Dor no pós operatório – a ferida é a culpada?

Dor no pós operatório – a ferida é a culpada?

De que depende a reação dolorida no pós-operatório? Isso é o que atualmente ocupa a atenção de muitos cientistas da dor, e no íntimo, de todo anestesista.

“A enfermeira veio ao quarto e nos disse que a minha cirurgia tinha sido adiada para as 13:00 horas. O meu marido perguntou o motivo. ‘É que a cirurgia dela não está na lista das prioritárias’ – ela respondeu”.

Relato de uma paciente
A dor pós-operatória é coisa garantida. Até o mais desavisado ou otimista dos pacientes sabe, ou intui, que irá sentir dor após a cirurgia. Muita ou pouca, isso ele ignora, o que aumenta a incerteza – e incerteza, sabemos, produz estresse, que por sua vez funciona como coadjuvante na produção de dor. (Fora isso, dependendo do tipo de operação, a dor pós-operatória tem chances maiores ou menores de se transformar em dor crônica. Sempre.)

Porém, de que depende a reação dolorida? Isso é o que atualmente ocupa a atenção de muitos cientistas da dor, e no íntimo, de todo anestesista.

E não está fácil. Alguns estudos indicam o óbvio, que a dor pós-operatória está associada com a dor pré-operatória, com o tipo de procedimento que você teve (a sua complexidade, tamanho, local etc.), e também e com quão saudável você estava antes de ir para a sala de cirurgia. Mas há surpresas.

Dependendo do tratamento da dor recebido, em muitos procedimentos cirúrgicos o tamanho da incisão e a extensão do trauma tecidual não está relacionado à intensidade da dor pós-operatória.

“Eu não sou de me gabar, porém hoje consegui descer da cama!”

Paciente no pós-operatório
Pesquisadores da Universidade Medical Center Utrecht, na Holanda ranquearam a “resposta dolorida” (pain response) de 50.199 pacientes que passaram por 179 tipos de cirurgia. E para o seu espanto constataram que cirurgias menores como retirada do apêndice (apendicectomia) e das amígdalas (amigdalectomia) ficaram bem alto no ranking de dor, ao lado de procedimentos maiores normalmente muito doloridos, como cirurgias da espinha (nas posições 2, 3, e 6 no ranking).

Isto é, intervenções cirúrgicas menores foram mais dolorosas que outras muito maiores – e vice-versa. Talvez qualquer médico anestesista possa explicar isso, mas nós, os leigos, temos o direito de nos surpreender.

E como os autores do estudo explicaram aquilo?

“O motivo mais provável … é que pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos …menos dolorosos receberam alívio inadequado da dor. Em contraste, pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos altamente dolorosos receberam terapia analgésica mais agressiva”.

Devemos entender, então, que as diferenças em percepção de dor devem-se a dose de analgésicos recebida? Pode ser, mas com três cirurgias no corpo, eu receio que essa explicação – os anestesistas que me desculpem – é insuficiente.

Interessado numa segunda opinião? Então leia a continuação desse post.

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