Covid-19 pelo mundo afora: 10-11-20

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Enquanto a ANVISA manda parar estudos da vacina Coronavac/Butantã/Dória, a vacina da Pfizer ocupa toda a atenção da mídia mundial. O The New York Times publicou nesta terça-feira (10/11), um resumo do que convém saber de imediato sobre essa vacina, nos Estados Unidos. Além de resumir esse resumo, eu adicionei outras informações relevantes, recém publicadas na União Europeia e no Reino Unido.

A VACINA DA PFIZER: TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE ELA

A informação sobre a vacina da Pfizer é útil para nós no Brasil, mas não porque o governo brasileiro estaria negociando com a Pfizer trazer a vacina para cá. O argumento de que isso é garantido porque a vacina está sendo testada em 3.100 voluntários nos Estados de São Paulo e da Bahia é ingênuo. Assim como a certeza de que ela seria importada para o Brasil das fábricas da Pfizer nos Estados Unidos e na Europa.

A Pfizer e a BioNTech já firmaram acordos de compra antecipada de 100 milhões de doses com os EUA e o dobro com a União Europeia, com opções para mais. Isso, fora o Japão e o Reino Unido.

  • União Europeia, 200 milhões de doses (opção: 100 milhões). A UE emprestou € 100 milhões ($ 117 milhões) para a BioNTech testar a vacina em humanos. A UE tem um fundo de emergência de € 2,7 bilhões (US $ 3,2 bilhões) para comprar doses em massa para todos os seus membros e ajudar a subsidiar os custos para desenvolvedores em troca de doses.
  • Japão, 120 milhões de doses.
  • EUA, 100 milhões de doses (opção: 500 milhões). As empresas têm um contrato de US $ 1,95 bilhão com o governo dos EUA para entregar 100 milhões de doses de vacina a partir deste ano.
  • Reino Unido, 30 milhões de doses.


A BioNTech já negocia também com a Shanghai Fosun Pharmaceutical Group Co. para levar a vacina –  a fabricação, inclusive – para a China.

O consórcio Pfizer-BioNtech pode produzir somente o suficiente para inocular 25 milhões de pessoas este ano, menos de um terço da população da Alemanha, onde a BioNTech está sediada.

Os parceiros esperam aumentar a produção significativamente somente em 2021, com capacidade para até 1,3 bilhão de doses. Mas a maior parte disso se esgotaria se os EUA e a UE exercessem suas opções.

Garantido, então, é que a oferta para atender todos esses contratos ficará muito aquém no início.

Por isso, a fabricação inicial nos EUA já começou na fábrica da Pfizer no condado de Kalamazoo, enquanto o fornecimento geral está sendo preparado em Andover, Massachusetts e Chesterfield, Missouri.

Desafios logísticos também podem afetar as perspectivas dos parceiros. A vacina da Pfizer requer congelamento extremo para armazenamento de longo prazo, o que pode complicar a distribuição, embora possa permanecer em temperaturas de geladeira por pelo menos cinco dias. (Eis um dos motivos pelos quais a sua distribuição em países como Brasil é mais complicada do que parece.) Outros entraves na linha de fabricação, estão sendo resolvidos a toque de caixa. Por exemplo, a Pfizer e a BioNTech contrataram a Rentschler Biopharma, uma empresa alemã, para lidar com o processo de purificação da vacina antes de ser engarrafada.

Até o momento, a postura da comunidade científica é cautelosa:

Bernd Salzberger, chefe de Infectiologia do Hospital Universitário de Regensburg, na Alemanha, disse: “Embora apenas alguns eventos – um total de 94 casos – tenham sido observados no estudo até agora, este é um resultado muito bom. Nenhum efeito colateral sério foi observado – em geral um resultado muito positivo, o que provavelmente levará a uma aprovação antecipada.”

Marylyn Addo, chefe de medicina tropical do University Medical Center Eppendorf em Hamburgo, Alemanha, foi mais cautelosa, dizendo: “Os dados primários ainda não estão disponíveis e uma publicação revisada por pares ainda está pendente. Ainda temos que esperar pelos dados exatos antes podemos fazer uma avaliação final.”

Mesmo depois que uma vacina foi lançada, é fundamental monitorar a segurança e eficácia das vacinas”, disse Naor Bar Zeev, vice-diretor do Centro Internacional de Acesso a Vacinas da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, nos Estados Unidos.

Nunca há certeza. Esta vigilância contínua é às vezes referida como ‘Fase 4’ nos ensaios clínicos – e pode levar muitos anos.”

Quem é a BioNTech?

A BioNTech, a pequena empresa de biotecnologia que deu origem à vacina, foi fundada por dois cientistas alemães casados, Uğur Şahin e Özlem Türeci, ambos filhos de pais imigrantes turcos, e o oncologista austríaco Christopher Huber. Ela originalmente se propôs a desenvolver novos tipos de imunoterapia para o câncer, mas concentrou suas capacidades na corrida por uma vacina Covid-19.

A vacina da Pfizer em 2 minutos.

A seguir, os principais destaques da matéria intitulada “A Vacina Covid da Pfizer: 11 coisas que você precisa saber”, de autoria de Carl Zimmer e Katie Thomas, publicada hoje pelo The New York Times.

O que os cientistas descobriram?

Em julho, metade dos voluntários recebeu a vacina, enquanto a outra metade recebeu um placebo de água salgada. As empresas então esperaram que as pessoas ficassem doentes para determinar se a vacina oferecia alguma proteção. Até agora, 94 participantes de quase 44.000 adoeceram com Covid-19. Um conselho independente de especialistas analisou os resultados e sugeriu que a vacina é mais de 90% eficaz.

É um bom resultado?

O FDA (Food and Drug Administration) americano estabeleceu uma barreira de 50% de eficácia para os fabricantes de vacinas (para autorização de emergência). A vacina é muito mais protetora do que isso. Comparando: vacinas contra influenza são de 40 a 60% eficazes, na melhor das hipóteses, porque o vírus da influenza continua evoluindo para novas formas ano após ano. Em contraste, duas doses da vacina contra o sarampo são 97% eficazes.

A vacina é segura?

Até agora, quatro versões da vacina foram testadas e foi selecionada aquela que produziu o menor número de casos de efeitos colaterais leves e moderados, como febre e fadiga.

Quem receberá a nova vacina primeiro?

A empresa promete disponibilizar nos EUA, entre 30 e 40 milhões de doses da vacina antes do final do ano. O suficiente para 15 a 20 milhões de pessoas receber uma injeção inicial e um reforço três semanas depois. Os grupos com maior risco de infecção ou mais vulneráveis ao vírus provavelmente terão prioridade. Isso pode incluir profissionais de saúde, bem como adultos mais velhos e aqueles que têm fatores de risco como obesidade ou diabetes.

Quando o público em geral poderá obtê-la?

A Pfizer solicitará autorização de emergência na terceira semana de novembro. Pode levar semanas para analisar dados detalhados sobre a segurança, eficácia da vacina e a capacidade das empresas de fabricar milhões de doses com segurança. A vacina pode ser autorizada para determinadas populações de alto risco antes do final do ano.

O que resta fazer no ensaio clínico?

O julgamento continuará até atingir 164 casos de Covid-19. Nesse ponto, o estudo estará concluído e os resultados analisados.Embora os resultados preliminares ofereçam evidências convincentes de que a vacina é eficaz, eles não nos dizem com certeza quão eficaz ela é. Dados preliminares, todavia, indicam que a eficácia deve ser muito alta.

Funcionará em pessoas mais velhas?

Os novos resultados também não nos dizem isso. O ensaio clínico da Pfizer e da BioNTech inclui pessoas com mais de 65 anos, portanto, eventualmente, fornecerá essas informações cruciais. Com evidências preliminares fortes, é possível que elas ainda consigam uma proteção forte da vacina.

E as crianças?

O teste conduzido pela Pfizer e BioNTech inicialmente foi aberto a pessoas com 18 anos ou mais, mas em setembro eles começaram a incluir adolescentes a partir dos 16 anos. No mês passado, eles lançaram um novo teste em crianças a partir de 12 anos e planejam trabalhar com idades ainda menores.

Podemos parar de usar máscaras agora?

Certamente, não. Ainda não se sabe se uma vacina impedirá a disseminação assintomática do vírus ou até que ponto ela impedirá que as pessoas desenvolvam Covid-19 grave. Também ignora-se quanto tempo mais, além dos 28 dias comprovados no ensaio clínico, a vacina pode proteger após aplicada.

Resumindo,

  • A notícia ainda é preliminar e há muito que ainda não se sabe sobre o quão bem a vacina funciona, nem por quanto tempo.
  • Mesmo que a vacina seja autorizada em um ou dois meses, ela não estará disponível para quem a desejar até o próximo ano.
  • Mesmo quando a vacina estiver amplamente disponível, medidas adicionais como máscaras ainda serão necessárias.

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