Jogando tênis anos atrás eu estiquei a raquete ao máximo e a próxima coisa que eu soube foi que estava deitado no chão. Algo nas minhas costas “cedeu”. Quando tentei me levantar, uma dor excruciante rasgou minha lombar, imobilizando-me. Após umas semanas a dor sumiu, mas durante anos não consegui me virar de costas rapidamente, nem carregar nada pesado. Eu tive recidivas de vez em quando por um dia, tendo até que me deitar.

A vida continuou. Como qualquer um, eu me adaptei. Muitas vezes sem perceber. Eu passei a fazer menos coisas, minha amplitude de movimento encolheu. Um belo dia, muito tempo depois, o problema ressurgiu pior. O primeiro neurocirurgião que consultei sacudiu a cabeça, me prescreveu tranquilizantes e relaxantes musculares e falou sobre os diferentes tipos de cirurgia que eu poderia ter. Ele era o chefe de cirurgia no hospital local. A essa altura, eu mantinha enormes potes de codeína junto de outras doses maciças de Advil, ao lado da cama. E fiz fisioterapia – movimentos minúsculos – por um tempo, todo dia, antes de ir para casa. Passou uma semana, e depois outra. Um mês. Fui em outro neurocirurgião. Ele olhou com ar de reprovação o exame de ressonância que eu trouxera comigo, em sua pequena caixa de luz. E também olhou para o relógio enquanto me dizia que poderia me agendar imediatamente.

Eu desabei. Passei outra semana na cama ponderando minhas opções através da névoa de codeína. A minha esposa tinha começado a se desgastar visivelmente por ter que fazer tudo sozinha. A vida estava se desintegrando na minha frente.

Um dia a TV passou uma matéria sobre um médico da New York University que curava a dor nas costas crônica incapacitante, de uma maneira incomum. O nome dele era John Sarno, chefe de medicina reabilitadora num hospital de lá. Comprei o livro dele, chamado Healing Back Pain: A conexão mente-corpo “sem drogas, sem cirurgia, sem exercícios. A dor nas costas pode ser curada para sempre”. Livros que mudam as mentes. Na verdade, um livrinho estranho. Demorado para ler, mas você não para. Não vou aqui entrar numa explicação completa do que o Sarno disse sobre uma tal de síndrome de dor nas costas, mas quero dizer que o que ele disse foi realmente notável. Primeiro, que seu método tinha funcionado 100 por cento do tempo para aquelas pessoas que aceitaram seu diagnóstico. E segundo, que (se médicos e exames de imagem não apontam causa para a dor nas costas) provavelmente não há nada de errado com elas. Você teve, sim, uma dor real provocada pelo seu subconsciente. A sua mente fez isso para chamar sua atenção. Para você ignorar, suprimir ou se livrar de sua raiva e de outras fortes emoções negativas.

Enquanto você ignorar esses sentimentos, seu corpo tentará “chamar sua atenção”. Portanto, esqueça suas ressonâncias magnéticas, pare de fazer fisioterapia, diminua sua medicação ou pare com ela. Levante-se e aja como se você fosse completamente normal, porque você é uma pessoa normal. O machucado e a dor passarão em algumas semanas e você estará bem.

Fiquei impressionado com esse livro, por dizer o mínimo. O Dr. Sarno afirmava ter curado centenas, milhares de pessoas ao longo dos anos e todo seu tratamento consistia em explicar seu diagnóstico! Sem exercícios, sem medicação, nem raios X, nem ressonâncias magnéticas ou qualquer outra coisa. Sem cirurgia, nada. Apenas uma mudança de crença. Ora, o que eu tenho que perder, eu pensei? O livro falou poderosamente para mim porque eu estava desesperado, com dor e também porque eu sabia que era verdade. Por várias razões, eu vinha negando essas fortes emoções há anos, décadas. Eu bati na parede. Ressurreição.

No dia seguinte, tomei uma codeína, mas me levantei e subi as escadas. Sentei no sofá e disse à minha esposa: “Não há nada de errado com as minhas costas”. Parecia ótimo, apesar de estar com dor. Alguma coisa mudou. Não nas minhas costas, nem nas protuberâncias ósseas da coluna vertebral, nem nos discos se desintegrando, mas na minha mente.

Durante as próximas duas semanas, eu continuei lendo. Gradualmente, muito pouco de cada vez, a dor diminuiu. Comecei a me mover mais livremente. Logo não tomava nenhuma pílula. Dentro de algumas semanas consegui funcionar em cerca de 75% da minha capacidade. Cancelei todos os compromissos com médico e fisioterapia. Gradualmente eu comecei a me expressar mais, a acessar sentimentos encima dos quais eu sentara por muitos anos. Alguns meses depois, nos meus 50 anos, fui passear de bicicleta na montanha. Dentro de um ano, minha vida mudou completamente para melhor. Eu estava em melhor forma física do que desde os meus 20 anos. Meu casamento melhorou, eu me senti mais disponível para as pessoas que me rodeavam. O que aconteceu? Como isso foi possível?

Comprei cerca de 12 cópias do livro de Sarno ao longo dos anos para dar às pessoas. Mas eu logo aprendi algo: só vale a pena dá-lo para alguém com dor que estiver ficando desesperado. Por algum motivo, é apenas por conta da maneira como nós somos feitos, temos que ser empurrados contra a parede. Você não mudará até ficar aterrorizado e desesperado. Só então o livro funciona e você sente o abismo do seu estômago desaparecer. Caso contrário, é apenas mais uma leitura interessante, como muitos outros livros com algumas boas ideias sobre a conexão mente-corpo. Mas quando você estiver pronto, mesmo coisas que parecem completamente lógicas e apoiadas por evidências, os “fatos” mais concretos que você acha que existem, eles podem mudar, e junto com eles, seu mundo inteiro.

A dor que vem e vai. Ela é uma característica da Síndrome da Miosite Tensional (SMT). É melhor não se concentrar nos sintomas. Considere os sintomas como aleatórios, sem rima ou razão. Tentando descobrir “por que” você tem um certo sintoma irá jogá-lo diretamente nas mãos da SMT. Sempre que você estiver ciente de um sintoma, mude imediatamente o foco para suas emoções. Pense sobre o que está acontecendo em sua vida que pode afetá-lo mais profundamente do que você percebe. Tente encontrar fontes de raiva reprimida. Você pode até não achar nada, mas é o ato de tentar que é importante. Este é o processo de recondicionamento que faz parte da recuperação a longo prazo. Tentar colocar um cronograma em sua recuperação é contraproducente. Ele irá manter você focado nos sintomas, exatamente o que você está tentando não fazer. Em vez disso, projete uma visão de longo prazo, com você nela, livre da dor. Aceite os sintomas como uma parte normal de você. Aceite que se você se comprometer a tomar as providências necessárias para se recuperar, então ao longo do tempo eles desaparecerão por conta própria. Propor-se a se livrar completamente dos sintomas, por outro lado, não é um objetivo realista. Aqueles de nós com personalidades propensas à SMT, provavelmente enfrentarão sintomas psicogênicos de uma forma ou de outra pelo resto de nossas vidas. O objetivo da recuperação é desarmar esses sintomas – para tirar o poder que eles têm sobre você. Uma vez que você realmente os aceita, eles serão benignos, não irão lhe roubar seu foco. Eles passarão a ser apenas um incômodo.

Ao longo do tempo, você terá naturalmente menos crises de dor, de menor intensidade e menor duração. E acredite, com o tempo você se condiciona a pensar e reagir de forma diferente à dor. A dor já não atende a sua finalidade, que é distrair você da informação tóxica guardada no subconsciente, e assim desaparece.

O que aprendi lendo o Dr. Sarno é apenas uma parte do quebra-cabeça. A única vez que as peças do quebra-cabeça não se encaixam é quando você procura por um meio “físico” de cura para a SMT de qualquer maneira. É justamente isso que a mantém viva.

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