Terapia, cognição, comportamento... Essas coisas - Parte 2

Terapia, cognição, comportamento... Essas coisas - Parte 2

Terapia Cognitiva Comportamental para aliviar a dor crônica? Certo, mas qual delas?

No primeiro post sobre Terapia Cognitiva Comportamental me limitei ao básico. Nem todo mundo a conhece.

Neste segundo post, vou repassar as diversas modalidades de TCC (individual, grupal, auto-gerenciamento e escrita). E no seguinte, as áreas da dor crônica em que há evidências da TCC ter contribuído com a recuperação.

Entender o que a TCC é o que se propõe é fácil. E animador, posto que, vira e mexe, todas suas inúmeras versões buscam algo bom: fazer com que a pessoa sinta mais vontade de viver.1

O problema surge ao selecionar o caminho TCC mais adequado. Ao longo do tempo a TCC original, a dos anos 50, centrada no princípio de reflexo condicionado (punir o errado, premiar o certo), foi mudando num sentido mais prático. Numa chamada Terceira Onda da TCC admitiu-se a combinação com tratamentos que acalmam o sistema nervoso, como o mindfulness, a acupuntura e a hipnose, e ainda um avanço mais recente, enfatiza a solução de problemas e a participação em programas multidisciplinares. Os três enfoques visam ultimamente o mesmo – mudar pensamentos, comportamentos e sintomas relacionados à dor para melhor – porém recorrem a recursos e técnicas variadas, diferentes.

“Se nosso pensamento fica atolado de significados simbólicos distorcidos, pensamentos ilógicos e interpretações erradas, nos tornamos, de verdade, cegos e surdos.”

Aaron Beck, fundador da Teoria Cognitiva Comportamental
A identidade do condutor dessas aplicações de TCC também varia. A forma mais comum é no encontro cara-a-cara do profissional da saúde (médico, fisioterapeuta, enfermeira, psicólogo) com o paciente, ou seja, mais ou menos a la Freud. Foi esse o método adotado pelo Dr. John Sarno nos anos 70, no seu método de cura da dor psicossomática, embora ele agregasse um componente educacional – inexistente na talk therapy freudiana – aparentemente decisivo para conseguir a fantástica taxa de recuperação atingida. (Ora, veja como nasce assim mais uma outra versão da TCC, a chamada knowledge therapy, hoje na vanguarda do alívio da dor crônica!)

A eficácia da aplicação da TCC a grupos tem sido intensamente pesquisada, e confirmada, desde os anos 70.

Isso, em várias áreas como depressão, ansiedade e fobia social.

Como a modalidade grupal da TCC tem uma relação custo-beneficio mais atrativa que a individual, é de se esperar que ela se estenda mais no futuro. No Brasil, aliás, existem alguns grupos de psicólogo(a)s acoplados a uma ou outra Faculdade de Medicina (USP, PUC, UFBA) no apoio ao alívio de pacientes com dor crônica e outros. A “tecnologia” – leia-se, o leque de técnicas e sub-técnicas – de TCC não deve lhes ser estranha.

Pouca gente sabe, ou quer saber no entanto, que a TCC pode ser autoaplicada. Eu, particularmente pensaria sempre nisso em primeiro lugar.

Fazer terapia é uma aventura pessoal que não nos cura de nós mesmos, mas que nos reconcilia, de modo duradouro, com a nossa própria história.

Bem Amadas, Terapia para Mulheres
Graças à internet e à importância que a TCC tem adquirido no mercado da dor crônica e na academia, hoje é perfeitamente possível praticar “biblioterapia” no assunto – e sair testando algumas técnicas em si mesmo. Há estudos que reportam uma alta taxa de sucesso no tratamento da depressão indo por esta via.

Por último, escrever sobre “eu e as minhas circunstâncias” também integra o elenco de maiores opções de TCC. Ela não se enquadra em nenhuma das anteriores e é tão importante quanto. A atividade, solitária e introspectiva, tem apresentado resultados surpreendentes, seja em aspectos biológicos (ex.: redução da pressão sanguínea) como psicológicos (ex.: melhora do humor e memória, da auto-estima, e da performance no esporte e no trabalho).

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