Riso e dor crônica: uma dupla improvável?

Riso e dor crônica: uma dupla improvável?
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Rir e dor crônica não combinam no imaginário popular, mas a ciência começa a fornecer evidências de que o humor pode aliviar o sofrimento. E humor sem riso (de verdade) não existe. Num hospital, ou numa clínica de dor, inclusive. Veja aqui alguns exemplos validados cientificamente.

“Ria sempre enquanto pode. É a medicina mais barata”.

— Lord Byron

No livro “Anatomia de uma doença”, o jornalista e autor Norman Cousins ​​relatou como intervalos de 10 minutos de risadas intensas o ajudavam a dormir duas horas sem perturbações – apesar de uma condição espinhal dolorosa que anteriormente o impedia de cochilar.

Um caso isolado?

Não, de acordo com um estudo apresentado em uma reunião do Congresso da Federação Europeia da Dor, recentemente realizado em Florença, Itália. Rir e dor crônica não combinam no imaginário popular, mas a ciência começa a fornecer evidências de que o humor pode aliviar o sofrimento.

Uma equipe de pesquisadores suíços relatou que o riso e o humor podem aumentar a tolerância à dor e melhorar a qualidade de vida. Intervenções direcionadas ao humor, portanto, deveriam fazer parte da terapia da dor.

Na pesquisa da equipe suíça, as pessoas que mais riam assistindo a filmes de comédia ou humor conseguiram manter as mãos na água gelada por mais tempo do que aquelas que não riam.

Rir ajuda as pessoas a ignorar seus problemas e aumenta a tolerância à dor.

Os efeitos da tolerância aumentada à dor duraram até 20 minutos após o término do riso. Os pesquisadores atribuíram isso ao efeito biológico do humor no corpo. De fato, os benefícios que o riso traz para a saúde são semelhantes aos dos exercícios. Para começar, eles elevam os batimentos cardíacos e fazem com que as pessoas respirem mais profundamente, oxigenando o corpo.

E temos, também, as endorfinas, os neurotransmissores encontrados no cérebro e em todo o sistema nervoso. Elas são analgésicos naturais que trabalham com os receptores opiáceos do cérebro, os mesmos receptores envolvidos com drogas opioides como a morfina, para mudar a percepção da pessoa sobre a dor. Quando as pessoas riem, seus corpos liberam essas substâncias, o que melhora o humor e reduz a tensão muscular. Há evidências de que uma pessoa com problemas para dormir por causa de uma dor crônica lombar, por exemplo, pode obter preciosas horas de sono assistindo filmes humorísticos durante o dia.

“O humor pode ser usado especificamente como uma técnica cognitiva, por exemplo, em termos de distração para controlar a dor e aumentar a tolerância à dor”.

Dr Willibald Ruch, Universidade de Zurique

E como conseguir que as pessoas riam… num hospital, por exemplo?

Já para cientistas da University of Southhampton, na Inglaterra, encontrar uma resposta à essa questão era importante uma vez que o riso une as pessoas e havia interesse em descobrir formas de melhorar a união entre médico e paciente. Eles mostraram a pacientes com doença renal crônica cartuns que descreviam situações comuns às pessoas em sua situação, incluindo experiências e ansiedades, e depois registraram as reações. No geral, elas foram significativamente favoráveis.

“O humor é frequente e naturalmente usado por pessoas com doenças crônicas para ajudá-las a ajustar e entender o que está acontecendo com elas”, diz a Dra. Anne Kennedy, autora do estudo.

Rir faz mais do que reduzir a dor; retarda a resposta ao estresse e estimula a circulação.

Outro estudo realizado em Hong Kong e publicado no Journal of Aging Research descobriu que adultos mais velhos que se envolveram em um programa de terapia de humor experimentaram níveis mais baixos de dor, além de maior felicidade e satisfação geral da vida. Outros benefícios incluíram menos solidão. Também se demonstrou que o riso ajuda a unir grupos, outro antídoto para a solidão, que é comum entre pessoas que sofrem de dor crônica.

Em suma, humor e riso são considerados reguladores da mente que ajudam um indivíduo a lidar bem com condições dolorosas e complicadas. Ambos, em conjunto ou separadamente, podem contribuir para a liberação da endorfina como uma morfina natural no cérebro e, assim, ajudar no controle da dor. Portanto, usar o humor e o riso como terapia analgésica é perfeitamente válido. Há evidências (ainda que escassas) de que recursos humorísticos – sejam teatrais (ex.: Doutores da Alegria) ou gráficos (cartuns) – podem diminuir a percepção da dor e distrair a mente do indivíduo em condições dolorosas e estressantes.

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