Um aplicativo sobre dor para chamar de seu

Um aplicativo sobre dor para chamar de seu
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Nessa semana o JOGO ALÍVIO MULHER, um aplicativo inédito no mundo (“dá licença!”) estreia nas plataformas AppStore e Google PlayStore. Não é uma façanha, mas para quem carece dos recursos de uma multinacional, chega perto. Do momento que você decide ir avante com o invento até o momento em que ele se materializa na tela do seu celular, muitos dias, reais e tratativas se passaram. Nesse post, ao invés de simplesmente eu anunciar que o JOGO ALÍVIO MULHER está acessível para qualquer pessoa disposta a aprender sobre dores femininas crônicas, achei melhor contar como foi o processo.

A ideia surgiu ao notar que o volume de visitas ao JOGO ALÍVIO, um aplicativo educacional lançado em 2018, dera um pulo depois de ele ser incrementado com 200 afirmações sobre dores femininas em geral. (A descriçao desse jogo digital sobre a dor e seu gerenciamento foi feita num outro post, e não cabe repeti-la aqui.)

Por coincidência, na mesma época, caiu nas minhas mãos um artigo publicado em 2001, The Girl Who Cried Pain, escancarando um drama feminino no qual eu jamais pensara antes: o fato de a mulher sofrer com dor mais do que o homem e, no entanto, receber menos atenção do que este de parte dos profissionais da saúde em geral. E isso, supostamente por conta de um viés de gênero. Algumas das principais dores crônicas tidas como femininas (ex: fibromialgia, artrite reumatoide, depressão etc) mereceriam pouco estudo dos cientistas, e pouco crédito dos médicos… por serem invisíveis, inexplicáveis e, enfim, “femininas”.

Bem, é o que as duas autoras do artigo denunciavam e aquilo me intrigou. Descobri depois que, com o passar do tempo, o tema foi virando tsunami na América do Norte, Reino Unido, Europa e Austrália… e absolutamente nada, no Brasil. Suficiente para ir avante.

Tomada a decisão de colocar o projeto em pé, uma exaustiva revisão da literatura sobre o tema me levou até 17 doenças e dores femininas crônicas.

O próximo passo foi produzir afirmações cobrindo o campo do conhecimento científico existente sobre cada uma delas.

Apenas lembrando: assim como o JOGO ALÍVIO, o ALÍVIO MULHER serve para mostrar ao jogador o seu grau de conhecimento. E isso se faz avaliando afirmações sobre o assunto em foco.

Exemplo: se você quer cobrir o que uma pessoa normal deveria saber sobre artrite reumatoide, você expressa o que se sabe a respeito através de afirmações do tipo:

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Verdadeiro ou Falso? Eis o que o jogador decide em cada caso.

Há uma razão pedagógica para isso: o cérebro funciona melhor – e aprende mais – reagindo a afirmações em termos de SIM ou NÃO ou VERDADEIRO OU FALSO, do que respondendo perguntas em aberto.

E como a cada jogada segue-se uma justificativa do que seria a resposta correta, acertando ou errando, tanto faz, o jogador acaba aprendendo – que é o que interessa.

Mas não vou me estender nisso agora. O funcionamento do ALÍVIO MULHER é descrito por dois vídeos “made-by-mim-mesmo”.


Voltando. Calculei que fossem necessárias ao menos uma centena de afirmações por cada uma das 17 doenças/dores. Ou seja, 1.700 afirmações ao todo.

Para encurtar a estória, depois de quase um ano chegou-se em 3.072. O detalhamento é o seguinte:

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Enfim, projeto encerrado. Colaboraram nele vários médicos e fisioterapeutas. Entre os primeiros, Dr. Omero Poli e Áureo Favaretto Jr. da Faculdade de Medicina da USP em Riberião Preto (SP), e entre os segundos, o grupo Head&Neck Pain (Brazilian Group) que reúne 8 fisioterapeutas sediados em vários estados. Uma aluna da UNICAMP, Alexandra Cardelli, fez a revisão final. Para a montagem contratei a mesma empresa de game engineers que desenvolveu o JOGO ALÍVIO, a Overtime Studios.

O jogo ALÍVIO MULHER se diferencia do ALÍVIO por conter meia centena de afirmações expostas em video. É um teste. Ao invés de inquirir o jogador via texto, mostra-se a ele um breve video. O feedback dos usuários do aplicativo irá me dizer um dia se esse tipo de interação é eficiente.

Falando em interagir, o ALÍVIO MULHER também se diferencia de 99% dos recursos de comunicação usados no Brasil e pelo mundo a fora.

Não deixe de conhecer. Disponível nas plataformas digitais:

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