Morrendo em um vácuo de liderança

Morrendo em um vácuo de liderança
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Ok, estamos todos no mesmo barco nessa calamidade em movimento perpétuo que é a tal da Covid-19. Primeiro foram os asiáticos, e depois os europeus, os americanos de cima e de baixo, os indianos… O diabo é que tem uns quantos remando contra, o barco é frágil e a tormenta não passa. Um punhado de cientistas do primeiro time se deu ao trabalho de descrever para o mundo esse drama, hoje repetido em vários locais do mesmo, e lembrou também de apontar o dedo para quem, por ação e omissão, propiciou milhares de mortes. Convido você a identificar a que local eles se referem.

Não, este blog não é político. Eu, nem pensar. Longe disso. Vou logo avisando porque o mundo está cheio de desavisados e, depois de ler este post mais de um poderia pensar que ele é… político. Não é. Ele é, sim, uma curiosidade futuramente arqueológica. Dessas que os cientistas enfiam dentro de um cilindro de cerâmica para ser aberto por alienígenas dentro de 5 mil anos, por aí. Para eles, os alienígenas, tomarem consciência da falta de consciência dos que outrora habitavam o planeta, dos quais a essa altura provavelmente não terá sobrado nenhum.

Trata-se de um documento breve, avalizado por um monte de gente que vive da ciência da saúde. Gente de primeira linha. Coisa fina. Mas, por enquanto eu não vou lhe dizer de onde.

Aliás, é você que vai dizer, se aceitar o meu convite.

Ele consiste no seguinte: leia as duas páginas seguintes preenchendo os espaços que eu deixei livres ao longo do texto, com o nome do país que lhe vier à cabeça no momento – Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Israel, Azerbaijão… o que lhe der na telha. Talvez você não esteja informado a ponto de acertar todas, mas tente. Vai se divertir. Ou quase.

Obs. Se por fim você quiser saber da verdadeira origem do documento, terá a chance de fazê-lo lá no final do post.

MORRENDO EM UM VÁCUO DE LIDERANÇA

A Covid-19 criou uma crise em todo o mundo. Esta crise produziu um teste de liderança. Sem boas opções para combater um novo patógeno, os países foram forçados a fazer escolhas difíceis sobre como responder. Aqui (), nossos líderes falharam nesse teste. Eles pegaram uma crise e a transformaram em uma tragédia.

A magnitude dessa falha é surpreendente. De acordo com o Centro Johns Hopkins de Ciência e Engenharia de Sistemas, excede a do Japão, um país com uma população vulnerável e idosa, por um fator de quase 50, e até supera as taxas em países de renda média baixa, como Vietnã, por um fator de quase 2.000. Covid-19 é um desafio enorme e muitos fatores contribuem para sua gravidade. Mas o que podemos controlar é como nos comportamos.

Sabemos que poderíamos ter feito melhor. A China, diante do primeiro surto, optou pela quarentena e isolamento estritos após um atraso inicial. Essas medidas foram severas, mas eficazes, essencialmente eliminando a transmissão no ponto em que o surto começou e reduzindo a taxa de mortalidade para 3 por milhão, em comparação com mais de 400-500 por milhão que temos (). Os países que tiveram muito mais intercâmbio com a China, como Cingapura e Coréia do Sul, começaram os testes intensivos cedo, junto com o rastreamento agressivo dos contatos e o isolamento apropriado, e tiveram surtos relativamente pequenos. E a Nova Zelândia usou essas mesmas medidas, junto com suas vantagens geográficas, para chegar perto de eliminar a doença, o que tem permitido aquele país limitar o tempo de fechamento e reabrir amplamente a sociedade a um nível pré-pandêmico.

Por que o () lidou com essa pandemia tão mal? Falhamos em quase todas as etapas. Recebemos um amplo alerta, mas quando a doença apareceu pela primeira vez, não fomos capazes de testar com eficácia e não pudemos fornecer nem mesmo o equipamento de proteção individual mais básico aos profissionais de saúde e ao público em geral. E continuamos muito atrasados ​​nos testes. Embora o número absoluto de testes tenha aumentado, o número de testes realizados por pessoa infectada, é uma taxa que nos coloca bem abaixo na lista internacional, abaixo de lugares como Cazaquistão, Zimbábue e Etiópia, países que não podem se orgulhar da infraestrutura biomédica ou a capacidade de fabricação que temos. Além disso, a falta de ênfase no desenvolvimento da capacidade significa que os resultados dos testes costumam ser atrasados, tornando-os inúteis para o controle da doença.

Nota do blog

Prazos para sair o resultado do teste RT-PCR no Brasil? De 6 horas, até 4 dias úteis
Valor? $ 282,00 – $ 350,00123

A maioria das intervenções que têm grandes efeitos não são complicadas. () tomou medidas de quarentena e isolamento tardiamente e de forma inconsistente, muitas vezes sem nenhum esforço para aplicá-las, depois que a doença se espalhou substancialmente em muitas comunidades. Nossas regras sobre o distanciamento social têm sido, em muitos lugares, na melhor das hipóteses, indiferentes, com afrouxamento das restrições muito antes de o controle adequado da doença ter sido alcançado. E em grande parte do país, as pessoas simplesmente não usam máscaras, principalmente porque nossos líderes declararam abertamente que as máscaras são ferramentas políticas e não medidas eficazes de controle de infecção.

O () entrou nesta crise com enormes vantagens. Junto com uma boa capacidade de fabricação, temos enorme experiência em saúde pública, política de saúde e biologia básica e temos sido capazes de transformar essa experiência em novas terapias e medidas preventivas. E muito dessa expertise nacional reside em instituições governamentais. Mesmo assim, nossos líderes preferiram ignorar e até denegrir os especialistas.

A resposta dos líderes de nossa nação tem sido consistentemente inadequada. O governo federal abandonou em grande parte o controle das doenças aos estados. Os governadores variam em suas respostas, não tanto por partido, mas por competência. Mas seja qual for sua competência, os governadores não têm as ferramentas que o governo federal controla. Em vez de usar essas ferramentas, o governo federal as minou. O órgão federal a cargo da saúde da população foi vergonhosamente politizado, parecendo responder à pressão da administração ao invés de evidências científicas. Nossos líderes atuais minaram a confiança na ciência e no governo, causando danos que certamente durarão mais que eles. Em vez de confiar na experiência, o governo se voltou para “líderes de opinião” desinformados e charlatões que obscurecem a verdade e facilitam a promulgação de mentiras descaradas.

E mais de…. 40, 100, 140, 210 (…aqui o número do país de sua escolha…) mil cidadãos morreram.


Quer saber a origem do documento? E de que país ele fala? Clique aqui.

Na quarta-feira passada, o New England Journal of Medicine, fundado em 1812 e atualmente “o periódico médico geral mais lido, citado e influente do mundo”, publicou um editorial inusitado. Assinado por 34 editores, todos americanos menos um, o libelo culpa diretamente o governo Trump por ter “tomado uma crise e a transformado em uma tragédia.” Loud and clear.4

Suponho que você acertou todas as inserções e não se deixou confundir pelas semelhanças com, sei lá, outros países. Acontece.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

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