Senhores doutores: exijo uma explicação!

Senhores doutores: exijo uma explicação!
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A desinformação, os desencontros informativos, e a mentira, pura e simples, marcaram essa pandemia. No Brasil, como nos Estados Unidos, a ignorância sublime dos governantes, a disputa política e a incapacidade dos experts em se comunicar com o respeitável, mesmo contando com o palco da mídia, alimentam a confusão. A semana que passou é um exemplo disso. Ela foi pródiga em eventos noticiosos, como a apresentação dos resultados do teste clínico da CoronaVac e a mudança de regras da quarentena em São Paulo. À primeira vista, ambos alvissareiros; mas nem tanto, se examinados numa segunda instância.

“Você não tem direito a dar uma opinião. Você tem direito a dar uma opinião informada. Ninguém tem o direito de ser ignorante.” (“Nem de insistir em permanecer assim”. O Blog.)

Harlan Ellison

A semana que passou foi movimentada. Três lances me chamaram a atenção. A título de curiosidade, vou compartilhá-los aqui. Os protagonistas são pessoas muito sabidas e longe de mim ousar desafiar tanta expertise concentrada num lugar só. De fato, escrevo estas mal traçadas na esperança de que alguma delas me faça ver a luz, aponte os meus erros, escancare a minha ignorância… tudo vale desde que no final eu entenda alguma coisa.

O primeiro lance tem a ver com a contumaz omissão, por parte dos mentores da CoronaVac seja do lado chinês ou do brasileiro, quanto a especificar a eficácia dessa vacina em pessoas com idade acima de 60 anos. Ou seja, um grupo inconvenientemente enorme de bípedes melhor conhecidos como “idosos”, ou “idosos descartáveis”, se preferir.

O segundo lance tem a ver, também, com a eficácia da CoronaVac, reportada em 78%. Vira e mexe – e bota “vira e mexe” nisso! o desfile de experts opinando pelas redes de TV por assinatura foi intenso – ainda não está claro o que essa estatística significa, na prática, para Fulano ou Sicrano.

O terceiro lance é o controle da pandemia, segundo o Centro de Contingência contra Covid-19 do Estado de São Paulo, se basear principalmente no número de leitos ocupados. Isso é mais ou menos como controlar incêndios medindo a área queimada, me parece. Ela já queimou, não queimou? Cadê os bombeiros?

Cada um desses lances mereceu um comentário específico, mais fundamentado, que pode ser visto acessando o post respectivo. Sinceramente, espero que alguém desminta as minhas suspeitas, tire as minhas dúvidas etc. E não precisa tripudiar. Vou logo esclarecendo que não sou epidemiologista, ou infectologista. Apenas alfabetizado e ainda lembro das quatro operações, o suficiente para perceber quando estou sendo desinformado. Ou mal informado.

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