Fibromialgia e pouco exercício: Mau negócio

Fibromialgia e pouco exercício: Mau negócio
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O sedentarismo está associado a resultados prejudiciais à saúde na fibromialgia. Aqui são apresentadas três evidências cientificamente validadas que sustentam esse argumento.

“A pessoa média entra no consultório do médico pronta para aceitar o que quer que seja dito e entregue a ela. Sem pesquisar ou obter mais conhecimento, aceita medicação sem sequer pensar noutras opções mais saudáveis.”

Dana Arcuri, escritora

Muita gente com dor usa o blog como um espaço para dizer o que pensa, com menos inibição que diante de um médico. E dos desabafos, eu tiro duas conclusões:

1 as dores da maioria são inespecíficas, generalizadas e por isso atribuíveis à fibromialgia; e
2 o paciente que imagina padecer de fibromialgia em geral é pessimista e sedentário. O medo governa seus movimentos cotidianos (ex.: vestir o pijama, sentar-se à mesa, entrar no carro…), quando mais os requeridos por um exercício.

Resolvi então me informar melhor sobre a combinação fibromialgia-sedentarismo. E descobri que, sim, eles estão muito relacionados: há evidências de que o sedentarismo está associado a resultados prejudiciais à saúde na fibromialgia.

Vejamos três delas:

1 Há dez anos, pesquisadores da Norwegian University of Science and Technology na Noruega, avaliaram dados de 15.990 mulheres, recolhidos em 1984-86 e 1995-97. As mulheres com excesso de peso (IMC>25) apresentavam uma maior probabilidade (entre 60% a 70%) de fazer parte dos 380 casos de fibromialgia diagnosticados durante o estudo. Pelo contrário, mesmo apresentando excesso de peso ou obesidade, o risco era menor para as mulheres que eram fisicamente ativas. O estudo foi publicado na revista “Arthritis Care & Research
2 Dois anos depois, três pesquisadoras americanas realizaram um experimento muito interessante sobre o que o cérebro do sedentário diz, comparado ao cérebro de quem pratica atividade física, quando há dor.A fibromialgia, como se sabe, é um distúrbio do Sistema Nervoso Central, caracterizado por processamento sensorial aumentado e incapacidade de modular efetivamente a dor. Por outro lado, a atividade física está relacionada ao processamento cerebral da dor. Praticar atividade física então poderia ser um mecanismo potencial de controle da dor. Baseadas nesse raciocínio, as pesquisadoras estudaram os cérebros de 11 mulheres com fibromialgia (via fMRI) enquanto manipulavam a modulação da dor e a associavam com medidas de atividade física.

Em geral, a atividade física mostrou estar positivamente relacionada à atividade cerebral durante a modulação da dor, enquanto o tempo sedentário apresentou relações negativas. Juntos, esses dados sugerem que os comportamentos de atividade física são importantes para a regulação da dor no Sistema Nervoso Central em quem é diagnosticado com fibromialgia.

3 Mais recentemente, uma pesquisa de 407 mulheres espanholas (média de 51,4 anos de idade) com fibromialgia, mostrou que quanto mais tempo a mulher é sedentária, maior é a piora da função física, da dor corporal, da vitalidade, da função social e da saúde em geral.

Evidentemente, a paciente diagnosticada com fibromialgia vive um dilema terrível. Por um lado, a dor e a fadiga associadas à fibromialgia dificultam os exercícios e as atividades diárias, além do que ela naturalmente se retrai por medo de agravar os sintomas. Por outro lado, pesquisas científicas sérias coincidem em que é fundamental ser fisicamente ativo. E que exercícios moderados regulares reduzem a dor e melhoram as funções. Está mais do que provado, por exemplo, que o exercício aeróbico (caminhar, nadar), bem como ginástica não agressiva como ioga, Pilates e Tai-Chi melhoram a dor, a função e a qualidade de vida em geral. E do lido antes no post depreende-se que a atividade física também ameniza a fibromialgia.

Pensando melhor, aqui não há dilema algum. O único que cabe é se mexer.

Nota do blog: Nos capítulos 11 a 14 do ebook “Tudo o que você queria saber sobre fibromialgia e tinha medo de perguntar (Volume 2)”, terapias farmacológicas e não farmacológicas para a tratar a fibromialgia são apresentadas com mais detalhes.

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