A dor crônica nas costas é mesmo uma epidemia?

A dor crônica nas costas é mesmo uma epidemia?

Em 1977, um desconhecido médico americano denunciou que a dor nas costas já era uma epidemia na América. Quarenta anos depois (2013), dados do World Bank and World Health Organization’s Study of the Global Burden of Disease (GBD) confirmaram a denúncia, mas agora para todo o mundo: o número de anos de incapacidade é monumental e cresce sem parar, sendo que a dor crônica nas costas é um fator nisso.

”O que está acontecendo com a minha região lombar quando acordo de manhã? Eu apenas sinto mudanças. E eu definitivamente estou com medo de envelhecer.”

Jessica Biel

Conheça os dados:

  • No Reino Unido, onde a metade da população vive com dor crônica, a dor nas costas é a maior causa de incapacidade; relacionado a isso há também o crescimento expressivo de cirurgias espinhais cuja taxa de sucesso, aliás, é quase a mesma de tirar cara ou coroa.
  • Canadá? Num semestre, 5 em 10 cidadãos sofrem de dor nas costas, e quase 9 em 10 esperam sofrê-la ao longo da vida.
  • Pior é na Alemanha onde, num ano, a taxa de prevalência da dor nas costas é de 70%.
  • Na Austrália, onde os dados são um pouco melhores, mesmo assim 3,7 milhões de australianos (16% da população) sofrem de dor nas costas, e entre 70-90% deles irão conhecê-la enquanto vivam.
  • Nos EUA, um terço da população sofre de dor crônica, e um terço dessa parcela é creditada à dor lombar (aprox. 31 milhões). E o problema irá crescer nos próximos dez anos, quando o número de idosos (acima de 65 anos) atingir 20% da população.
  • E o Brasil? Por aqui 37% da população, principalmente mulheres “… sente uma dor forte o suficiente para atrapalhar as atividades cotidianas”. Puxando a fila estão as dores de coluna, especialmente nas regiões lombar e cervical.


Porém, voltemos aquele médico. Num dos livros que ele conseguiu publicar – nenhuma das grandes editoras o apoiou pelo que você vai ver em seguida – aponta a dor nas costas ser

“… a principal causa da abstenção do trabalho (nos EUA), e a segunda causa de visitas ao médico, superado apenas por infecções respiratórias.

Tudo isso aconteceu nos últimos trinta anos. Por quê? É porque, depois de vários milhares de anos de evolução, as costas dos americanos subitamente se tornaram incompetentes? Por que tantas pessoas são propensas a uma lesão nas costas? E por que a medicina se mostrou ineficaz para lidar com essa epidemia?”

Healing Back Pain

E noutro dos seus livros o Dr. Sarno responde:

“A medicina americana violou uma das suas admoestações médicas mais fundamentais: não faça o mal. Na verdade, ela causou enormes danos. Ao diagnosticar erroneamente a causa da dor, garante que, mesmo que o paciente experimente um alívio da dor devido a uma reação de placebo, a dor retornará ao mesmo ou a algum outro local ou, seguindo o princípio do sintoma, outro transtorno físico ocupará o seu lugar. De modo algum o paciente foi curado.”

The Divided Mind

“Na sua cegueira, a medicina moderna aumentou a tendência das síndromes da dor de se espalhar de forma epidêmica. Introduziu uma variedade de tratamentos ineficazes, alguns deles extremamente caros, colocando grandes encargos em cima do governo e (do sistema de saúde) privado”.

The Divided Mind

Por trás desses comentários jaz uma convicção: a causa da dor crônica nas costas é muito mais psicossocial do que física. Portanto, se você insiste em tratar essa dor como se ela fosse uma dor aguda – o que a maioria dos médicos e fisioterapeutas ainda fazem por ser o único que aprenderam nas faculdades onde estudaram – após muito tempo e dinheiro gasto em consultas, viagens, remédios e shamans, com toda certeza você vai chegar a lugar nenhum.

Se o caro leitor quiser saber mais sobre o Dr. John Sarno e sua obra, assista essa entrevista concedida por ele ao jornalista Jorge Pontual, da GloboNews, pouco antes de seu falecimento em 2017, aos 93 anos.



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