Enfrentando a dor crônica: a técnica (finalmente)

Enfrentando a dor crônica: a técnica (finalmente)

Ao enfrentar uma dor crônica, de pouco ou nada adianta desespero ou esperança, boa ou má vontade. O fundamental é ter uma estratégia. Você primeiro mapeia a situação para descobrir o que é prioritário e/ou essencial; depois escolhe um método para intervir em prol de uma mudança desejada; e por fim, aplica uma ou mais técnicas para concretizá-la. Porém, que técnica poderia ser essa? Esse post apresenta uma que talvez você não conheça.

“O verdadeiro sinal de inteligência não é conhecimento, mas imaginação…”

Os dois posts anteriores a esse cobriram as duas primeiras etapas de uma proposta de enfrentamento à dor crônica: o traçado do Mapa da Minha Dor e a Reestruturação Cognitiva. Nessa terceira etapa irei apresentar duas técnicas que possibilitam a Reestruturação Cognitiva.

No primeiro post, lembremos, o Mapa da Minha Dor mostra os quatro níveis em que a dor crônica “polui” a mente do portador, no intuito de se perpetuar no organismo. Vimos que o Nível 3, em que coisas ruins são imaginadas como resultando de “o fato de se estar com dor” é o que deve ser atacado prioritariamente. Isso, porque o primeiro nível, o meramente sensorial, é “imexível” (exceto via medicação), e os outros dois, Níveis 2 e 4 dependem do Nível 3.

O método de enfrentamento sugerido foi o da Reestruturação Cognitiva, “… um processo psicoterapêutico de aprendizado para identificar e contestar pensamentos irracionais ou desadaptativos, conhecidos como distorções cognitivas, como pensamento do tipo tudo ou nada (divisão), pensamento mágico, generalização excessiva, ampliação e raciocínio emocional, comumente associados a muitos distúrbios de saúde mental.”12

Foi-se então, o mapeamento da situação dolorosa, foi-se também o método de enfrentamento e… agora cabe escolher uma técnica condizente com os anteriores.

Cada um de nós constrói o mundo baseado na imagem que tem de si mesmo. A questão, então, é escolher a imagem certa.

A “re-roteirização” é uma técnica que o terapeuta, ou o próprio paciente, ou ambos, podem usar para reduzir mazelas mentais que certamente alimentam uma dor crônica.

(Ela é baseada numa nova onda terapêutica voltada à recuperação de movimentos e alívio da dor chamada imaginética. Curto e grosso, a imaginética faz com que um paciente amputado, por exemplo, parta de uma linha base atual, realista e negativa – ou seja, a sua situação de imobilização e de dor no presente – e em seguida trabalhe mentalmente para transformá-la em uma situação ideal – com movimento e sem dor.)

E o que seria “trabalhar mentalmente”, no caso? Recorrer à imaginação. Enfim, nada demais. Consiste em fazer o que todos nós fazemos todo dia e que, por decoro, nunca contamos para ninguém. Imaginar coisas, voar na maionese…ganhar na loteria, viver para sempre etc.

E por que isso – uma proposta terapêutica tão extravagante, para dizer o mínimo – daria certo?

Porque estudos experimentais de Holmes e Mathews apontam que as imagens são mais potentes – negativamente e positivamente – do que pensamentos de conteúdo comparável.

Dessa forma, o paciente pode imaginar-se recuperado e, pasme você, ato seguido (bem, não é tão rápido, porém você entende a ideia) sentir-se recuperado, e até experimentar alguma recuperação.

Em suma, imagens angustiantes podem ser modificadas por um procedimento cognitivo de resgate – a “re-roteirização” – , trocando-as por outras benignas.

Os ganhos de curto prazo que alguns terapeutas encontraram com esse procedimento simples de “re-roteirizar” foram extraordinários. Ex-tra-or-din-ários. Porém, eu suspeito que a essa altura uma boa parte da minha audiência já foi dormir. (Imaginar que você se cura, e se curar… só pode ser coisa de doido, certo?) E assim, não tem interesse em saber como a terapia Imaginética veio à tona e nos achados de pesquisa comprovando que… sim, ela funciona. Todavia, como deve ter talvez uma alma penada que queira saber disso, eu me proponho a lhe dedicar um post na próxima semana.

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