Covid-19 pelo mundo afora: 11-10-20

Covid-19 pelo mundo afora: 11-10-20
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Eis o terceiro post originário do Boletim COVID-19, enviado aos visitantes assíduos do blog todo sábado. A intenção é mostrar os destaques da pandemia no mundo, e sobre isso, a semana deu muito o que falar.

Adultos jovens estão espalhando o vírus para pessoas mais velhas e vulneráveis. Nos EUA, relaxe.

O verão americano viu a proporção de jovens adultos (18-25 anos) atingir mais de 20% de todos os casos de Covid-19 confirmados. Esses jovens também podem ter semeado ondas de novas infecções entre os americanos de meia-idade e depois em americanos mais velhos – sucessivamente. E as coisas tendem a piorar porque os campi universitários se tornaram uma ameaça. Havia mais de 88.000 infectados com a Covid-19 em cerca de 1.200 campi no início de setembro.

Cuidado com as palavras. E com os testes. Ou vice-versa.

O “inquérito sorológico” praticado pela Prefeitura de São Paulo é um programa de testagem em massa que usa o teste da picadinha no dedo – ou teste rápido. O nome pomposo deve ter sido adotado para fugir de jornalistas chatos alegando, corretamente aliás, que esse tipo de teste é pródigo em falsos negativos e falsos positivos, e nenhum laboratório decente, em nenhum país do mundo, o oferece a particulares. Ele serve, sim, para pautar políticas sanitárias – como é o caso da prefeitura mencionada.

O que a mim intriga é que a Prefeitura aplica o teste em VOCÊ e se compromete, por escrito, a lhe comunicar SEUS resultados. E será que ao mesmo tempo ela irá deixar claro a VOCÊ que esses resultados, bons ou ruins, não são de todo confiáveis no SEU caso particular? E que não dizem se você está com o vírus, e sim, se já esteve? (Se os resultados forem ruins deveria entregar também um Valium para VOCÊ se acalmar… mas é só uma ideia.)

Surreal: a ciência detonando a política. A primeira vez desde 1812.

Há meses, The Lancet, uma das revistas médicas mais antigas e respeitadas do mundo vem criticando a “resposta nacional inconsistente e incoerente” do presidente Donald Trump à nova pandemia de coronavírus. Um editorial não assinado concluiu em maio que Trump deveria ser substituído. “Os americanos devem colocar um presidente na Casa Branca em janeiro de 2021, que vai entender que a saúde pública não deve ser guiada por políticas partidárias”, disse o jornal, que foi fundado na Grã-Bretanha em 1823.

Agora foi a vez do New England Journal of Medicine, uma espécie de The Lancet americano fundado em 1812 e que também desfruta de prestígio mundial. Em editorial assinado por 34 editores que são cidadãos dos Estados Unidos (um editor não é) e publicado na quarta-feira, o jornal disse que a administração Trump respondeu tão mal à pandemia de coronavírus que “tomaram uma crise e a transformaram em uma tragédia.”

Remdesivir para o tratamento de Covid-19 – Relatório final.

Uma das coisas mais assustadoras da Covid-19 é que nenhum agente antiviral ainda se mostrou eficaz para contê-la no organismo humano. Mas agora um ensaio clínico duplo-cego, randomizado e controlado por placebo que abrangeu 1062 pacientes com Covid-19 e com evidência de infecção do trato respiratório inferior, traz novas esperanças.

Eles receberam Remdesivir intravenoso ou placebo, e o primeiro superou o segundo na redução do tempo de recuperação. Aqueles que receberam Remdesivir se recuperaram em 10 dias, em comparação com 15 dias entre aqueles que receberam placebo. As estimativas de mortalidade foram de 6,7% com Remdesivir e 11,9% com placebo no dia 15, e de 11,4% com Remdesivir e 15,2% com placebo no dia 29.

A COVID-19 pelo mundo afora.

Os números da Covid-19 publicados diariamente pela Turquia agora excluem o número de pessoas com teste positivo, mas sem sintomas. Os números devem se referir apenas a “pacientes” – ou seja, aqueles que exibem sintomas de coronavírus.

A colega peruana fez o mesmo há um mês: eliminar os assintomáticos das estatísticas oficiais mesmo sabendo que estes podem espalhar o vírus.

Equivale a tapar o sol com a peneira: atualmente é claro que os assintomáticos são entre 1/3 e 2/5 dos infectados e podem transmitir o novo coronavírus a outras pessoas.

Madrid continua em confronto com o governo central da Espanha após este declarar Estado de Emergência na região e impor restrições anti-Covid-19. Elas incluem limites para reuniões sociais e horários de abertura de lojas e viagens indo e/ou vindo de cidades com uma taxa de infecção de 500 casos por 100.000 residentes durante duas semanas.

Berlim impõe toque de recolher para conter propagação da Covid-19 a partir de sábado, 10/10. Outras cidades, como Colônia e Frankfurt, já determinaram medidas similares.

A Europa, que agora está relatando mais casos de Covid-19 do que Estados Unidos, Brasil e Índia, está lutando para conter a segunda onda. A Organização Mundial da Saúde registrou 338.779 novos casos globalmente ontem, o maior número desde o início da pandemia.

Nos EUA, a pandemia está em “alça livre”, ou seja, rumo a estratosfera. A maioria dos estados está indo para a fase vermelha e desativando medidas de flexibilização. Quinta-feira, foi o dia com maior número de infectados (57.834l) nos últimos dois meses. A taxa de positividade em estados importantes está beirando os 20%. (Para se ter uma ideia da gravidade disso, a Organização Mundial da Saúde recomendou em maio manter esse percentual positivo abaixo de 5% por pelo menos duas semanas antes que os governos considerassem a reabertura.)

Mesmo Covid-19 “leve” pode ser uma doença longa e desafiadora.

Poucas horas depois de Trump ter confirmado que tinha Covid-19, seus sintomas foram descritos como leves. Após a alta, ele ainda tosse (e não se sabe se tem febre). E a Covid-19 é conhecida por mudar de um dia para outro.

Todas as infecções por coronavírus começam leves, e a maioria – cerca de 80% – permanece assim. A infecção leve, porém, é uma descrição vaga e muito ampla que captura uma série de sintomas possíveis. Até mesmo um caso leve pode ser demorado e desconfortável.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

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