O convidado de pedra e a CoronaVac

O convidado de pedra e a CoronaVac
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Os com mais de 60 anos são os que a Covid-19 mais mata. Faz sentido que eles estejam entre os primeiros a receber a vacina, seja a da Oxford-AstraZeneca ou a do Butantan/Sinovac. O que não se entende é por que até hoje não se sabe o quanto essas duas vacinas são seguras e eficazes especificamente no caso deles. De 30 milhões deles, mais ou menos.

“Nada no mundo é mais perigoso do que a ignorância sincera e a estupidez conscienciosa.”

Martin Luther King Jr.

Nos países de língua hispana, o Convidado de Pedra é uma expressão usada para apontar personagens que muito influenciam as decisões de um grupo, mas que, embora presentes, ninguém menciona jamais. (A expressão é originária de “O Burlador de Sevilha”, obra de teatro atribuída à Tirso de Molina.)

É o caso dos idosos e a vacina CoronaVac. Há duas semanas, reclamei dos porta-vozes do Governo de São Paulo, ao apresentar dados preliminares (incompletos) sobre a Fase 3 da CoronaVac, terem evitado especificar se ela seria igualmente eficaz para todas as faixas etárias ou não. Afinal de contas, dos 3 testes clínicos envolvendo a vacina Sinovac – Turquia, Indonésia e Brasil – o Brasil foi o único a incluir idosos entre os voluntários testados.

Pois bem, na quinta-feira (07/01) foram apresentados os resultados da CoronaVac ao respeitável, e depois à ANVISA, no dia seguinte. E algo sobre os idosos, que é bom, que eu saiba, nada de novo. Ora, senhores do Centro de Contingência, somos 30 milhões de contingenciados no país todo, pouco menos que a população do Canadá! Tem alguém aí? Cadê os dados?

Atenção! Na Indonésia os dados de eficácia também não foram divulgados, e o país anunciou nesta terça-feira (05/01) que vai começar a vacinar sua população contra a Covid-19 a partir de 13 de janeiro. (Cá entre nós, o teste clínico da Indonésia foi pífio e seguramente a decisão é baseada nos resultados obtidos no Brasil.)

Na Turquia, as autoridades turcas anunciaram na quinta-feira que a CoronaVac tem uma taxa de eficácia de 91,25%, mas a descoberta foi baseada em resultados preliminares de um pequeno ensaio clínico e nenhum dos dados foi publicado em um jornal ou postado online.

Por esses dias, amostras da vacina CoronaVac levadas para a capital Ankara, estão sendo testadas nos laboratórios do Ministério da Saúde para aprovação de uso de emergência.

Em suma, um total de 7.371 voluntários estiveram envolvidos no estudo turco, mas os dados de eficácia foram baseados em apenas 1.322 participantes, 752 dos quais receberam uma vacina real e 570 dos quais receberam o placebo. Esses números são muito inferiores aos declarados no Brasil.

Bem que eu gostaria de dizer que está tudo claro, cristalino, com relação à eficácia das vacinas brasileiras, mas não posso. Seriamente, por enquanto, o único que se pode assegurar é que ambas são seguras e, em termos de eficácia, que “dão para o gasto” – estão acima de 50%, o mínimo exigido pelas agências sanitárias.

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