Fibromialgia e os medicamentos

Fibromialgia e os medicamentos

Um número significativo de pacientes com fibromialgia não responde adequadamente aos medicamentos que são prescritos ou experimenta efeitos colaterais intoleráveis. Esse post entra nos detalhes.

“Eu tentei analgésicos de todo tipo, medicamentos neurológicos, acupuntura, laserterapia, fisioterapia, massagem e injeções de pontos-gatilho. A maioria destes foi inútil… No final do dia… uma dose única de Percocet é a única ferramenta que silencia a dor o suficiente para eu adormecer.”

Michael Bihovsky, diretor de teatro

Um congresso médico realizado recentemente em Viena, adotou um nome instigante: The International Congress in Fibromyalgia. Instigante porque o conhecimento sobre doenças e dores está repleto de controvérsias, porém parece ser praxe em todo o mundo não reconhecê-las publicamente.

Nem ventilá-las, como fez um grupo de quatro reumatologistas italianos através de um artigo que eu reproduzo parcialmente nesse post.  O mérito dele é oferecer um panorama muito atualizado, claro e suscinto da medicação que o mercado ocidental oferece para aliviar as dores da fibromialgia.

Atenção! Se você for profissional da saúde talvez sinta falta de uma informação mais detalhada. Poderá encontrá-la no artigo que o blog publica nessa mesma semana:

Eu acabo de terminar um ebook sobre fibromialgia e no processo me deparei com informações surpreendentes sobre o assunto. Como a de que certos medicamentos aprovados na América do Norte, não o são na Inglaterra ou na Alemanha, ou de que alguns países da (antiga) Europa Oriental aprovaram medicamentos americanos não aprovados na Alemanha, por exemplo. Enfim, uma situação que desnorteia e assusta quem sofre com uma doença que não tem causa nem cura conhecidas e afeta de 3 a 6% da população mundial.

Vamos à primeira parte do artigo:

A síndrome da fibromialgia (FM) continua a representar uma necessidade não satisfeita em relação ao tratamento farmacológico e muitos pacientes não conseguem obter alívio suficiente dos tratamentos existentes1. Diretrizes recentemente publicadas recomendam a adoção de uma abordagem baseada em sintomas para orientar o tratamento farmacológico. Opções de tratamento emergentes para FM podem ser melhor diferenciadas com base em seu efeito sobre sintomas comórbidos que estão frequentemente associados à dor (por exemplo, distúrbios do sono, humor, fadiga)2. Nenhum dos medicamentos atualmente disponíveis é totalmente eficaz contra todo o espectro de sintomas da FM, que parecem se beneficiar do manejo multidisciplinar3.

Vários medicamentos têm sido recomendados nas diferentes diretrizes, mas nenhum foi aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos e apenas três pela Food and Drug Administration (FDA): os inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina (SNRIs) duloxetina, milnaciprano e pregabalina, que atua por meio da subunidade α2δ dos canais de cálcio dependentes de voltagem. No entanto, um número significativo de pacientes não responde adequadamente a esses medicamentos ou experimenta efeitos colaterais intoleráveis4.

A existência de subgrupos de pacientes com FM tem sido sugerida por muitos estudos e a heterogeneidade da condição pode ser responsável pela eficácia limitada dos tratamentos farmacológicos56.

Em estudos observacionais, prospectivos e longitudinais, os pacientes frequentemente necessitam e tomam vários medicamentos prescritos, embora a monoterapia seja claramente a melhor abordagem para tratar a FM78. No entanto, não há evidências de que os pacientes realmente se beneficiem das combinações de medicamentos: apenas alguns estudos investigaram a combinação de pregabalina e antidepressivos, bem como o tratamento combinado com amitriptilina9.

A segunda parte do artigo menciona tentativas, algumas frustradas e outras promissoras, de descobrir soluções farmacológicas para as dores da fibromialgia. E conclui que:

As diretrizes interdisciplinares baseadas em evidências dão uma forte recomendação para exercícios aeróbicos e terapias comportamentais cognitivas. A terapia medicamentosa não é obrigatória. Somente uma minoria de pacientes experimenta um alívio substancial dos sintomas com duloxetina, milnacipran e pregabalina ou com uma combinação de diferentes drogas10.”

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

A conclusão anterior não é nova. A junta de cientistas que traça as diretrizes para lidar com a fibromialgia na Alemanha, e que orientam a maioria dos serviços de saúde europeus, vem duvidando da eficácia das terapias farmacológicas.

O paciente com fibromialgia deveria então estudar outras opções terapêuticas (não farmacológicas). No ebook “Tudo o que você queria saber sobre FIBROMIALGIA e tinha medo de perguntar”, eu destino três dos 19 capítulos às terapias farmacológicas e não farmacológicas mais (e menos) recomendadas para a fibromialgia. A primeira parte será publicada em breve. Não perca.

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