacional pode aumentar o risco de a mãe e o bebê desenvolverem diabetes mais tarde na vida. Diabetes é um fator de risco para doenças cardíacas e derrames.

O risco de um derrame relacionado à gravidez pode ocorrer em qualquer estágio da gravidez. Um período de alto risco é durante o parto e nos primeiros meses após o nascimento. Geralmente, é o resultado de um problema subjacente, como uma malformação preexistente dos vasos sanguíneos ou eclâmpsia. Leia sobre os sinais de derrame .

A cardiomiopatia periparto (PPCM) é uma forma rara de cardiomiopatia que ocorre em mulheres grávidas e mães recentes e é frequentemente diagnosticada incorretamente. A PPCM faz com que o coração fique maior por volta do momento do parto. Esse aumento enfraquece o músculo cardíaco e dificulta o bombeamento do sangue. Quando o sangue não pode circular o suficiente para suportar os órgãos vitais, pode levar à insuficiência cardíaca.

Menopausa

A menopausa é um período em que uma mulher deixa de ter ciclos menstruais. Seu risco de doença cardíaca e derrame aumenta após a menopausa.

Antes e depois da menopausa, a mulher pode experimentar:

  • Um aumento no colesterol total no sangue, lipoproteína de baixa densidade (LDL ou colesterol ‘ruim’) e níveis de triglicerídeos
  • Uma diminuição no colesterol das lipoproteínas de alta densidade (HDL ou colesterol ‘bom’)
  • Uma tendência para aumento da pressão arterial
  • Um aumento na gordura central do corpo, que pode ser prejudicial porque pode-se estar mais propensa a coágulos sanguíneos e problemas de açúcar no sangue.
  • Sintomas como sudorese intensa ou distúrbios do sono

Terapia de reposição hormonal:

Mulheres que tomam estrógeno como parte da terapia de reposição hormonal (TRH) têm um risco aumentado de derrame e ataque cardíaco.

Colesterol

Após a menopausa, à medida que os níveis naturais de estrógeno caem, mais e mais mulheres tendem a desenvolver colesterol alto.

Triglicerídeos

Os triglicerídeos são o tipo mais comum de gordura no corpo. Um nível alto de triglicerídeos geralmente acompanha níveis mais altos de colesterol total e LDL, níveis mais baixos de HDL e um risco aumentado de diabetes. Pesquisas sugerem que ter triglicerídeos altos pode aumentar o risco de doenças cardíacas e derrames para mulheres.

Diminuindo os Riscos

O risco geral de uma mulher de doença cardíaca ou derrame é determinado por todos os seus fatores de risco.

  • Os fatores de risco que a mulher pode controlar incluem tabagismo, pressão alta, colesterol alto, diabetes, inatividade física e obesidade.
  • Os fatores de risco que ela não pode controlar incluem idade, sexo, histórico familiar e etnia.


O primeiro passo para prevenir e reduzir o risco de doenças cardíacas é conversar com seu médico, ou com qualquer cardiologista, sobre o seu risco. Isso, contudo, desde que ele esteja bem informado sobre as diferenças sexuais vis-a-vis o risco cardíaco. Há evidências de que nem todos estão a par. Custa nada perguntar antes da consulta.

O que você provavelmente ouvirá não será novidade, infelizmente.

Fazer mudanças saudáveis para o coração em sua vida:

  • Tornar-se e permanecer livre de fumo.
  • Alcançar e manter um peso corporal saudável.
  • Ser fisicamente ativa por pelo menos 150 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada a vigorosa por semana, em períodos de 10 minutos ou mais.
  • Manter uma pressão sanguínea saudável através de mudanças no estilo de vida (como aumento da atividade física) e quando necessário através de medicamentos.
  • Comer uma dieta saudável, com menos gordura, mais fibras e incluindo alimentos de cada um dos quatro grupos de alimentos.
  • Uso de medicamentos para reduzir o risco de doença cardíaca e derrame, conforme prescrito pelo seu médico. Por exemplo, medicamentos para pressão alta, colesterol alto e diabetes ou outros medicamentos como o ácido acetilsalicílico (aspirina).


Fique atento(a) ao lançamento do ebook “O Paradoxo de Eva” nas próximas semanas.

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