O anestesista e a dor pós-operatória crônica - Parte 1

O anestesista e a dor pós-operatória crônica - Parte 1

Você já foi operado? Da boca, da barriga, de um joelho, do que for… então você recebeu anestesia. Das mãos de um profissional da saúde sobre o qual pouco se fala: o anestesista. Duas enquetes sobre ele, realizadas em dois países igualmente grandes e subdesenvolvidos, contam alguma coisa sobre o seu conhecimento da dor pós-operatória. Interesse-se. Quem diz que você não vai ser operado (de novo), no futuro?

“A anestesia foi descoberta. Você sabe o que significa aliviar o homem de sua dor e sofrimento? A anestesia é a mais humana de todas as realizações do homem, e o que foi uma realização misericordiosa.”

Dr. W.T.G. Morton

Você sabe o que o anestesista faz? Alguma coisa você sabe, com certeza. Isso de por as pessoas para dormir. Sabe, também, que ele é o membro mais importante numa equipe médica no que se refere ao controle da dor pós-operatória, aguda ou crônica.

Mas você sabe se o anestesista sabe o que deveria saber sobre… a dor?

Até a virada do século questões do tipo eram, por inconvenientes, ignoradas. Algo assim como perguntar se os cirurgiões sabem manipular um bisturi, ou os ginecologistas tratar da dor pélvica. Ora, certamente que sabem, onde já se viu uma pergunta dessas! (Face contraída, braços para o alto, clamando aos deuses.)

Mas as coisas mudam. E nos últimos anos apareceram manchetes como a seguinte:

“O subtratamento da dor é um fenômeno global e o conhecimento básico da dor entre os profissionais de saúde continua deficiente.”

Não, não foi um pedreiro ou uma vendedora de acarajé quem formulou essa indagação, mas dois cientistas indianos, em 2004.

O anestesista e o seu conhecimento sobre a dor pós-operatória crônica - Imagem 1Isso, ao justificar uma pesquisa conduzida por eles abrangendo 114 jovens anestesistas. O seu objetivo, o de conhecer o conhecimento sobre dor prevalente nesse grupo. E também, se esse conhecimento poderia ser expandido através de uma série de 9 palestras sobre o tema “dor”. A medição dos conhecimentos sobre esse particular coube a um questionário de 21 itens, aplicado antes e depois da intervenção educacional.

O escore de respostas corretas no pre-test (antes das nove palestras de educação em dor) foi de 61,9%. O escore do post-test atingiu 69,8% – um progresso estatisticamente significativo, porém duvido que saber disso acalmasse um paciente ainda consciente, deitado na sala de operações.

Os pesquisadores indianos pensam parecido e são contundentes:

“O estudo do questionário descobriu que o conhecimento básico atual sobre a dor entre os jovens anestesiologistas é deficiente. As principais preocupações do médico eram dependência de opioides e depressão respiratória com uso de opioides. Os resultados do questionário pré e pós-teste mostraram que a educação sobre a dor pode ajudar a melhorar o conhecimento do manejo da dor.”

Você é anestesista, ou estudante de anestesiologia? Está interessado em testar seus conhecimentos em dor tal como o fizeram aqueles colegas indianos? Então visite o meu blog, clique nesse link e responda o questionário usado nessa pesquisa. As respostas são mostradas de imediato.

Divirta-se.

Obs. Na próxima semana irei publicar um outro post sobre o mesmo tema, agora focado numa enquete recentemente realizada no Brasil.

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