Precisamos falar sobre máscaras. De novo!

Precisamos falar sobre máscaras. De novo!
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A função de uma máscara facial anti-Covid-19 é a de reduzir a exposição aos aerossóis espalhados por pessoas infectadas com a doença. Para isso, elas combinam a ação de filtragem do tecido e a vedação entre a máscara e a face. Elas assim reduzem a probabilidade de infecção, mas não eliminam o risco, principalmente quando uma doença tem mais de uma via de transmissão, como no caso da Covid-19. Há máscaras e máscaras, por outro lado. E a forma de usá-las, dizem, pode afetar a sua funcionalidade. Enfim, usar máscara é hoje mandatório em locais públicos e daqui a pouco, do jeito que a coisa vai, nos fechados também. Então, quais são as melhores opções de máscara no mercado? Este post, atualizado no que há de melhor em máscaras no momento, ajudará você a fazer uma boa escolha.                                                                    

Semanas atrás, quando a Organização Mundial da Saúde por fim reconheceu que o uso de máscaras era necessário para interromper a pandemia, eu postei uma matéria que pensei teria exaurido o assunto até uma próxima pandemia. Enganei-me. A necessidade de esclarecimento apenas mudou de patamar. Antes era preciso convencer as pessoas a usarem máscaras. Agora que elas têm que usá-las ou levam multa, a questão é mostrar quais máscaras devem ser usadas, e principalmente, como – sob pena de passar o dia incomodado (com a máscara) e ainda por cima pegar uma bela infecção.

Nesse post eu não vou perder tempo falando que convém a máscara porque ela protege terceiros de você vir a infectá-los – e que isso é muito solidário, compassivo, patriótico etcétera. Esse apelo não convence em tempos de pandemia. Está claro que nesse país repleto de gente cordial, a maioria não está nem um pouco disposta a se sacrificar em prol do próximo, do bem-estar da comunidade, essas coisas etéreas. Para alguém prestar atenção, a questão a ser colocada na mesa deve ser outra:

Quão bem as máscaras faciais de tecido protegem você de respirar partículas virais vindas de terceiros?

Uma máscara facial protetora pode reduzir a probabilidade de infecção, sabe-se. Mas não elimina o risco, principalmente quando uma doença tem mais de uma via de transmissão, como é o caso da Covid-19.

Então que tipo de máscara escolher? No momento, temos duas opções estratégicas em relação a isso, digamos assim.

A primeira é tirar o melhor/maior proveito do conhecido.

Nesse sentido, duas professoras assistentes da Northeastern University (EUA) projetaram ferramentas para testar respiradores bem ajustados (como máscaras N95) e também comparar a eficiência de máscaras cirúrgicas produzidas comercialmente com máscaras artesanais quanto a remover bactérias e vírus.

Os resultados deste teste podem fornecer indicação de quais tipos/materiais de máscaras podem fornecer a melhor eficiência de remoção de partículas quando usadas conforme projetado, no entanto, é importante observar que esses testes não testam especificamente a proteção contra partículas do novo coronavírus.

As professoras desenvolveram um protocolo de teste rápido para máscaras que fornece informações sobre a eficiência na remoção de partículas, que depende da filtração do tecido e do ajuste da máscara.

Filtração

Depende de dois fatores: 1) a estrutura e a composição do tecido, e 2) o tamanho, velocidade, forma e propriedades físicas das partículas às quais está exposto.

Ajuste

Depende da qualidade do ajuste ao redor do nariz e da boca e/ou do formato impedir a passagem de aerossóis infecciosos, bem como da habilidade e atenção do usuário para usar a peça corretamente.

O Experimento

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

No experimento, o protocolo foi validado em máscaras N95. Se bem ajustada, esse tipo de máscara mostrou > 99% de eficiência na remoção de partículas. Mal ajustada, a eficiência média de remoção caiu para 90%.

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Foram testadas também três marcas diferentes de máscaras cirúrgicas comerciais. Usadas como projetadas, a eficiência média de remoção de partículas variou de 50% a 75%. No entanto, todas alcançaram quase 90% de eficiência após uma camada de nylon ser adicionada.

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As máscaras caseiras de tecido tiveram resultados altamente variáveis, de menos de 30% a quase 90% de eficiência de remoção de partículas quando usadas como projetadas. Algumas delas chegaram a ser quase tão eficazes quanto as máscaras médicas comerciais.

A adição de uma camada de meia de nylon melhorou a eficiência de remoção de partículas em quase todas as máscaras do estilo cirúrgico, mas em poucas das máscaras em forma de cone. Isso pode indicar que estas últimas têm menos vias de vazamento de ar.

As máscaras que atingiram os mais altos níveis de filtração ao usar a camada de meia de nylon incluíram uma camada de filtro (rebatimento de algodão orgânico, Pellon ou musselina de algodão frouxamente tecida).

Uma máscara facial caseira improvisada, todavia, deve ser vista como a última alternativa possível, se um suprimento de máscaras comerciais não estiver disponível. Ela pouco protege da transmissão de infecções por aerossóis.

O Mal Uso

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Curiosamente, talvez a principal conclusão do experimento foi a de que a fraqueza das máscaras anti-Covid-19 é principalmente o seu mal uso e não um material de filtro inadequado. “Mal uso”, como assim? Como o uso puro e simples é absolutamente incomum no mundo ocidental, as oportunidades de por aqui você inviabilizar a função protetiva da máscara anti-Covid-19 são muitas.

Vejamos algumas:

  • Sair sem máscara quando estiver perto de outras pessoas.
  • Fazer pausas, colocando a máscara embaixo do queixo ou na cabeça ou balançando-a em uma orelha.
  • Mexer na sua máscara quando a estiver usando.
  • Usar máscaras como substituto do distanciamento social.
  • Tocar na frente da máscara ao tirá-la.
  • Usar máscaras rasgadas ou sujas.
  • Usar uma máscara debaixo do nariz. Usar a máscara sobre o nariz também ajudará a proporcionar um melhor ajuste.


Esta última é hors concours (pronuncia-se or concur, mon chéri). Embora as máscaras sejam principalmente para capturar e desacelerar as próprias gotículas do portador, elas podem fornecer alguma proteção contra gotículas que chegam – melhor do que não usar uma – e cobrir o nariz também ajuda. Não cobrir o nariz significa respirar diretamente aerossóis infectados vindos do exterior.1

A segunda linha de ação é inventar algo melhor que o existente.

Três ex-alunos do MIT – Massachusetts Institute of Technology, fizeram justamente isso. Há poucos anos (2012) eles criaram uma empresa de e-ware, de nome Ministry of Supply, que agora começa a comercializar uma máscara anti-Covid-19 totalmente inédita em termos de material, design e filtragem.

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Ela foi desenvolvida inicialmente para profissionais da saúde na linha de frente, mas, à luz das recentes recomendações do Centers for Disease and Prevention (CDC) americano, ela já é disponibilizada para compra do consumidor. O invento TheMaskº é impresso em 3D para proporcionar tempos de produção extremamente eficientes (cada peça leva menos de nove minutos para ser tecida). Feita de uma mistura de viscose e poliéster, a TheMaskº é lavável numa máquina de lavar e o material higroscópico – que seca o ar – de que ela é feita puxa a umidade para o núcleo da fibra, tornando-a macia, respirável e seca após horas de uso. Essa maravilha é vendida ao módico preço de US$ 50,00 a unidade.

Resumo da Ópera: Qualquer máscara anti-Covid-19 precisa ser eficiente na filtragem de partículas, principalmente aerossóis. Nisso, nada de novo: a N95 é a melhor, e a caseira, a pior. The Maskº, a máscara de alta tecnologia ainda está a mostrar que vale os US$ que custa. A novidade é que a proteção oferecida mesmo pela melhor máscara do planeta será mínima se o artefato não for usado corretamente e em conjunto com outras medidas preventivas, como isolamento de casos infectados, imunização, boa etiqueta respiratória e higiene regular das mãos.

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