Fale com seu cérebro sobre sua dor crônica. Ele vai escutar você.

Fale com seu cérebro sobre sua dor crônica. Ele vai escutar você.

Você vive com um cérebro. Um cérebro vive em você. Todos os dias, o dia todo. Porém, provavelmente vocês dois nunca se falaram. E talvez seja essa a razão da sua dor crônica. Quem sabe seja uma boa ideia começar agora.

“Eu sou um cérebro, Watson. O restante de mim é um mero apêndice.”

Sherlock Holmes, The Adventure of the Mazarin Stone

E se eu disser que a dor que você sente, aguda ou crônica, pode ser uma forma do cérebro proteger você?

Ah, isso é óbvio, você pensa. Afinal, se a minha mão toca uma panela quente não é a dor que me faz retirá-la antes de sofrer maior dano?

Certo, porém não é a essa proteção que eu me refiro. O cérebro, ou a mente (como quiser), protege você de… você mesmo.

Eu explico antes de você virar a página. Muitos anos atrás, foi essa a tese na qual um médico nova-iorquino, John Sarno, se baseou para curar muita gente de dor persistente nas costas. Eram pessoas que, tendo passado por muitas consultas médicas e feito inúmeros exames de imagem, ainda careciam de um diagnóstico – a dor que sentiam é o que hoje se conhece por dor “não específica”, ou seja, sem lesão ou falha estrutural identificada.

Aquele médico raciocinou que todos nós guardamos material tóxico no subconsciente (ex.: traumas da infância, pecados inconfessáveis, distorções cognitivas, crenças erradas e pensamentos ruins). De repente, estimuladas por qualquer evento, lembrança ou coisa, essas sujeiras acenam com vir à tona, com se tornar conscientes. Mas isso, o cérebro julga, é inaceitável: ficarmos ciente “daquilo”, nos destruiria como pessoas. Então o cérebro cria a dor com o propósito de nos distrair. Preocupados com ela, mantemos a sujeira embaixo do tapete e continuamos a viver em paz e gostando do que somos (ou achamos que somos).

“O principal trabalho do cérebro é manter você vivo, então ele tende a operar de maneira a privilegiar a sobrevivência do mais apto. Embora isso seja certamente imperativo ao lidar com situações de risco de vida, essa abordagem não nos ajuda muito na sociedade ou em nossos relacionamentos.”

Rebecca Gladding M.D.

O Dr. Sarno foi enxotado pelo establishment médico. Nenhuma revista científica aceitou publicar seus artigos. As editoras também lhe fecharam as portas. Sem credenciais acadêmicas para ao menos justificar demência ilustrada, passou por louco. Quase meio século após sua inusitada tese vir à tona, porém, a neurociência (mais ou menos) a confirma. Pesquisadores da prestigiosa Northwestern University, recentemente descobriram que:

“…memórias inconscientes relacionadas ao medo podem permanecer totalmente ocultas da mente consciente, mas ainda assim têm a capacidade de afetar drasticamente o comportamento e as emoções cotidianas.”

Trata-se de um mecanismo de defesa neural projetado para proteger a psique de um indivíduo de ser incapacitado por memórias indutoras de medo. À diferença do postulado pelo Dr. Sarno, o mecanismo protetor do cérebro não seria uma distração dolorosa, mas um tipo de amnésia ativada quando a memória de um evento abusivo ou traumático é tão avassaladora que precisa ser bloqueada da consciência.

“É um sistema totalmente diferente mesmo no nível genético e molecular do que aquele que codifica as memórias normais”, dizem os autores da pesquisa.

Ou seja, existe no cérebro um mecanismo específico que tem a capacidade de esconder memórias traumáticas. Memórias de medo, memórias do que fomos ou ainda somos. E a dor não seria uma forma psicossomática de mantê-las escondidas para dormirmos em paz.

SE O MATERIAL TÓXICO QUE GUARDAMOS NO SUBCONSCIENTE (EX.: TRAUMAS DA INFÂNCIA, MÁS LEMBRANÇAS, PENSAMENTOS RUINS…) VIESSE À TONA POR ALGUM MOTIVO, E NOS TORNÁSSEMOS CONSCIENTES DELE, ISSO PODERIA NOS CAUSAR DANO PSICOLÓGICO IRREPARÁVEL.

O CÉREBRO USA A DOR PARA NOS DISTRAIR E ASSIM AFASTAR ESSA AMEAÇA.

Diante do anterior, a recomendação do Dr. Sarno era a de que a pessoa com dor não específica, ANTES de sair procurando por psicoterapia, deveria falar com o seu cérebro. E comunicar oficialmente a ele que o truque de criar dor para evitar que pensamentos desabonadores viessem à tona foi descoberto, e que portanto não mais precisaria inventar dor sem motivo… No final das contas, a ideia não era tão extravagante assim. Se você sofre de dor persistente, já viu vários médicos e ainda ignora a causa… por que você não tenta?

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