Dor na mulher. Participe e faça história.

Dor na mulher. Participe e faça história.
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Você já deve ter participado de muitas pesquisas de opinião, sobre isso e aquilo. Gostaria de convidá-la a participar em mais uma, enquanto paciente portadora de uma dor crônica – se for o caso. Mais especificamente, o convite é para opinar sobre o atendimento médico recebido nessa condição.

E como você talvez não goste de preencher questionários, de dedicar tempo a assuntos que não lhe dizem respeito – cá entre nós, somos dois – eu aqui vou tentar motivá-la contando como foi que me ocorreu pesquisar esse tema. Uma pesquisa nacional online, aliás, a ser realizada em parceria com uma faculdade de medicina paulista.

Toda semana este blog publica dois posts da minha autoria e dois artigos selecionados da mídia científica. Eis uma meta inegociável. Para atingi-la é preciso ler bastante sobre tudo o que é publicado no mundo sobre dor crônica. Nessa toada, é inevitável perceber obviedades surpreendentes: a prevalência da mulher na maioria das principais dores crônicas, por exemplo. E que a medicina (a pesquisa e a farmacologia, principalmente), não reflete esse peso relativo.

Na época, há mais de um ano, aquilo foi suficiente para escrever um e-book sobre as dores femininas. No ensejo, todavia, a leitura constante me mostrou algo mais: a existência de um tratamento assimétrico dado pelo sistema de saúde não só às dores, mas também às doenças femininas.

A pesquisas farmacológicas estariam baseadas em dados predominantemente masculinos, a mulher seria discriminada nas unidades de Pronto Socorro, diagnosticada com atraso, levada pouco a sério ao se queixar de dores aos médicos… o que geraria nela distúrbios psicológicos impedindo o alívio ou a recuperação, além de causar mais dor e até a morte prematura.

E essas informações não vinham do Iêmen, da Botswana ou do Haiti, mas do Canadá, Noruega, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos. E os que se responsabilizavam por elas eram cientistas e médicos respeitados pela academia, colunistas nos melhores jornais do mundo ocidental, editores das revistas científicas de primeira linha, autores de best sellers e ativistas do movimento em prol dos direitos femininos.

E no Brasil? Nada. Nada vezes nada.

Isso me intrigou. Ora, um movimento quase universal em que o Brasil é omisso?

Fiz uma enquete despretensiosa entre as visitantes do blog. Perguntei se, em sendo as dores na mulher mais severas, frequentes e de maior duração que no homem, isso se deveria a razões apenas biológicas, ou também à maneira, mais leviana e menos agressiva, com que as dores femininas eram tratadas. Dois terços das 437 respondentes concordaram. Uma proporção contundente. Embora sem qualquer valor científico, a constatação me animou a escrever O Paradoxo de EVA, e depois, a pesquisar seriamente o tema mais a fundo. É o que faremos junto com a Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ-SP).

O projeto de pesquisa, intitulado “Percepção do Atendimento Médico Prestado às Mulheres com Dor Crônica”, foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), ligada ao Ministério da Saúde, e consta de duas partes. No ambulatório do hospital que a faculdade possui, 273 mulheres com dor crônica serão entrevistadas por acadêmicos da casa, sob a supervisão da Dra. Ana Carolina Marchesini de Camargo, mestre e doutora em Medicina pela Universidade de São Paulo. Ao blog, ou seja, a mim, cabe conduzir uma pesquisa online de alcance nacional.

É aí que você entra. Em não mais de 10 minutos você pode ajudar a fazer história no estudo da dor na mulher no Brasil.

Finalizando, a empreitada é filantrópica e poderá alimentar muitas publicações acadêmicas – uma acadêmica/entrevistadora da faculdade fará a sua tese com base na pesquisa. Os resultados da pesquisa online eu me comprometo a enviar a todas as respondentes que registrarem o seu e-mail (é opcional).

E para não dizer que não falei das flores, há um prêmio à espera de quem preencher o questionário. Quer saber de que se trata? Clique aqui.

Participe e responda a pesquisa agora mesmo, clicando aqui.

E veja o vídeo que explica o projeto:

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

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