O “novo normal” vem aí. Cuidado com os riscos inocentes.

O “novo normal” vem aí. Cuidado com os riscos inocentes.
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À essa altura, até as pedras ouviram dizer – aliás, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz disso um mantra – que a transmissão de gotículas ocorre quando uma pessoa que está infectada, fala, tosse ou espirra em cima de outra que não o está, transmitindo gotículas respiratórias potencialmente infecciosas que esta captura pela boca, nariz e olhos.

Esse é o lado iluminado da Lua, porém. E é nele que a mídia tem se concentrado.

Esse post se concentra no lado oculto da Lua – o dos ambientes e situações que geram riscos inocentes. E letais.

“Assuma riscos calculados. Isso é bem diferente de ser precipitado”.

George S. Patton

A maioria de nós daria um dente para as coisas voltarem ao normal. Como se “aquele” normal fosse hoje tão inofensivo quanto era antes da pandemia! Alguns aspectos dele não são mais. No final desse post você poderá assistir um breve vídeo que preparei para exemplificar esse ponto.

Mas antes, tracemos o cenário.

“Estamos perdendo a guerra para o vírus”, declarou nessa semana o Dr. Dimas Covas, coordenador do Centro de Contingência da Covid-19 de São Paulo.

Há cinco semanas, no post Domingo de páscoa. O dia que a vaca foi pro brejo!, eu antecipei isso. E desde então, a quarentena foi definhando, definhando…

Mas não vou comentar isso agora, exceto para alertar você sobre o aumento do risco de contaminação com o novo coronavírus por conta da falência da estratégia de isolamento social. Maior afluxo de gente em locais públicos, maiores chances de o vírus pegar você.

“Ah, mas eu me cuido – lavando as mãos compulsivamente, tossindo no cotovelo até sufocar, etcétera” – você replica.

Parabéns, policiar o contato corporal com outros bípedes é ótimo, mas isso ameniza apenas a metade do risco contaminante.

Como assim?

Eu explico.

Baseada numa pesquisa realizada na China, a OMS registra o seguinte:

“A transmissão também pode ocorrer através de fômites no ambiente imediato ao redor da pessoa infectada.”12

Um fômite? Aposto que você, como eu e mais 7 bilhões de pares, jamais ouviu falar nisso, em fômites, mas os cientistas têm suas maneiras de tornar a ciência ininteligível, longe do alcance do povo. E suas razões também, suponho.

Um fômite, enfim, é qualquer objeto inanimado ou substância capaz de absorver, reter e transportar organismos contagiantes ou infecciosos, de um indivíduo a outro. Ou seja, mais ou menos qualquer coisa que não respire. Portanto, a transmissão do vírus COVID-19 pode ocorrer também por contato direto com superfícies no ambiente imediato ou com objetos usados na pessoa infectada. Um estetoscópio ou termômetro. A tampa de uma privada. Uma lata de cerveja. Sapatos contaminados podem espalhar doenças nos pés e na boca, sabia?

Em suma, certos ambientes apresentam riscos ocultos, casuais, inocentes, capazes de contaminar e matar tanto quanto o beijo da Mulher Aranha, se infectada ela estiver.

  • Ambientes como os de um supermercado, ou o próprio carro, e que apresentam graus diferentes de risco porque no primeiro você entra precavido, e no segundo, provavelmente não – afinal, é o seu carro. E por mais que você tenha limpado o painel com álcool em gel, será que limpou também as chaves?

E situações também – entendendo por “situação”, o local, circunstância ou oportunidade em que você é chamado a fazer algo.

  • Situações como ter que subir ao décimo andar de um prédio e apertar distraidamente o botão do elevador; ou apoiar as mãos no balcão da farmácia, ou tirar os sapatos do lado da cama antes de deitar.

Até aqui então, você percebe a infinidade de detalhes à espreita em ambientes e situações, todos eles cheios de fômites – ora, eu gostei do termo: Eu fomito, tu fomitas, ele fomita…– representando risco inocente e potencialmente letal?

Agora agreguemos a esse risco a oportunidade de desfrutá-lo. Que tal a visita a um restaurante?

Sim, um restaurante.

Segundo pesquisa realizada pelo DataFolha em meados de 2019, o paulistano de classe média costumava “ir a restaurantes por lazer… ao menos uma vez a cada 15 dias”. A estatística não deve ser muito diferente noutras capitais.

Ok, muitos restaurantes por enquanto estão fechados, mas a sua abertura é questão de tempo, pouco tempo. Você ou alguém de sua família logo, logo irá se ver nessa, acredite.

Tal acontecimento reúne um ambiente (várias mesas reunidas entre quatro paredes) e uma situação (confraternização, negócio, cantada) que, juntos, constituem um risco inocente. Risco grande? Pequeno? Nenhum?

Convém examinar isso AGORA, para não se lamentar DEPOIS. (Prevenção de riscos chama isso – já ouviu falar?).

Assista esse vídeo made-by-mim-mesmo e tire suas conclusões.

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