O paciente esperto - Parte 1

O paciente esperto - Parte 1

Conheça um método simples para escolher dentre dezenas de terapias a que mais lhe convém para tratar da sua dor crônica.

“O cenário mais estressante é quando você realmente não sabe”.

Alice G. Walton, PhD em Neurociência
Não sabe o que houve, ou o que há, ou o que vai acontecer… sobre qualquer coisa que lhe interesse. Quanto mais se o interesse tem a ver com a própria saúde.

Num post anterior vimos que, no caso do paciente com dor lombar crônica, a incerteza pode ser provocada por um grande número de opções terapêuticas no mercado, algumas das quais sem eficácia clínica garantida.

O que fazer diante desse quadro por demais confuso?

Ah, fácil! Marca-se uma consulta com quem sabe, um profissional da saúde… um médico, um fisioterapeuta…

Nada contra, mas suponhamos que você, portador de uma doença crônica – nas costas, por exemplo – já fez isso. E deu em nada. Após muito tempo, dinheiro e esperança perdida, a sua dor continua a mesma.

Então talvez uma classificação das terapias disponíveis no mercado possa ajudá-lo a encontrar, você mesmo, um caminho. Apenas talvez, mas vale tentar.

Classificar fenômenos, coisas, conceitos etc., foi a maneira mais primitiva de entender o mundo, a vida, enfim. Dois mil anos A.C. sacerdotes egípcios classificavam venenos de cobra; duzentos anos A.C. chineses classificavam componentes do sistema endócrino – ambos com fins medicinais. Eram os primórdios da ciência.

Longe de ter pretensões científicas eu classifiquei 74 opções terapêuticas, em geral associadas à dor crônica musculoesquelética. Assim você pode ter uma idéia geral do campo do jogo e dos jogadores, ou escolher o capitão do time e/ou armar um esquema de meio campo combinando os talentos de vários.

Os critérios de classificação são dois: 1) FOCO (Psicossocial ou Biomédico); e INDEPENDÊNCIA (Autogerenciamento ou Ajuda Externa). A acupuntura, por exemplo, foca o Corpo e requer Ajuda Externa; a meditação, por sua vez, foca na Mente e não requer Ajuda Externa.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

Por que esses dois critérios?

O critério FOCO se refere a ênfase da terapia. As terapias disponíveis podem invadir o paciente fisicamente – com uma injeção, incisão, ou até manipulação óssea – ou atentar para a mudança de comportamentos, crenças, e/ou emoções que estejam provocando ou colaborando com a dor ou a doença subjacente.

O outro critério, o da INDEPENDÊNCIA, é estritamente pessoal. Ele tem a ver com a índole do paciente. Há quem deseje e se sinta capaz de ser sempre o dono do seu destino e suas circunstâncias, e quem, ao contrário, prefira delegar ou terceirizar suas responsabilidades – com relação a própria saúde, no caso. A explicação para essas tendências pode estar no DNA, na experiência de vida, ou no que for.

Estude a matriz durante uns segundos. Pense nas terapias que você conhece. A maioria se encaixa perfeitamente nos quadrantes 1, 3, 4 e 6. Já os quadrantes 2 e 5 correspondem a uma área de fronteira. As terapias aqui posicionadas podem ser aplicadas com ou sem ajuda de terceiros – depende de quanto o paciente está disposto a agir sozinho. A Terapia Cognitiva Comportamental, por exemplo, abrange um arcabouço de técnicas, algumas das quais podem ser aprendidas e autoaplicadas, e outras onde o concurso de um especialista é imprescindível.

Qual a vantagem de contar com uma matriz como essa? A do paciente mapear o que o mercado da saúde oferece, e escolher – junto com seu médico, de preferência – a(s) opção(ões) terapêutica(s)mais adequadas à sua natureza e/ou condição (ex.: capacidade financeira). Tudo isso, em menos de cinco minutos.

As opções, lembremos, são muitas. Portanto, fique atento ao próximo post, onde irei classificá-las.

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1 comentário
  1. ‘E um fator complicador o fato de o paciente ainda sofrer de herpes zoster nas costas e radiculopatia nos membros inferiores ?

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