Covid-19 pelo mundo afora: 04-10-20

Covid-19 pelo mundo afora: 04-10-20
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Eis o segundo post originário do Boletim COVID-19, enviado aos visitantes assíduos do blog todo sábado. Ele difere de outras sínteses semanais veiculadas sobre a pandemia pela internet no Brasil. A intenção é mostrar os destaques da pandemia no mundo, pressupondo que sobre o que ela mostra por aqui, você já está bem informado.

A pressa (da Pfizer) é inimiga da perfeição (da vacina anti-Covid-19).

“Neste momento, nosso modelo – nosso melhor caso – prevê que teremos uma resposta até o final de outubro”, disse o CEO da Pfizer, Dr. Albert Bourla, no início de setembro. Um pedido de autorização de emergência poderia, então, ser apresentado “imediatamente”. Os cientistas pelo geral discordam. Mesmo que a vacina mostre sinais promissores em testes clínicos – ainda um grande “se” – a empresa não terá coletado dados suficientes até então para dizer com qualquer confiança estatística que é segura e eficaz.

Curiosidades indianas.

Um estudo ambicioso de quase 85.000 casos e quase 600.000 de seus contatos, publicado na quarta-feira na revista Science, oferece informações importantes não apenas para a Índia, mas para outros países de renda baixa e média.

Entre as surpresas: a mediana de permanência no hospital antes da morte de Covid-19, foi de cinco dias na Índia, em comparação com duas semanas nos Estados Unidos, possivelmente devido ao acesso limitado a cuidados de qualidade. E a tendência de aumento de mortes com a idade parecia diminuir após os 65 anos – talvez porque os indianos que vivem além dessa idade tendem a ser relativamente ricos e ter acesso a bons cuidados de saúde.

O estudo de rastreamento de contato também descobriu que crianças de todas as idades podem ser infectadas com o coronavírus e disseminá-lo para outras pessoas – oferecendo evidências convincentes sobre uma das questões mais controversas sobre o vírus.

E o relatório confirmou, como outros estudos, que um pequeno número de pessoas é responsável por disseminar a grande maioria das novas infecções.

Felinos em perigo

Um novo experimento confirmou que os gatos podem transmitir o vírus uns aos outros e descobriu que os cães não fazem isso. Ainda não há evidências conclusivas de que animais de estimação transmitam o novo coronavírus aos humanos.

Que tal umas férias na Áustria para esquecer a quarentena?

Pelo menos 27 turistas morreram após contrair o vírus em Ischgl, St. Anton e cidades vizinhas. Mais de 11.000 europeus foram infectados na Áustria, muitos deles em Ischgl e resorts adjacentes. Os austríacos sabiam no final de fevereiro e início de março que o coronavírus estava se espalhando nas proximidades do norte da Itália e através da outra fronteira na Alemanha, mas ninguém ficou alarmado. As autoridades do país minimizaram as preocupações à medida que os turistas lotavam os teleféricos durante o dia e os bares pós-esqui à noite. Em seguida, todos foram para casa, sem querer levando o vírus com eles. Infectados em Ischgl (pronuncia-se “ISH-gul”) ou nas aldeias vizinhas, milhares de esquiadores transportaram o coronavírus para mais de 40 países em cinco continentes. Muitos dos primeiros casos conhecidos da Islândia foram rastreados até Ischgl. Em março, quase metade dos casos na Noruega estavam relacionados a férias de esqui na Áustria.

Lembremos que quando o coronavírus surgiu na China em janeiro, a Organização Mundial da Saúde não vacilou em seu conselho: não restrinja as viagens. Agora, registros de saúde pública, dezenas de estudos científicos e entrevistas com mais de duas dezenas de especialistas mostram que a política de viagens desobstruídas nunca foi baseada em ciência. Foi uma decisão política, reformulada como conselho de saúde, que surgiu após um surto de peste na Índia nos anos 1990. Na época em que Covid-19 apareceu, havia se tornado uma regra de fé.

Ischgl recebe todo ano 300.000 turistas de 36 países.

Brasil entra em estágio desacelerado da Covid-19 pela primeira vez.

Definitivamente, Deus só pode ser brasileiro.

O Brasil tem dirigentes negacionistas, nunca centralizou o combate à pandemia, praticou uma quarentena meia-boca, teve e tem capacidade de testagem e de rastreamento de contato irrisória, está longe de atingir imunidade de rebanho, careceu e carece de uma comunicação governamental convincente à população sobre a necessidade de evitar aglomerações e as aceita, as aglomerações, tranquilamente onde e quando elas ocorrem.

E no entanto, a pandemia é declarada (pela Folha) “em desaceleração” enquanto na Europa ela revive e na América do Norte se mantém. Vai entender.

A Via Crucis dos que se curaram pero no mucho

Perda de cabelo. Problemas de memória. Erupções cutâneas estranhas. Enquanto os especialistas lutam para entender a Covid-19, alguns pacientes relatam uma grande variedade de sintomas que estão fora das listas oficiais emitidas pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA e outras autoridades de saúde importantes. Alguns dos sintomas persistem por meses.

Fique sabendo…

A proteína do coronavírus se transforma em 10 formas diferentes para invadir as células. Pode ser uma boa notícia. Essas mudanças expõem mais superfícies para serem potencialmente alvo de terapêutica.

Convém segurar o entusiasmo com relação a imunidade de quem se cura da Covid-19

Em um novo estudo, publicado em 14 de setembro na revista Nature Medicine, os cientistas monitoraram 10 indivíduos por mais de 35 anos para determinar com que frequência eles foram infectados com os quatro coronavírus sazonais conhecidos. Como esses vírus – conhecidos como HCoV-NL63, HCoV-229E, HCoV-OC43 e HCoV-HKU1 – causam sintomas leves de resfriado comum ou nenhum sintoma, a equipe periodicamente examinou o sangue dos participantes em busca de anticorpos para detectar novos casos de infecção.

“Os novos dados mostram que a imunidade a outros coronavírus tende a ter vida curta, com reinfecções acontecendo com bastante frequência cerca de 12 meses depois e, em alguns casos, até mais cedo”, disse o Dr. Francis Collins, diretor do National Institutes of Health (NIH). Em alguns casos, as reinfecções ocorreram até seis meses e nove meses após uma infecção anterior, descobriram os autores do estudo.

Mais um! Estudo revela que hidroxicloroquina não previne COVID-19.

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia estudaram 125 profissionais de saúde que tomaram hidroxicloroquina ou um placebo por oito semanas. Oito deles – quatro com o medicamento antimalárico, quatro com um placebo – tiveram resultados positivos para Covid-19, todos assintomáticos ou com sintomas leves. Suas descobertas foram publicadas na quarta-feira no jornal JAMA Internal Medicine.

Era uma ideia.

Durante meses, especialistas em saúde pública de vários países observaram ansiosamente as empresas desenvolvendo testes de saliva para o coronavírus que poderiam ser usados em casa, produzindo resultados em questão de minutos. Se esses testes rápidos de saliva funcionassem, eles poderiam expandir muito o número de pessoas testadas. Alguns até disseram que eles poderiam ter um desempenho tão bom quanto uma vacina para conter a disseminação do coronavírus. Mas, até agora a tecnologia não deu certo. E25Bio e OraSure, duas empresas que buscam testes caseiros rápidos de coronavírus, abandonaram os esforços para usar saliva em seus produtos. O mercado agora irá se concentrar nos testes nasais.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

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