Dor crônica news: vem aí a indústria do placebo

Dor crônica news: vem aí a indústria do placebo

Um trabalho de pesquisa destacado em recente relatório da BBC, o paciente que tomou os remédios relatou uma redução de 35% na dor, mas apenas 17% foram atribuídos às drogas, porque o placebo chegou a 18%. O que será que o “efeito placebo” representa para a indústria farmacêutica?

“Você é capaz de responder a um placebo. É teu corpo pregando uma peça na tua mente. Ora, não se pode confiar em você.”

Ben Goldacre
A analgesia via placebo (placebo analgesia) – o alívio da dor provocado por uma substância inerte, como um comprimido de açúcar tem sido constatado inúmeras vezes na prática clínica, assim como pesquisadores da dor na neurociência têm registrado via fMRI (functional magnetic Ressonance Imaging) a resposta placebo nas vias neurais do cérebro.

Atualmente, o tema “placebo” é da maior importância por vários motivos:

  • o poder analgésico do placebo já é reconhecido pela ciência – é uma mentira cujo crédito gera alívio para a dor e ponto final. Se aquilo não é real, ao paciente com dor isso pouco importa;
  • o efeito placebo pode ser amplificado, reforçando a sua confiabilidade e alcance.

“Quanto maior e mais dramático o paciente percebe a intervenção, maior o efeito placebo. As grandes pílulas têm mais efeito que as pequenas pílulas, as injeções têm mais efeito que as pílulas e a cirurgia tem o maior efeito de todos.”

  • o placebo não é uma droga e dispensa os efeitos colaterais das mesmas;
  • o placebo é barato, ele é produzido pelo próprio organismo; e
  • se santificado pelo establishment médico, o uso do placebo estaria ao alcance de todos os profissionais da saúde – um cardiologista renomado pode gerar o “efeito placebo” apenas com palavras; um fisioterapeuta, com uma sessão de acupuntura sem agulhas; ou uma enfermeira, com um comprimido de açúcar…

Até um ou dois anos atrás o efeito placebo foi uma consideração importante para a indústria farmacêutica ao projetar estudos sobre drogas no intuito de obter aprovação do Federal Drug Administration FDA, sem a qual a comercialização é proibida. Todo mundo nessa indústria sabia que o placebo muitas vezes rivalizava com o efeito das drogas testadas. Após a constatação do seu alcance terapêutico, a coisa mudou: o cartoon acima começa a se aproximar da realidade. E se o “efeito placebo” for comercialmente viável? Atraente ele já é, produzi-lo deve custar menos que produzir uma droga de zero, então por que não vendê-lo – na forma que for – nas farmácias?

A possibilidade levanta a questão do uso ético dos placebos, à luz da Declaração de Helsinque de 1964, feita pela World Medical Association sobre os princípios éticos que devem nortear a pesquisa médica envolvendo sujeitos humanos.

E o que você acha? Vai um placebo aí?

Novo post Placebo na próxima semana.

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