Saber o que você ainda não sabe sobre o vírus pode ser a sua melhor vacina

Saber o que você ainda não sabe sobre o vírus pode ser a sua melhor vacina
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Em geral, é bom informar o público sobre como reduzir o risco de infecção com um vírus letal em meio a um ataque de relatórios falsos sobre curas, tratamentos e negações sobre a gravidade da pandemia. Boa informação gera autoconfiança. O problema é de repente a pessoa achar que sabe tudo de tudo, e ficar confiante demais. Evita-se isso tendo plena consciência do ainda não sabido, que por sinal é muito no caso da Covid-19. Nesse post eu reuni 18 “vazios de informação” que, no conjunto, aconselham a qualquer brasileiro(a) com um mínimo de inteligência, conter o entusiasmo e, com ou sem vacina, redobrar as precauções nesse 2021.

“Uma grande quantidade de inteligência pode ser investida na ignorância quando a necessidade de ilusão é profunda.”

– Saul Bellow

É líquido e certo que na história da humanidade nunca houve nada melhor para conter um vírus que uma vacina segura e com eficácia superior a 50%. Porém, mesmo com várias das vacinas anti-Covid-19 já sendo aplicadas em vários países atendendo (mais ou menos) esses requisitos, há coisas que ainda não sabemos sobre elas e/ou sobre o que fazer depois de aplicadas.

No meio da euforia da boiada diante da chance de se vacinar e se ver logo livre do pesadelo, é suicida levantar “poréns”, eu sei. As chances de quem o fizer ser atropelado pelo estouro são quase certas. Isso me lembra os portadores de dores crônicas correndo às farmácias atrás do último narcótico, ansiolítico, antidepressivo ou (até) anti-inflamatório lançado no mercado. Corre risco de vida quem advertir que esse não é o caminho, que os efeitos colaterais, que há alternativas mais saudáveis etcétera. Não adianta.

Mas, enfim. Esse blog tem um papel: educar. E me ocorre que com relação a pandemia, no momento atual, falta educação. Toneladas dela.

Preencher o vazio começa por reconhecer e refletir sobre o que ainda não se sabe sobre o vírus, a Covid-19 e as vacinas, que não é pouco.

# Informação
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas 1. Não sabemos por quanto tempo as vacinas X ou Y imunizam, ou seja, protegem o vacinado de ficar doente.
Tosse 2. Não sabemos a partir de que dia, após receber a vacina, uma pessoa – contaminada ou não, para de transmitir o vírus a outras. (Ou se um dia para de fazê-lo).
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas 3. Não sabemos se separar as duas doses de uma mesma vacina por 3 meses pode dar o mesmo resultado, em termos de segurança e eficácia, entendida esta como a imunização da pessoa, que separar por 3 semanas.
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas 4. Não sabemos se tomar uma primeira dose da vacina A, e depois tomar a segunda dose da vacina B, pode provocar efeitos colaterais ou eventos adversos, ou reduzir a imunização.
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas 5. Não sabemos se as vacinas que o Brasil aplica ou cogita aplicar, funcionam igualmente, em termos de eficácia, para todas as faixas etárias acima de 18 anos.
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas 6. Não sabemos quantas pessoas precisam se vacinar no país, nem em quanto tempo, para se alcançar a imunidade de rebanho.
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas 7. Não sabemos se as vacinas que se cogita aplicar no Brasil, ou as que já se aplicam, se manterão tão seguras e eficazes diante de uma variante mais agressiva do vírus, a de Manaus, por exemplo, quanto o são diante da sua versão original.
Ensaio / Seringa 8. Não sabemos o quanto da eficácia prometida por uma vacina a partir do averiguado na fase 3 do seu ensaio clínico varia em função de fatores (ambientais, genéticos, gravidez, microbiota...) específicos do vacinado.
Ambiente fechado 9. Não sabemos com quanta gente alguém pode se relacionar num ambiente fechado, a distância certa e nem por quanto tempo, sem risco de se contaminar. As pessoas são diferentes e têm respostas imunes e taxas de transmissibilidade do vírus, também diferentes.
Ficha Paciente 10. Não sabemos quais sequelas da Covid-19 vão aparecer no organismo de quem ficou doente por conta disso, e nem por quanto tempo elas vão ali permanecer, nem com que consequências vitais.
Saúde 11. Não sabemos qual é o verdadeiro nível de proteção durante contatos interpessoais ao ar livre.
Máscara 12. Não sabemos o nível de proteção oferecido pelo uso de máscaras de diversos tipos, durante diversos períodos e em diversos ambientes.
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas 13. Não sabemos se as vacinas de primeira geração produzem anticorpos suficientes para deter o vírus no seu principal ponto de ingresso no organismo: o nariz (mucosa) e a boca.
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas 14. Não sabemos como, quando ou por que algumas pessoas, especialmente entre as que foram hospitalizadas com Covid-19, se reinfectam.
Ambiente externo 15. Não sabemos se qualquer pessoa que tiver sido infectada com o vírus original, poderá sê-lo novamente com uma das suas variantes.
Ambiente externo pessoas 16. Não sabemos se as pessoas que já foram infectadas podem pegar o vírus e transmiti-lo a outras pessoas, sem apresentar sintomas.
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas 17. Não sabemos se, quanto e quando haverá que adequar as atuais campanhas de vacinação – suspender, ampliar, aumentar a velocidade – ao efeito das novas variantes do vírus.
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas 18. Não sabemos se as vacinas por si só impedirão a propagação do vírus em breve.
Avião Vírus 19. Não sabemos se as variantes vão se espalhar pelo mundo – a da África do Sul, agora presente em 32 países – se tornando a forma dominante do vírus e assim atrasando a fuga da pandemia.
Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas 20. Por fim, não sabemos se a imbecilidade humana, a da gripezinha, cloroquina e jacaré, e a qual devemos ora estar na m... em que estamos, tem limites.

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