É tempo de mascarados

É tempo de mascarados
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A recomendação das autoridades sanitárias no Ocidente em relação ao uso de máscara sanitária acaba de mudar: agora é útil usá-la fora de casa, independente de se estar com sintomas de infecção com o coronavírus. A reviravolta tem fundamento científico e convém conhecê-lo para se sentir seguro seguindo a nova recomendação.

“Há muitas pessoas problemáticas no lado científico também que estão encantadas por estar nas notícias ou nos jornais. E eles fornecerão informações incorretas aos jornalistas. Aprecio imensamente os jornalistas que se esforçam para obter as informações corretas e garantir que o público esteja obtendo informações confiáveis ​​e de boa qualidade.”

Angela Rasmussen, Ph D, Associate Research Scientist, Columbia University

Hoje assisti pela TV um infectologista afirmar não haver “nenhuma documentação científica” que justificasse o uso de máscaras. É o tema da hora, uma vez que todo mundo tem face e medo de pegar o vírus.

De fato, até uns dias atrás a Organização Mundial da Saúde teimava em dizer que a máscara deveria ser usada apenas por pessoas infectadas circulando em ambientes públicos. Uma prevenção para não contaminar outros, não para se proteger. Portanto, os não infectados não deveriam usar.

A postura da OMS e das autoridades sanitárias dos países no Ocidente mudou por várias razões. Uma é o medo de que o aumento da hospitalização que já sufoca a maioria dos sistemas de saúde, deixe médicos e enfermeiros desassistidos em matéria de máscara. A outra é a vinda à tona de alguma fundamentação científica, sim.

Mesmo num sertão de dados confiáveis sobre um vírus desconhecido, na última semana surgiram luzes sobre que:

  • os assintomáticos são muitos (ao menos um quarto dos infectados. Segundo anunciou o Dr. Anthony Fauci em 06/04, são 50%);
  • eles não sabem que carregam o vírus (ora, são assintomáticos); e
  • conseguem infectar os saudáveis,
  • simplesmente falando e respirando perto deles.

Sobre isso, houve notícias a semana passada, e a fonte não foi leiga, mas científica:

“Os atuais trabalhos de pesquisa defendem a possibilidade de que a SARS-CoV-2 possa ser transmitida pelos bioaerosóis gerados diretamente pela expiração”, escreveu o presidente do Comitê sobre as Doenças Infecciosas Emergentes, Harvey Fineberg, em carta remetida à Casa Branca em nome de acadêmicos e cientistas americanos.

O especialista cita quatro estudos, entre os quais uma pesquisa em um hospital na China que mostrou que “…o vírus pode ficar suspenso no ar quando médicos e enfermeiros removem equipamentos de proteção, ou quando o chão é limpo ou quando a equipe se move.” Outra pesquisa mencionada, por aqui já comentamos, conduzida por pesquisadores do University of Nebraska Medical Center, mostrou que “…o material genético do vírus foi encontrado nos quartos dos pacientes a mais de um metro e meio de distância”.

Tudo bem, essa última pesquisa abrangeu apenas 13 pessoas, e o Dr. Fineberg ressalvou que outras pesquisas seriam necessárias para a compreender o verdadeiro risco de contaminação da Covid-19 através da expiração.

Contudo, o já descoberto, que o vírus está efetivamente presente na respiração e é capaz de transmitir o Covid 19 – foi suficiente para o Trump e a Organização Mundial da Saúde passar a recomendar o uso da máscara, e até a maior autoridade médica dos Estados Unidos – o General Surgeon – aparecer na TV ensinando como fazer uma máscara caseira.

Por fim, coube ao Dr. Anthony Fauci, um imunologista que integra a Força-Tarefa que assessora o Trump sobre o coronavírus, confirmar que, sim, o coronavírus se transmite também pela fala e pela respiração.

Enfim, há evidências científicas de que esse vírus danado é aéreo. Apenas falar… você não precisa tossir, nem espirrar, para contaminar o próximo. E vice-versa.

Então você se atreve a entrar num supermercado, ou numa feira livre, sem a máscara?

Nota do blog:
O canal GloboNews fez uma reportagem bastante didática sobre o tema a semana passada, enfatizando o apoio de cientistas chineses ao uso generalizado de máscaras.

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