Os 10 fundamentos de como “recabear” seu cérebro

Os 10 fundamentos de como “recabear” seu cérebro

O poder da plasticidade cerebral pode ajudar as mentes dos adultos a crescer. Embora certas máquinas cerebrais tendam a diminuir com a idade, há passos que as pessoas podem dar para aproveitar a plasticidade e revigorá-las. Veja aqui como, conforme um neurocientista especializado em neuroplasticidade.

Autora: Debbie Hampton

A neuroplasticidade tornou-se uma palavra-chave na psicologia e nos círculos científicos, bem como fora deles, prometendo que você pode “recabear” o seu cérebro para melhorar tudo, desde a saúde ao bem-estar mental e até a qualidade de vida. Há muitas informações conflitantes, enganosas e erradas sobre isso.

O que é Neuroplasticidade?

Resposta: é um termo abrangente que se refere à capacidade do seu cérebro de reorganizar-se, tanto física como funcionalmente, ao longo da sua vida devido ao seu ambiente, comportamento, pensamento e emoções. O conceito de neuroplasticidade não é novo e as menções de um cérebro maleável existem desde o século XIX. Graças ao recurso relativamente novo de “ver” dentro do cérebro, a ressonância magnética funcional (fMRI), a ciência confirmou a incrível capacidade de mudança do cérebro além de qualquer dúvida. Esse conceito substituiu a antiga crença de que o cérebro adulto era um órgão fisiologicamente estático ou rígido, após passar por períodos críticos de desenvolvimento na infância. Embora seja verdade que o cérebro é muito mais plástico durante os primeiros anos e que sua capacidade diminui com a idade, a plasticidade acontece durante toda a vida.

Como a neuroplasticidade aparece na sua vida

A neuroplasticidade torna o cérebro extremamente resiliente e é o processo pelo qual toda aprendizagem permanente ocorre, como tocar um instrumento musical ou dominar uma linguagem diferente. A neuroplasticidade também permite que as pessoas se recuperem de acidentes vasculares cerebrais, lesões e anormalidades de nascimento, superem o autismo, o ADD/TDAH (Transtorno por Déficit de Atenção), dificuldades de aprendizagem e outros déficits cerebrais, diminuam a depressão e vícios, e revertam padrões obsessivos compulsivos. As implicações de longo alcance e possibilidades da neuroplasticidade atingem quase todos os aspectos da vida e da cultura humana, desde a educação até a medicina. Os seus limites ainda não são conhecidos. No entanto, essa mesma característica, a do cérebro se tornar incrivelmente resiliente, também o torna vulnerável a influências externas e internas, geralmente inconscientes. Em seu livro O cérebro que muda a si mesmo: Histórias de Triunfo Pessoal desde as Fronteiras da Ciência do Cérebro, Norman Doidge chama isso de “paradoxo plástico”.

“Eu conheço o poder da neuroplasticidade em primeira mão, enquanto desenvolvi meus próprios exercícios caseiros de neuroplasticidade, baseado na experiência de anos lutando para me recuperar de uma lesão cerebral, resultado de uma tentativa de suicídio. Além disso, através de práticas comportamentais cognitivas extensivas, meditação e atenção plena, que estimulam a mudança neuroplástica, superei a depressão e a ansiedade, e consegui a melhoria da saúde mental e da vida. Foi também por causa de mudanças neuroplásticas que me tornei enraizado em padrões depressivos, ansiosos, obsessivos e em reações excessivas em primeiro lugar”.

Os Dez Fundamentos da Neuroplasticidade

A ciência confirmou que você pode acessar a neuroplasticidade de várias maneiras para levar adiante mudanças positivas em sua vida, mas não é tão fácil como alguns acreditam. No artigo, Neuroplasticity: você pode recabear seu cérebro?, Sarah McKay, neurocientista, escreve:

“A plasticidade pode ser ativada na idade adulta quando condições específicas que a permitem ou desencadeiam são atendidas. O que a pesquisa recente mostrou é que, nas circunstâncias certas, o poder da plasticidade cerebral pode ajudar as mentes dos adultos a crescer. Embora certas máquinas cerebrais tendam a diminuir com a idade, há passos que as pessoas podem dar para aproveitar a plasticidade e revigorar essa maquinaria”, explica Merzenich.

Essas circunstâncias incluem atenção concentrada, determinação, trabalho árduo e manutenção da saúde geral do cérebro. Em seu livro, Soft-Wired: Como a nova ciência da plasticidade cerebral pode mudar sua vida, o Dr. Michael Merzenich (que o Dr. McKay cita acima), um dos pioneiros na pesquisa de plasticidade cerebral e co-fundador da Post Science, lista dez princípios fundamentais necessários para a remodelação do cérebro ocorrer:

  1. A mudança é principalmente limitada às situações em que o cérebro se sente a vontade. Se você está alerta, envolvido, motivado, pronto para a ação, o cérebro lança os neuroquímicos necessários para permitir a sua própria mudança. Quando desativado, desatento, distraído ou fazendo algo sem pensar que não requer nenhum esforço real, seus interruptores neuroplásticos permanecem “desligados”.
  2. Quanto mais difícil seja o que você tenta, mais você estiver motivado e alerta, e melhor (ou pior) for o resultado potencial, mais o seu cérebro irá mudar. Se você estiver intensamente focado na tarefa e/ou tentar dominar algo por uma razão importante, a mudança experimentada será maior.
  3. O que muda no cérebro é a força das conexões entre os neurônios que agem em conjunto, momento a momento, no tempo. Quanto mais algo é praticado, mais conexões neurais são alteradas e obrigadas a incluir todos os elementos da experiência (informação sensorial, movimento, padrões cognitivos etc.). Você pode pensar nisso como sendo um “controlador mestre” criado especificamente para esse comportamento particular que lhe permite ser executado com muita facilidade e confiabilidade ao longo do tempo.
  4. Mudanças nas conexões orientadas para a aprendizagem aumentam a cooperação célula-a-célula, o que é crucial para aumentar a confiabilidade. Merzenich explica isso, pedindo a você para imaginar o som de um estádio de futebol cheio de fãs aplaudindo aleatoriamente comparado com o som das mesmas pessoas aplaudindo em uníssono. Ele explica: “quanto mais poderosamente coordenadas sejam suas equipes (de células nervosas), mais poderosas e confiáveis ​​suas produções comportamentais”.
  5. O cérebro também fortalece suas conexões entre equipes de neurônios que representam momentos separados de coisas sucessivas que ocorrem confiavelmente em série ao longo de um período de tempo. Este processo permite que seu cérebro preveja “o que acontece a seguir” e tenha um “fluxo associativo” contínuo. Sem essa habilidade, seu fluxo de consciência seria reduzido a “uma série de poças de água separadas e estagnadas”, explica Merzenich.
  6. Mudanças iniciais são temporárias. Seu cérebro primeiro registra a mudança, e depois então determina se ela deve se tornar permanente ou não. Ela só se tornará permanente se o seu cérebro julgar a experiência como fascinante ou nova, ou se o resultado comportamental for importante, bom ou ruim.
  7. O cérebro é alterado por meio de um ensaio mental interno, da mesma maneira e envolvendo precisamente os mesmos processos, que controlam as mudanças alcançadas através das interações com o mundo externo. De acordo com Merzenich, “Você não precisa mover uma polegada para gerar mudança plástica positiva em seu cérebro. Suas representações internas das coisas lembradas pela memória funcionam muito bem a favor de uma aprendizagem progressiva baseada na plasticidade do cérebro “.
  8. A memória guia e controla a maior parte do aprendizado. À medida que você aprende uma nova habilidade, seu cérebro toma nota e lembra das boas tentativas, descartando as não tão boas. Então, ele lembra a última boa passagem, faz ajustes incrementais e melhora progressivamente.
  9. Todo movimento de aprendizado proporciona um momento de oportunidade para o cérebro se estabilizar – e reduzir o poder disruptivo de – ruídos de fundo potencialmente disruptivos. Cada vez que seu cérebro fortalece uma conexão para promover o seu domínio de uma habilidade, também enfraquece outras conexões de neurônios que não foram usadas ​​nesse preciso momento. Esta mudança plástica de cérebro apaga algumas das atividades irrelevantes ou que interferem no cérebro.
  10. A plasticidade cerebral é uma rua de dois sentidos. É igualmente fácil gerar mudanças negativas como positivas. Você tem um cérebro do tipo “use-o ou perca-o”. É quase tão fácil gerar mudanças que prejudicam a memória e as habilidades físicas e mentais, quanto fazer o contrário e melhorar essas coisas. Merzenich diz que as pessoas mais velhas são mestres absolutos em incentivar a mudança plástica de cérebro na direção errada.


Tradução livre do artigo The 10 Fundamentals Of Rewiring Your Brain, de Debbie Hampton, publicado em 04/Outubro/2015 no site The Best Brain Possible

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