Um ano: acertos e erros

Um ano: acertos e erros

Pensei muito em como comemorar um ano de blog. Talvez algo assim como: “Eis um blog que nada tem a invejar aos melhores do mundo no seu gênero!”. Não, ufanista demais. Ou que tal: “Desculpem qualquer coisa, poderia ter sido melhor. Assumo toda a culpa”. Tampouco cola, esse não sou eu. Então eu decidi simplesmente pegar uma folha de papel, dividi-la ao meio e listar à direita os Acertos, e à esquerda os Erros havidos no blog nesses suados e entretidos últimos 12 meses. E veja aqui o que deu.

Nessa semana o blog faz um ano. Momento zen de “auto-parabéns”!

Aniversários são sempre motivo de festejo e alguma melancolia. Olha-se para trás, rememorando o que foi feito, os acertos e, com alguma boa vontade, os erros também. Uma espécie de prestação de contas que, no caso do blog, somente cabe fazer para mim mesmo. Afinal, ele é o projeto de uma pessoa só: eu. (Será que eu sou egocêntrico? Pode ser.)

Enfim, o primeiro é o primeiro: o que foi produzido nesse período de um ano?

A conta é a seguinte:

80artigos científicos (que houve de traduzir ao português)
120posts de fabricação própria
5ebooks de fabricação própria
30vídeos (também de fabricação própria)
77cartões postais educacionais sobre dor
1Sistema de Pré-Consulta Online para o Paciente com Dor
1Jogo Digital Educacional – O JOGO ALIVIO
1Aplicativo para Reflexão sobre o Estresse – O PENTÁGONO
18questionários de avaliação da dor (traduzidos)
2livros traduzidos do Dr. John Sarno

(Qualquer dúvida, ou suspeita, sobre a veracidade do exposto, favor conferir aqui)

E o que foi atingido?

Infelizmente, eu nunca vou saber se alguém se beneficiou – ou aliviou a sua dor crônica – graças à leitura do blog. Apenas posso dizer que todo dia recebo dezenas de comentários de gente com dor e até o momento nenhum só tem sido de ódio. Ainda bem. Ah, e ia me esquecendo: em uma semana mais, o número de curtidas da página no Facebook atingirá a marca dos 50 mil. Cin-quen-ta mil. Para quem tinha zero há 12 meses, não está nada mal. Sim, os blogs do Wesley Safadão ou da Anitta são mais visitados, mas que diabos!, eles não falam de dor o tempo todo!

Pausa para o cafezinho.

Reli o escrito acima e achei meio chato. Parece prestação de contas de um síndico de prédio. Talvez comentando Acertos e Erros a coisa melhore.

Acertos

A proposta de manter o blog com um pé na academia e outro na rua. Ao planejar o blog, pensei muito no público a ser atingido. E visualizei dois: o da gente com dor que pouco ou nada entende de saúde, medicina, nervos, essas coisas, e profissionais da saúde em geral, seja se formando nas faculdades ou já formados, incluindo seus professores. Então idealizei uma linha de posts redigidos em linguagem comum convivendo com outra de publicações científicas. Dois públicos distintos, um suicídio do ponto de vista mercadológico, porém não me ocorreu outra saída para atingir o objetivo do blog, que era e é o da educação em dor. E pelos retornos (comentários) obtidos de ambos os grupos, parece que deu certo.

A criação de um jogo educacional digital. Isso foi um barato e deu muito certo. Jamais imaginei que construir um jogo digital fosse tão interessante. Por sorte, contei com excelentes prestadores de serviços nessa área. O JOGO ALIVIO hoje conta com 2.000 jogadores estáveis e 35.000 “flutuantes”. Isso me animou a criar e lançar um segundo aplicativo, o PENTÁGONO, agora sobre o controle do estresse. Em 3 meses ele já atinge 1.000 downloads.

A montagem de uma cesta diversificada de recursos educacionais. Entretido. Aquilo deu, e dá, um trabalho danado. Você se sente como o chinês do circo, aquele equilibrando vários pratos girando no extremo de varas, o tempo todo. Algumas dessas iniciativas dão certo, outras não. Inevitável.

O ingresso no mundo das redes sociais, dos aplicativos… Para quem é da época em que se pagava US$ 2 mil por uma linha telefônica em São Paulo, recorrer à internet para divulgar as informações do blog era algo misterioso – e arriscado também, porque se bobear você paga demais para as redes com resultado nenhum. Então eu fiz duas coisas que aconselho a qualquer um no meu lugar: aprender seriamente como funcionam os intestinos do Google & Cia, contratar um bom digital marketer e manter um controle semanal dos seus resultados, de maneira a corrigir rapidamente o que sair dos trilhos ou se revelar inadequado ou inútil. Funciona e empolga.

Erros

A criação de ebooks e cartões postais educacionais. Dos seis ebooks constantes no blog, apenas um – Entenda Porque Dói – foi muito bem: hoje já ultrapassou os 30.000 downloads. Os outros cinco ebooks, todos procurando dar aos profissionais da saúde – médicos, especialmente – meios para educar seus pacientes em dor, até o momento passam batidos. Eu errei ao pensar, baseado em experiência própria, que a comunicação médico-paciente seria no Brasil tão problemática, fechada e pouco esclarecedora quanto vem sendo abertamente denunciada em vários países muito mais desenvolvidos. Então 3 dos 6 ebooks foram sobre a tal comunicação. Ou seja, concentrei trabalho demais, além de tempo e dinheiro num problema que não existe: por alguma razão misteriosa, os profissionais da saúde brasileiros se comunicam muito bem com seus pacientes. Obviamente, não é por falta de contato entre estes e seus médicos que a proporção de pessoas com dor crônica, recorrente e durando mais de 6 meses, cravasse astronômicos 76,17%, segundo pesquisa online com resultados publicados em 2018 nada menos que no Brazilian Journal of Pain, o capitulo brasileiro da International Association for the Study of Pain (IASP).  Nada a ver, certo?

Uma pena, porque o faturado – cada ebook custa duas cervejas e uma coxinha – vai para o Hospital Boldrini, que atende crianças com câncer. Vida que segue.

A tradução de livros seminais sobre a gestão da dor. Mesma coisa que os ebooks. Eu imaginei que livros e artigos fundamentais sobre a dor e seu gerenciamento – que somente existem publicados em inglês – atrairiam a atenção de profissionais da saúde e seus pacientes. Pois bem, eu errei de novo.

O meu maior erro, contudo, foi pensar que a educação em dor fosse uma bandeira da classe médica. Definitivamente, não é – nem no Brasil, nem no mundo. Para alguém ser educado, e até os japoneses inventarem um robô-professor, robô-mestre ou coisa que o valha no arsenal robótico, contar com um educador convincente, motivador e com tempo disponível para educar… é crucial. No caso de gente com dor, convenhamos, esse educador dos sonhos teria de ser o médico. Por uma série de razões que não cabe discutir aqui, ele ou ela não quer assumir esse papel. Não mesmo. Enquanto isso, a tal da Educação em Dor no Brasil vai continuar sendo uma miragem, e eu, claro, vou continuar procurando educar à distância os visitantes do blog o quanto puder. Ponto.

Até daqui há um ano e obrigado por me aturar!

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2 comentários
  1. Parabéns Julio pelo seu precioso Blog que realmente não tem nada a invejar aos melhores do mundo nessa tema. E também agradeço pela oportunidade de poder divulgá-lo.

    1. Alexandra, agradeço suas amáveis palavras. Bom ter você por perto.

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