O cérebro ou a mente – qual deles comanda a dor crônica?

O cérebro ou a mente – qual deles comanda a dor crônica?

Este post tem um único propósito: interessar você na leitura de um dos artigos mais interessantes que eu já li sobre… a mente. Não, relaxe… não é nada esotérico, nem ultracientífico. A autora é Silvia Helena Cardoso, Mestre e Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo, e atualmente envolvida na educação em medicina e saúde. (O seu curriculum, aliás impressionante, pode ser acessado aqui.)

O que é a mente? Quando faço essa pergunta, por favor não espere uma resposta minha. Olhe para sua própria mente; observe os caminhos de seu próprio pensamento.

Krishnamurti

O artigo, de nome “O que é Mente?” é ameno e, ao mesmo tempo, contundente. Talvez você não termine a leitura sabendo o que é a mente, porém, já irá vê-la como um conjunto de funções mentais passível de análise. E isso é bem melhor do que tê-la como uma entidade misteriosa, ou religiosa, ou ambas, impossível de ser usada clinicamente para o bem da saúde humana.

Mas por que o interesse na mente nesse blog? O que tem ela a ver com dor crônica?

É que entre a mente e a dor há o cérebro, um músculo cheio de nervos, e esse sim que tem tudo a ver com qualquer tipo de dor. Aliás, 100% a ver, conforme a neurociência vem demonstrando há quase meio século – diante da indiferença de muitos profissionais da saúde, convém agregar.

O cérebro humano… sabemos o que é, mas não como pensa. Eis o território da mente.

Atualmente não há quem negue que a dor crônica é o produto de ao menos dois vetores: um físico e outro psicológico. Dependendo da doença crônica, ou da dor crônica associada ou não a ela, um vetor pode primar mais do que o outro, mas raramente ao ponto de anulá-lo. Ou seja, na dor crônica há sempre uma fenda, janela, ou portão aberto para o ingresso “do psicológico”.

E é por esse portão que se filtram distúrbios mentais que vão da esquizofrenia à depressão, passando por manias, medos, déficit de memória, ansiedade e muitos outros. Distúrbios estes, cujas bases anatômicas, bioquímicas e hereditárias a neurociência e a genética, aos poucos, vão revelando.

Em síntese, logo nenhum médico estará habilitado a diagnosticar doenças ou dores crônicas sem antes dar uma olhada “no psicológico”. E é aí que a mente entra. E o cérebro também. Agora, o cérebro é um músculo, e a mente, um conceito enraizado nele. Porém, como esses dois conversam entre si?

O Cérebro

Difícil imaginar uma coisa dessas. Vejamos o cérebro primeiro. Uma visão top down mostra ele organizado em regiões sendo que cada uma desempenha diferentes funções. “A visão é dividida em processamento de cores, movimentos e formas e, por sua vez, que a função da visão pode pré/ocupar mais de 30 regiões cerebrais”, exemplifica Susan Greenfield, conhecida neurocientista britânica. E ocorre que qualquer região do cérebro – o córtex pré-frontal, a ínsula, o X, o Y… participa de mais de uma função.

Uma visão oposta, a bottom up, começa na sinapse, o acasalamento bioquímico de neurônios que, por sua vez, obedece a um código genético.

Diante disso, onde será que algo como a mente poderia existir, se desenvolver, funcionar…?

E o que seria esse “algo”? Ou onde encontrá-lo?

A Mente

Um forte candidato a fornecer o substrato físico da “mente”, contudo, é o nível intermédio, onde ocorrem as conexões cerebrais. Elas são altamente dinâmicas e refletem a experiência.

Segundo uma ideia relativamente recente – a teoria computacional da mente – o sistema nervoso traduz “…mudanças no corpo e no ambiente em uma linguagem de impulsos neurais que representam a relação animal-ambiente.”

Dessa forma, diz o Dr. Gregg Henriques, PhD, psicoterapeuta cognitivo e autor de A New Unified Theory of Psychology:

“… agora podemos conceber a “mente” como o fluxo de informações através do sistema nervoso e esse fluxo de informação pode ser conceitualmente separado da matéria biofísica que compõe o sistema nervoso.”

E daí? – você deve estar pensando. Daí que agora se entende melhor quem manda na dor. Isso é um progresso, acredite. Porque quando se trata de apontar quem faz isso, os que escrevem sobre a dor e seu gerenciamento atiram para todos os lados, uns (Sarno) se referem ao subconsciente, outros (Alexander) a vias neurais, e ainda outros (Moseley & Cia) ao cérebro, mas não exatamente como um músculo, e sim como um conceito, o neurotag. E de vez em quando, aqui e acolá, todos usam o termo “mente”, como sinônimo.

Enfim, até topar com o artigo da Dra. Cardoso eu ao menos confesso que ignorava o que poderia ser a tal da mente, e isso me incomodava. Afinal, eu vou para cama com ela toda noite.

Este post deveria ser apenas uma apresentação de três ou quatro linhas do excelente artigo escrito pela Dra. Cardoso, reproduzido no blog. Eu me entusiasmei demais. Mil desculpas. Não perca.

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1 comentário
  1. Estou sequela bursite trocanterica e custos quadril depressão
    Faz 7 meses sem poder sentar
    Indique artigo

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