Doutor: que tal melhorar a sua comunicação comigo?

Doutor: que tal melhorar a sua comunicação comigo?

Quase tudo o que um paciente sabe sobre sua dor crônica – possíveis causas e possíveis efeitos sobre a vida no presente e no futuro – é o médico que dá a entender. Como ele faz isso, com que afeto, clareza e foco… influencia demais a adesão ao tratamento. Se você concordar comigo, leia sobre o que proponho para o médico se ajudar em tão delicada missão.

A próxima quarta feira é o Dia do Médico. Talvez seja uma boa ideia presenteá-lo de alguma forma. Como um amigo dos tempos do colégio hoje deputado, ou cunhado rico, convém ter o médico bem atendido em datas especiais.

Então, que presente poderia ser esse? Algo que, de preferência, beneficie você também. Vejamos,

Um relógio alarme para ajudar o dito cujo a não atrasar nas consultas? Um iphone para falar com Deus? Não, isso ele já tem. (E pensando melhor, alguns podem até se ofender – afinal, como assim?… falar consigo mesmos? Eles não são o Próprio?)

E que tal um ebook?

Pense comigo. Quantas vezes você saiu de uma consulta médica algo perplexo? Com a sensação de não ter esclarecido suas dúvidas, ou angústias, sobre uma dor que o persegue há anos? Ou sobre a doença que poderia estar por trás disso?

Eu, muitas vezes. E se você não for muito chegado no autoengano, algumas vezes também.

Bem, o ebook que eu tenho em mente poderia ajudar o médico a ajudar você a resolver isso. Ele contém uma dúzia de recursos de comunicação interpessoais. Usados, todos eles, profissionalmente, por pessoas que ganham a vida convencendo outras de algo. Desde pastores da Igreja Universal a CEO’s de multinacionais, passando por publicitários, marqueteiros, empreendedores, consultoras da Natura etc.

Estou falando de analogias, metáforas, anedotas, imagens, cartoons, flyers, infográficos, vídeos, e outros tantos subterfúgios úteis para ilustrar exposições pessoais. Eles também “funcionam” para efeitos da educação de pacientes em dor. Estão na moda, aliás. A publicação sobre a dor e seu gerenciamento mais famosa, no mundo – Explain Pain – é pródiga em… cartoons. E se algum dos adoradores do culto da Medicina Baseada em Evidências vier lhe dizer que informar as pessoas sobre suas dores “não é bom por carecer de prova científica”, pode ficar tranquilo: a tal prova existe há tempos.

Voltando aos recursos informativos. Eles têm serventia pedagógica: as coisas são melhor explicadas, e mais rapidamente, com a sua ajuda. Metáforas, analogias, anedotas, cartoons… podem ser usados por médicos para eliminar da mente dos pacientes crenças equivocadas sobre a dor em geral, ou pensamentos pessimistas sobre um futuro com dor crônica… substituindo-os por novos conhecimentos sobre como conviver com ela preservando qualidade de vida.

Um médico bem instruído nesses conhecimentos sobre a dor crônica – ex.: diferenças com a dor aguda, o conceito mente-corpo, a neuroplasticidade e o controle mental da dor, a sensitização central etc. – certamente consegue remover lixo tóxico da mente do paciente, motivando-o a participar ativamente na sua recuperação. (Muito mais, aliás, do que lhe dizendo simplesmente: “faça isso”.)

Ah, já sei… o tempo é escasso. Eis a principal justificativa para, na prática, se omitir de educar os pacientes sobre a dor que sentem. E ela tem razão de ser, no SUS, por exemplo, ou no caso de alguns convênios médicos meia-tigela… porém, não em se tratando de consultas particulares oferecidas na base de no mínimo US$ 100,00 x 30 minutos. Nesse período, os recursos de comunicação antes mencionados – se bem usados – podem facilitar a explicação de qualquer coisa – dor, inclusive – com mais precisão e rapidez do que de costume.

Ajude, então, o seu médico favorito a se destacar no seu meio profissional. A ser conhecido como “aquele que ouve e explica”. Um achado.

Mande a ele o ebook Recursos de Comunicação para Profissionais da Saúde, decorado com uma boa dedicatória. Algo fino, elegante… assim como: “Nada pessoal, viu?”, para evitar maus entendidos.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

E saiba que ao comprar a publicação, você está automaticamente doando o valor – equivalente a uma cerveja e um pão de queijo – a um hospital de crianças com câncer que é referência na América do Sul.

Eu convenci você, ou não?

Obs.
O Dia do Médico sabe-se lá quando cai. Porém, isso importa?

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