Os mitos que cercam um certo vírus

Os mitos que cercam um certo vírus
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Mitos são invenções da imaginação que ajudam a aceitar a vida tal como ela não é. E isso é bom às vezes. Quando você quer se sentir mais forte, heroico, ou destemido, no caso dos homens, ou linda, amada e mágica, no das mulheres. Personagens como Aquiles e Helena, John Kennedy e a Princesa Diane, servem a esse propósito mentiroso, mas saudável. O diabo é quando os mitos são mentiras insalubres – e insalubres ao ponto de serem letais – como é o caso dos que cercam o coronavírus. Este post lista os mais populares no momento.

“Há algo de fraco e um pouco desprezível em um homem que não pode enfrentar os perigos da vida sem a ajuda de mitos confortáveis.”

Bertrand Russell

Mês passado, uma mulher chinesa consumiu 1,5 kg de alho cru. Foi parar no hospital. Ela ouvira falar que comer alho ajuda a prevenir infecções. (O lado positivo: com o hálito que saiu da experiência, ela ganhou um “voucher de distanciamento social” para o resto da vida.)

Aquilo do alho era um mito, claro. Segundo a Organização Mundial da Saúde, embora o alho tenha propriedades antimicrobianas, não há evidências de que consiga proteger as pessoas do COVID-19.

Beber água a cada 15 minutos libera qualquer vírus que possa ter entrado na boca, é outro delírio mitológico. Porém, um em cada seis britânicos (16%) acha que isso é verdade.

Não há povo que tenha deixado de inventar mitos nos seus tempos antigos. Gregos, mongóis, astecas, esquimós, em distintas partes do planeta recorriam a mitos para achar sentido na própria existência. A vida moderna, a ciência e a tecnologia, acabou com isso: o mito virou mentira, engodo. E é esse o significado que eu estou lhe dando aqui.

Cercando o Covid 19 há mitos variados, uns o explicam, outros mostram como se livrar dele. Todos servem para absolutamente nada, exceto confundir. Vejamos,

Mito 1: Pegar o coronavírus é uma sentença de morte.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença do Covid 19 possui uma taxa de fatalidade próxima entre 3 e 4 %, em média. Na China é de 2,1 no país, e de 4,9% em Wuhan. A taxa de mortalidade em pacientes hospitalizados é de 15%.

Mito 2. Usar uma máscara facial protege plenamente do vírus.

Pouco mais de um quarto dos britânicos diz que este mito é definitivamente (6%) ou provavelmente (22%) verdade. Uma máscara oferece uma sensação de segurança. Mas o problema é que as pessoas que usam essas máscaras geralmente não as usam adequadamente. Eles nunca foram realmente treinados. Eles podem não saber que tipo de máscara usar.

Mito 3. O vírus afeta apenas pessoas mais velhas.

Isso é uma meia verdade. Afeta todos, até crianças. As pessoas mais velhas, no entanto, são as que têm maior probabilidade de ter doença grave ou doença mais grave.

Mito 4. O coronavírus é o mesmo que o SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave).

O novo coronavírus está na mesma família que o vírus SARS. Existem agora três coronavírus, conhecidos por causar infecções mais graves em humanos. SARS é um deles. MERS, que é a síndrome respiratória do Oriente Médio, é o outro. E agora o Covid 19.

Mito 5. Meu animal de estimação poderia me dar o vírus.

Madad: Então, com o coronavírus, você sabe, ainda há muito que não sabemos. No momento, não vimos nenhum caso em que animais transmitissem o vírus a seus proprietários. Morse: É mais provável que você o dê ao seu animal de estimação do que o contrário.

Mito 6. O coronavírus foi deliberadamente criado ou liberado na China.

O Coronavírus foi originado em um laboratório chinês.

Um quinto dos britânicos acha que é esse o caso, enquanto outro quinto não tem certeza. Não há nenhuma evidência para substanciá-lo. As doenças infecciosas são naturais no ambiente. Podem advir de mudanças climáticas, fatores ecológicos, fatores agrícolas, comportamento humano. E isso está constantemente acontecendo ao nosso redor. Portanto, os surtos são inevitáveis.

Mito 7. Antibióticos previnem e tratam o vírus.

Vírus e bactérias são dois micróbios diferentes. Então, usamos antibióticos para bactérias. Para vírus, usamos medicamentos antivirais. E assim, por exemplo, para aliviar a gripe sazonal, um destes é o Tamiflu, um medicamento antiviral. Portanto, para o Covid 19 os antibióticos não funcionam, a menos que a pessoa tenha infecções secundárias de natureza bacteriana.

Mito 8. A vodka pode ser usada como desinfetante para as mãos.

Um quarto dos britânicos diz que isso provavelmente é verdade e 7% acredita que é completamente verdade. Quando, de fato, não há álcool suficiente na vodka para matar efetivamente micróbios.

Mito 9. O coronavírus pode sobreviver em superfícies por até um mês.

Quase três em cada 10 também acreditam que o coronavírus pode viver em superfícies por até um mês, o que é improvável. O New England Journal of Medicine publicou recentemente um estudo que mostrou que o vírus pode viver em algumas superfícies, incluindo metal, por até três dias.

Mito 10. Se você conseguir prender a respiração por 10 segundos, não tem coronavírus.

Um em cada seis (16%) acha que esse teste é verdadeiro. Um número semelhante também acredita que beber água a cada 15 minutos liberará o vírus.

“O maior mentiroso do mundo é o ‘Eles Dizem’.”

Douglas Malloch

Mito 11. O Coronavírus é como a gripe.

Quase um quarto dos homens no Reino Unido (24%) acredita incorretamente que o coronavírus é “exatamente como a gripe”, em comparação com apenas 16% das mulheres. Na verdade, a taxa de mortalidade é significativamente maior para esta pandemia atual do que para a gripe normal – aproximadamente 7 vezes mais. Há também uma taxa muito maior de pacientes que precisam de tratamento intensivo.

Mito 12. A vitamina C ajuda a se prevenir de contágio pelo coronavírus.

A eficácia da vitamina C ou de outros suplementos supostamente estimulantes do sistema imunológico, é uma falácia de longa data. Mesmo nos casos de resfriados ou gripes, a vitamina C não mostrou um benefício consistente. Se houver uma vantagem, será mínima.

Mito 13. Use luvas ao tocar superfícies comuns, como botões de elevador e postes de metrô.

Eventualmente, as próprias luvas ficam contaminadas. Muitas luvas tem poros imperceptíveis e o manuseio delas é ensinado a poucos. Simplesmente lavar as mãos com água e sabão é o mais eficaz.

Mito 14. O ibuprofeno é desaconselhável para tratar o Covid 19.

A Organização Mundial da Saúde não tem conhecimento de nenhum efeito negativo e não alerta contra o uso do ibuprofeno. Dito isto, o acetaminofeno também pode ser usado para reduzir a febre. E algumas pessoas são rotineiramente desencorajadas de tomar ibuprofeno por outros motivos, como distúrbios gastrointestinais.

Mito 15: Lavar o nariz com solução salina ajuda a protegê-lo contra o vírus.

Fato: De acordo com a Organização Mundial da Saúde, não há evidências de que lavar o nariz com soro fisiológico proteja as pessoas do coronavírus.

Mito 16: Você pode se contaminar com o coronavírus através da comida.

Conforme a seção de Perguntas & Respostas do site do Departamento de Agricultura dos EUA, nada sugere “…que o COVID-19 possa ser transmitido por alimentos ou embalagens de alimentos”. Dito isto, é sempre uma boa ideia lavar suas frutas e legumes frescos.

Mito 17: Depois de adquirir o COVID-19, você nunca mais será infectado por ele.

Alguns médicos afirmam que você provavelmente terá imunidade se contrair o COVID-19, mas outros, mais prudentes, dizem que ainda é cedo para saber. De fato, alguns pacientes que receberam alta têm voltado a se infectar, mas pode ter havido erros ao testá-los e/ou quando foi aprovada a alta.

Mito 18: Gargarejar com água morna e vinagre ou água morna e sal ajuda a matar o vírus.

De acordo com um médico do Johns Hopkins, um dos três melhores hospitais nos EUA, isso pode aliviar a dor de garganta causada pelo coronavírus, mas não mata o vírus.

Mito 19: Um secador de mãos desinfeta um objeto ou área do coronavírus.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, os secadores de mãos não são eficazes para matar o coronavírus.

Mito 20: Beber água quente mata o coronavírus.

De acordo com a Harvard Health e o Johns Hopkins, não há evidências nesse particular. Além disso, nem o CDC nem a OMS recomendam beber água quente para matar o coronavírus.

A verdade é que sobre o novo coronavírus se sabe quase nada. Estamos todos, os sábios, os cientistas e os leigos, tateando na escuridão à procura de respostas que ainda não existem. Daí que o campo para que mitos proliferem esteja totalmente aberto.

Obs: para detalhes dos dados do Reino Unido, clicar aqui.

Nota do blog:
Essas e outras informações você pode encontrar no novo aplicativo – ALÍVIO CORONAVÍRUS – que será lançado na próxima semana. Não perca.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

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