Você é médico, ou médica? Pare um minuto e leia isso aqui.

Você é médico, ou médica? Pare um minuto e leia isso aqui.
image_pdfimage_print

Na segunda metade do século XIX um médico canadense disse o seguinte: “Não desejo outro epitáfio… além da declaração de que ensinei estudantes de medicina nos ambulatórios, pois considero isso de longe o trabalho mais útil e importante para o qual fui chamado”. Inventor da figura da residência na carreira médica, ele mudou fundamentalmente o ensino de medicina na América do Norte, e essa influência se espalhou por escolas de medicina em todo o mundo. Conheça, não, aprenda alguma coisa refletindo sobre alguns dos seus pensamentos nesse post.

“A prática da medicina é uma arte, não um comércio; um chamado, não um negócio; um chamado no qual seu coração será exercitado igualmente que sua cabeça.”

Toda disciplina tem seus pensadores e seus executores. Na medicina, com estes últimos se aprende a ganhar dinheiro e conquistar fama, com os pensadores, a não jogar a vida fora por conta disso.

Sir William Osler, chamado de “O pai da medicina moderna”, foi um médico canadense, professor de medicina na McGill University e co-fundador do Johns Hopkins Hospital, até hoje um dos melhores do mundo. Ele também escreveu Principles and Practice of Medicine (1892), um dos livros de maior sucesso na história da medicina.

Em abril de 1913, 5 anos antes de ir lecionar em Oxford como Regius Professor of Medicine, Osler ministrou uma série antológica de palestras na Yale University, denominada “A evolução da medicina moderna”. Nelas, encorajava os estudantes de medicina a trocar a sala de aula pelo trabalho no hospital para efeitos de treinamento clínico.

“Estudar os fenômenos da doença sem os livros é navegar em um mar desconhecido, enquanto estudar livros sem pacientes é não ir para o mar.”

Sir William Osler

Poderia-se dizer também que Osler também anteviu a importância do conceito do mindfulness embora provavelmente nunca meditou na vida. Ele gostava de citar Thomas Carlyle, o ensaísta escocês da era vitoriana, nisso de que “nosso principal negócio não é ver o que está vagamente distante, mas fazer o que está claramente à mão”.

No seu discurso “Um modo de vida” (“A Way of Life”), apresentado a estudantes da Universidade de Yale em 1913, recomendava-se “trabalhar de maneira constante em direção ao sucesso e à realização na vida, conquistando o mundo em incrementos estritos de 24 horas, não deixando nem ontem nem amanhã ser a preocupação de hoje.”

“Não viva nem no passado nem no futuro, mas deixe que o trabalho de cada dia absorva todas as suas energias e satisfaça sua mais ampla ambição.”

“Não pense na quantidade a ser alcançada, nas dificuldades a serem superadas ou no fim a ser alcançado, mas dedique-se sinceramente à pequena tarefa ao seu lado, deixando que isso seja suficiente para o dia.”

Sir William Osler

Das palestras e de outros momentos foram extraídos vários pensamentos ainda citados como leitura obrigatória para estudantes de medicina refletirem sobre sua profissão. Eu selecionei 18 dos mais destacados:

“Estamos aqui para adicionar o que podemos à vida, não para obter o que podemos da vida.”

“Quanto maior a ignorância, maior o dogmatismo.”

“Um dos primeiros deveres do médico é educar as massas para não tomar remédios.”

“Adquira a arte do desapego, a virtude do método e a qualidade do rigor, mas acima de tudo a graça da humildade.”

“A melhor preparação para amanhã é fazer o trabalho de hoje de maneira extraordinária.”

“A pessoa que toma remédio deve se recuperar duas vezes, uma vez da doença e outra vez do remédio.”

“Não pergunte que doença a pessoa tem, mas sim que pessoa a doença tem”

“O bom médico trata a doença; o grande médico trata o paciente que tem a doença.”

“A medicina é uma ciência da incerteza e uma arte da probabilidade.”

“Escute seu paciente; ele está lhe dizendo o diagnóstico.”

“O médico que se trata tem um bobo por paciente.”

“É espantoso o quão pouco um médico pode ler sobre medicina, mas não é espantoso o quanto ele pode fazer isso.”

“Na busca da verdade absoluta, buscamos o inatingível e devemos nos contentar com porções quebradas.”

“O valor da experiência não está em ver muita coisa, mas em ver com sabedoria.”

Estes são os nossos métodos – observar cuidadosamente os fenômenos da vida em todas as suas etapas, cultivar a faculdade de raciocínio para poder conhecer o verdadeiro do falso. Este é o nosso trabalho – prevenir doenças, aliviar o sofrimento e curar os doentes.”

“Talvez nenhum pecado nos acomode (aos médicos) tão facilmente como uma sensação de superioridade auto-suficiente com os outros.”

“O desejo de tomar remédios é talvez a maior característica que distingue o homem dos animais.”

“Pare de se preocupar com sua saúde. Vai embora.”

Osler morreu quando lecionava em Oxford e seu corpo foi velado na catedral Christ Church dessa famosa universidade britânica. No caixão, uma cópia do livro Regio Medici (“A Religião de um Mêdico”) de Thomas Browne. Em 1° de Janeiro de 1920 o seu corpo foi cremado e as cinzas hoje repousam na Osler Library da McGill University (Canadá). Ignoro se a sua última vontade foi respeitada:

“Não quero mais epitáfio do que a mera inscrição no meu túmulo, que ensinei medicina a meus alunos nas enfermarias do hospital.”

Se quiser ler mais sobre o bom doutor, veja um brevissimo artigo aqui ou a sua autobiografia, muito bem relatada na Revista Médica de Chile em 2012.

Veja outros posts relacionados...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *