Os novos assassinos que o vírus criou

Os novos assassinos que o vírus criou
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Um apelo a João e Maria, brasileiros com até 49 anos, que acham que o vírus não vai lhes pegar, e por isso… só por isso, estão empenhados em me matar.

“Quando não há responsabilidade pessoal em nenhuma sociedade, não pode haver um governo responsável.”

Domingo Adelaja

João ou Maria, tudo bem? Este post é dedicado a vocês. Eu juraria que vi ambos nessa foto acima… Ipanema, claro.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

…ou foi mesmo nessa outra, no Braz?

Bem, pouco importa. Vocês estavam ali. E então eu pensei que não deveriam estar.

Eu vou logo lhes explicar a razão, mas antes por gentileza leiam esses dois depoimentos exemplares. Exemplares porque representam muitos dos que este blog recebe todo dia.

“Tenho sofrido com cansaço exacerbado, após 60 dias de Covid e 50% do pulmão tomado. Há 1 mês tentando me restabelecer e é difícil, viu. Infelizmente, a gente não vê ninguém falando sobre. Até dores musculares que não tinha, agora tenho. Enfim… Muito bom falar sobre isto, apesar de eu não ter ido pra UTI. Pois o pós-recuperação é muito difícil.”

Bárbara

“Tive Covid em abril, sem necessidade de internação, ao contrário do meu marido. Um mês depois, começaram as dores musculares, muitas que às vezes me impossibilitava até de virar na cama, sentar, levantar e até de andar. Também fiquei com dores nas articulações, ombros, braços, fui ao médico que diagnosticou fibromialgia e artrite pós Covid. Então desde abril, sinto dores na musculatura e articulações e todos, todos os dias sinto dores, dias mais, outro menos, mas são todos os dias. Então o problema não é só a Covid que os médicos e pacientes tem que enfrentar, mas também as sequelas incapacitantes que a Covid deixa. Fica aqui o meu comentário nesse blog e que os médicos falem mais sobre isso na mídia e de que forma podem ajudar os sequelados.”

Silvana

Que tal, João e Maria? Vocês se comoveram? Obviamente que não, se tiverem entre 18 e 29 anos, ou entre 30 e 49 anos, grupos que juntos abocanham a metade dos brasileiros – 18,1% e 29,6%, respectivamente.1 E como poderiam, sabendo que as suas chances de se infectar e morrer por conta da Covid-19 são, se não remotas, bem menores que as dos mais velhos. Vocês dois ainda estão longe disso, certo?

Pois é. Admito que me sinto um tanto ingênuo por sequer ter cogitado que vocês se comovessem a ponto de passarem a usar máscara facial, evitar aglomerações e tudo mais. Sem chance, eu sei.

Mas sou obrigado a insistir. Eu preciso aportar com o meu discurso na consciência de vocês dois, mesmo que esta seja molecularmente (quase) imperceptível. A razão é simples: eu tenho mais de 65 anos.

E acredito na Teoria da Borboleta.

Nunca ouviram falar? Poxa, vou ter que me desviar um tiquinho do assunto central para iluminar vocês.

É uma metáfora, vai. Suponho que isso, uma metáfora, vocês mais ou menos imaginam o que seja, então vamos adiante – uma metáfora meteorológica… sobre um tornado hoje vir a ser deflagrado por pequenas perturbações, como o bater das asas de uma borboleta várias semanas antes.

Ou seja, pequenas causas podem ter enormes efeitos em geral. A ideia foi aventada há um século por um eminente meteorologista, e apoiada por matemáticos e filósofos.2 Ela se aplica ao estudo do comportamento de fenômenos não lineares como árvores, rios, costas, montanhas, nuvens, furacões e, ao dos menos lineares de todos, as aglomerações em tempo de pandemia rompante e sem remédio ou vacina à vista.

Então, voltando ao assunto. Eu preciso que vocês entendam que podem me matar. Algo muito injusto, por sinal. Eu amo a vida e, que eu saiba, nada lhes devo.

Acompanhem o meu raciocínio: basta o filho de um vizinho de vocês – aquele com que trocaram duas palavras ontem e ele disse que estava um pouco resfriado, sim, esse mesmo – no colégio, na Boa Viagem, ou em Ipanema, trocar gritos com uma coleguinha – crianças  gritam, e também se infectam, sabia?, e aí tem isso das gotículas, dos aerossóis… – para ele depois em casa infectar o pai que no dia seguinte viaja para São Paulo e à noite janta no Bexiga. No ensejo, mesmo de máscara e assintomático, o dito cujo infecta mais um par de cristãos no avião e outros tantos na pizzaria. E assim por diante, mais dia, menos dia, “aquilo” chega até mim, que moro em, sei lá, Presidente Prudente. Pode ser?

Claro que pode! Pergunte à borboleta. E já pensou? Ou melhor, já pensaram nisso vocês dois?

Não, não pensaram. E sei também que não vão pensar. Fulana, Sicrana e eu, somos nada para vocês. Natureza humana, é isso.

Mas eu não desisto. E para mais uma tentativa de convencer vocês a não colocarem a minha vida em risco angariei uns depoimentos em vídeo de gente que vocês conhecem e, quem sabe, respeitam. Assistam, são apenas 7 ou 8 minutos. Eu e toda a minha família, daqui, de Presidente Prudente, agradece.

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