O que é um Neurotag da dor?

O que é um Neurotag da dor?

Se você nada fizer para aliviar a sua dor crônica nas costas, ela não vai ficar do jeito que está, sabia? Vai ficar cada vez pior.

Dr. Joe Tatta
19 de maio de 2016

Todos têm neurotags, e se você sente dor crônica, um neurotag pode desempenhar um papel particular em seus sintomas. Aprender sobre como o cérebro interpreta e se adapta a um input pode ajudá-lo a tomar medidas para gerenciar sua dor.

O que é um Neurotag?

Existem bilhões de neurônios em um único cérebro, e cada um pode formar conexões com outros neurônios para enviar sinais para destinos específicos ou para amplificar esses sinais. À medida que um grupo de neurônios associados cresce, cresce também a sua capacidade de espalhar mensagens por todo o cérebro.

“Células que disparam juntas, estão “cabeadas” juntas”.

Teoria de Hebbian
Quando algum dos seus sentidos pega um detalhe do ambiente, um cheiro, por exemplo, regiões inteiras de neurônios são ativadas ao mesmo tempo. Os neurônios que aprenderam a se relacionar entre si na interpretação de uma única entrada (ou input) coletivamente formam um neurotag. Quanto mais relevante o input é para a sobrevivência, melhor a sua capacidade para comunicar um grande número de neurônios. Este mecanismo explica como certos inputs podem desencadear a memória de modo reflexivo. Por exemplo, se você cheira o perfume que você usou no ensino médio, você pode experimentar uma lembrança vivida de se sentar na aula quando era mais jovem. Ou, se você ouvir uma música que foi incluída em uma lista, que sua ex-namorada fez para você, você pode sentir instantaneamente as emoções que você sentiu originalmente no relacionamento e na ruptura.

O cérebro é extremamente complexo, mas isso aumenta a probabilidade de imprecisões no processamento. Neurotags podem ser formados e fortalecidos por coincidência, erro ou apenas repetição.

Como os neurotags estão envolvidos na dor?

Quando você se machuca, o cérebro interpreta danos ao corpo ou danos pendentes. É muito importante que o cérebro possa mudar de forma rápida e eficaz o seu comportamento. Assim, a dor é extremamente eficiente no envio de mensagens através de todas as regiões do cérebro. Por exemplo, imagine que você está tendo uma conversa na sua cozinha. Distraído enquanto fala, você se inclina para trás em um fogão quente. Quase instantaneamente, você recebe um choque antes mesmo de ter pleno conhecimento do que aconteceu. Tocando-se nas costas e olhando ao redor, você experimenta hiperfoco, estresse e medo ao mesmo tempo. O hiperfoco está relacionado à resposta de “luta ou fuga” e pretende aumentar suas chances de sobreviver a uma situação de alto risco, onde cada segundo conta. O estresse ativa vários circuitos neurais que podem alterar processos da cognição ao metabolismo para ajudá-lo a tomar decisões rápidas e perseverar. O medo é uma das respostas mais bem comunicadas no cérebro, que pode até criar memórias intensas para lembrá-lo de como reagir a situações semelhantes no futuro. Devido à relevância óbvia da dor na sobrevivência, experimentar esta situação uma única vez sozinho pode ser o início de um neurotag disseminado. Eventualmente, esses neurônios podem disparar como resultado de qualquer toque tátil nas costas, ou mesmo apenas pensando no evento.

Como os neurotags mudam ao longo do tempo?

  • Imprecisão e desinibição: entre os bilhões de neurônios no cérebro, é muito comum alguns neurônios se juntarem ocasionalmente no processo de ativação de uma reação. Em outras palavras, imagine que você está sentado em um salão de baile cheio, e um homem no palco está gritando ordens constantes para que os indivíduos se levantem momentaneamente com base na cor da sua camisa. Ao longo do tempo, você pode se levantar por acidente, esquecendo de sentar-se, ou se importando menos em apontar esses erros em outros. Sua própria inexatidão é a imprecisão, e a incapacidade de parar os erros dos outros é a desinibição.
  • Facilitação e Sensibilização: Em contraste com o acima exposto, esses fatores representam uma maior eficiência do circuito da dor. Se você estiver sentado no mesmo salão de baile lotado e se esforçasse para estar atento, você pode levantar e sentar muito rapidamente depois de ouvir a cor da sua camisa sendo chamada. Durante uma sequência em que essa cor é chamada várias vezes seguidas, você pode nem sequer sentar completamente entre as chamadas. Aprender a processar a dor de forma mais rápida melhora a facilitação, e reagir a estímulos mais silenciosos ou mais curtos é a sensitização. Quando você está lidando com dor crônica, há muito mais envolvido do que a área física do corpo. Há implicações de emoção, medo, estresse e mais – e você merece uma abordagem de tratamento que atenda todos os seus sintomas. As drogas não são capazes de tratar efetivamente todos os problemas associados à dor persistente. Compreender como a dor funciona é uma das ferramentas mais fortes para obter alívio.

Referências:

  1. Siegrid Löwel, From Wikipedia, the free encyclopedia
  2. S Lowel, W Singer, Selection of intrinsic horizontal connections in the visual cortex by correlated neuronal activity. Science 10 Jan 1992: Vol. 255, Issue 5041, pp. 209-212DOI: 10.1126/science.1372754
  3. Guide to scientific products, instruments and services: science innovation; meeting abstracts. Washington, DC : Assoc., 1992-1993.
  4. Noiproducts, Explain Pain 2nd Edn. book

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