O uso de comics no alívio da dor crônica

O uso de <em>comics</em> no alívio da dor crônica

Nessa semana temos o Comic Con Experience em São Paulo. Movimenta quase um quarto de milhão de pessoas e mais de um quarto de bilhão de dólares, a mídia diz. Ou seja, comics transmite, sensibiliza, movimenta… E será que cartuns – antecessores dos comics – podem ter efeito similar na população dos que sofrem com dores crônicas? Será?

“Nunca vá a um médico cujas plantas do seu consultório morreram.”

Erma Bombeck

Nota do blog: “E a atitude da secretária, também”.

Você está com dor há tempos e vê a imagem acima. O que você sente? Uma sensação boa, ruim ou indiferente?

Difícil saber, cada cabeça, uma sentença! Mas uma coisa é certa: alguns sentem prazer… e isso pode servir para aliviar a dor.

Pesquisadores da University of Southampton recentemente demonstraram isso. Eles começaram com quatro convicções, um objetivo e um plano.

As Convicções:

  • A ignorância gera incerteza, a incerteza gera estresse, e o estresse agrava a dor crônica.
  • Conhecer sobre a própria dor não é cultura inútil, é terapia. Em conjunto com outras terapias, a educação em dor comprovadamente alivia a dor crônica.
  • No âmbito da educação em dor o papel de educador cabe ao professional da saúde – o(a) médico(a), especialmente. (Apenas ao que parece ele(a) ainda não sabe. Ou não quer saber.)
  • Esse papel será mais facilitado quanto mais forte for o vínculo médico-paciente.

O Objetivo:

Avaliar o uso de cartuns como meio de comunicação entre médico e paciente no âmbito da educação em dor.

O Plano:

Baseando-se em conversas com pacientes com dor crônica, selecionar cartuns a serem usados pelos profissionais da saúde para educar (os pacientes) sobre a dor e seu gerenciamento.

A Dra. Ann Kennedy, a autora do estudo, decidiu experimentar usando cartuns baseados na experiência dos próprios pacientes. E assim foi possível usar o feedback destes para criar uma série de cartuns refletindo experiências, problemas e ansiedades típicas e comuns.

Este cartum, por exemplo, foi desenhado para representar os sentimentos dos pacientes nas salas de espera de hospitais e consultórios.

Após receberem os desenhos, os pacientes – todos eles com doença renal crônica – foram solicitados a opinar sobre dois aspectos:

  • o uso de cartuns e do humor em informações regulares ao paciente e,
  • a avaliação dos cartuns apresentados.

Previsivelmente, as reações foram variadas.

Alguns exemplos a seguir:

  • Adorei o primeiro! (Comemoração)
  • Isso é verdade! (Confirmação)
  • Cartuns bonitos, mas não os mais engraçados que eu já vi. (Desprezo)
  • Estes são os cartuns mais estranhos e sem graça que eu já tive a infelicidade de olhar. (Rejeição Ofensiva)
  • Os britânicos sempre foram renomados por seu senso de humor, mas (agora) temos que ter muito cuidado com o que dizemos, caso machuquemos o sentimento de alguém ou ele(a) se sentir insultado. (Prevenção)

No geral, todavia, os pacientes consideraram os cartuns úteis para aliviar o tom da informação e disseram que estes lhes davam uma visão e compreensão que não tinham antes.

Os cartuns, diz a Dra Kennedy, podem ser desafiadores e provocar respostas emocionais “difíceis”. Mas também podem ser usados para ajudar as pessoas a se adaptarem à sua situação, e para dissipar equívocos estressantes sobre a dor (ex.: “Se doer todo o corpo só pode ser câncer”).

Ela tem razão. Termos como “crônica”, fibromialgia, patologia… aterrorizam a freguesia que um dia levanta da cama com dor já fazem 6 meses.

A palavra “crônica”, por exemplo, é muitas vezes (mal) interpretada como significando algo terminal, fatídico, fim de linha… Na pesquisa, o termo efetivamente “chocou” alguns dos pacientes, mas de todo modo originou uma conversa em que o médico esclareceu o que se passava com eles. E em muitos casos aquilo nem era tão terrível quanto pensavam que fosse.

Pelo visto, cartuns são uma forma criativa e relativamente barata de ajudar os profissionais da saúde a educar seus pacientes sobre a dor crônica e seu gerenciamento.

E eu com isso? Embarquei nessa canoa. Afinal, no enfrentamento da dor crônica a educação em dor do paciente é essencial e para facilitá-la vale recorrer a meios convencionais (ex.: sala de aula) ou a outros nem tanto. Desde que funcionem, todos são válidos.

Veja aqui o que o blog preparou usando cartuns.

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