Então, a curva se achatou? Não! Ela virou.

Então, a curva se achatou? Não! Ela virou.
image_pdfimage_print

Infelizmente, para surpresa de muitos, esse surto viral não segue a Lei de Newton. Nem tudo o que cai, cai para sempre. A expectativa sempre foi a de que o acumulado dos novos casos de infectados pela Covid-19 um dia parasse de crescer e a partir daí caisse a pino. Demorou muito em cair, e quando o fez, caiu devagar. E agora parou de cair. É a segunda onda? Quem viver, verá? Não. Convém ver logo agora, para se precaver… se isso for possível. Este post recorre a um recurso muito usado para antecipar o sobe-desce dos preços dos ativos financeiros, no intuito de explicar o comportamento futuro dos estragos causados pela Covid-19.

“Uma pessoa em público sem máscara durante uma pandemia é uma fossa séptica ambulante.”

– Abhijit Naskar

Em junho, o Dr. Márcio Sommer Bittencourt, médico do centro de pesquisa clínica e epidemiológica do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP), vaticinou que o pico da epidemia no Brasil estaria condicionado a:

  • Diminuição do número de novos casos e mortes por dia, durante pelo menos duas semanas;
  • Taxa de reprodução do vírus, ou R0, próxima ou abaixo de 1 por um período consistente; e
  • Diminuição dos casos de síndrome respiratória aguda grave, um índice não afetado pela subnotificação de Covid-19.


Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

O vaticínio se cumpriu em 29 de julho, cravando 69.074 novos casos nesse dia, e 46.393 novos casos, na média dos 7 últimos dias.

Porém “as tendências se estendem até quando não se estendem mais”, diz um adágio de Wall Street. A tendência de queda da curva dos novos casos parou há duas semanas, em 7 de novembro, registrando 18.862 novos casos nesse dia, e média de 16.360 novos casos, nos últimos 7 dias.

E por que eu digo que a tendência se deteve e, inclusive, reverteu?

Porque passei anos analisando graficamente tendências de ativos financeiros.

E o que eu tenho a ver com isso?, você deve estar se perguntando. Calma, falta pouco. Fique comigo.

A análise gráfica é uma ciência muito misteriosa que, entre outras coisas, alerta o investidor a entrar ou sair do mercado, seja comprando ou vendendo, nos momentos certos. E para isso é fundamental saber quando uma tendência de queda de uma ação como Petrobras ou Vale está a reverter, sinalizando uma oportunidade de compra, no caso.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

O gráfico acima poderia ser o da Petrobras ou o da Vale, ou de qualquer outra coisa volátil no mercado – que disso ali tem demais. Porém, ele é dos pacientes hospitalizados por conta da Covid-19, em 7 dos melhores hospitais particulares de São Paulo (Sírio-Libanês, Einstein, 9 de Julho…)

A tendência de queda, representada pela linha tracejada, foi do ponto A ao ponto B. E aí reverteu. E como saber se a reversão é para valer? A linha de comportamento do preço saindo de B e indo até C prova isso. Ela se afasta decididamente da linha tracejada A/B, e forma uma nova tendência B/C, agora de alta. Eis um quebre definitivo da tendência de queda.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Agora esqueça Petrobras e Vale. O gráfico é da autoria do próprio Dr. Sommer e foi incluído numa matéria da GloboNews, no fim de semana. Se você não conseguir achar esse vídeo nesse canal de notícias, assista-o clicando aqui... mas não conte para ninguém porque se a informação se espalhar eu vou preso. Preste atenção à parte em que é dito que um surto viral como o da Covid-19 começa a se manifestar nos hospitais privados dias antes de vir a surgir na rede hospitalar menos abastada.

E o Brasil como um todo? Também reverteu a tendência de queda da curva do acumulado de novos casos da Covid-19?

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Ora, eu não sou epidemiologista, mas do alto do meu cinismo congênito e dos meus profundos e absolutamente inúteis conhecimentos de análise gráfica, eu diria que sim.

O vídeo mostra as autoridades de SP negando a realidade. O presidente do Hospital Albert Einstein hoje disse que não há prova estatística para afirmar que já há uma segunda onda em curso. Gostei. Prudência é sempre bom. Porém, a minha leitura dessa negação em coro, seja fundamentada politicamente ou medicamente, é a de que só pode ter coisa aí. Tomara que eu esteja errado.12

E quanto ao meu domínio da análise gráfica… ele me qualifica para afirmar que a curva do acumulado dos novos casos de Covid-19 – e por tabela, a curva dos mortos pelo mesmo motivo – ficará em tendência alta, durante um bom tempo?

Isso eu não sei. Aliás, se uma coisa aprendi nesses meus longos e estressantes anos no mercado financeiro é que… ninguém sabe. Que tal você reler o post e formar a sua opinião?

Veja outros posts relacionados...

nenhum

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *