Você já se sentiu desrespeitado num hospital?

Você já se sentiu desrespeitado num hospital?

A “medicina centrada-no-paciente” é a bola da vez. Qual é a origem dessa ideia e o que algumas (poucas) casas de saúde estão fazendo para realizá-la?

A dignidade não tem preço, quando alguém começa a fazer pequenas concessões, no fim, a vida perde todo significado.

José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura
Você já se sentiu desrespeitado num hospital? Operou-se da próstata e ao acordar a enfermeira o tratou como se tivesse cortado o rosto fazendo a barba? Chegou na consulta médica em tempo e inexplicavelmente ficou uma hora esperando para ser atendido? E ainda por cima, a recepcionista deixou bem claro que não ia com a sua cara quando você lhe perguntou onde ficava o banheiro? E dias depois recebeu aviso e multa do Banco X por um débito que o hospital lhe imputara erradamente – e nada de alguém de lá lhe pedir desculpas?

Todas esses são exemplos da falta de respeito com que casas de saúde destratam alguns dos seus pacientes – em geral, inadvertidamente.

Ou destratavam. Ou estão começando a re-destratar, mudando para melhor. O fato é que alguns hospitais, aqui e acolá, começam a se preocupar com a dignidade do paciente. É como se, de repente, alguém na direção tivesse dado uma palmada na testa e exclamado: “Gente, ontem eu estava praticando mindfulness e tive um estalo, um insight: ‘Por trás de cada paciente, oculta-se uma pessoa!’ Que tal? Um achado, não é mesmo?”

Exemplos. No Youtube você encontra um simpático vídeo de curta duração sobre os Direitos e Deveres do Paciente, publicado pelo Hospital Albert Einstein.  Do paciente. Um paciente tem direitos e deveres, sabia disso?

O primeiro dos direitos é “ser sempre tratado com dignidade e respeito”; o segundo, “receber um atendimento humano, atencioso e respeitoso, sem preconceito e…”, e assim por diante. (Se são apenas slogans, eu não sei. Porém, a iniciativa é notável).

“Você tem o direito de ser tratado com dignidade e respeito, de acordo com seus direitos humanos.”

Eis o primeiro dos oito direitos do paciente reconhecidos pelos serviços de saúde ingleses. The NHS Constitution for England, 2015

Em Cambridge, Massachusetts (EUA), vizinhos da Harvard University e do MIT, dois hospitais – o Mount Auburn Hospital e o Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC), lançam campanhas para promover internamente Dignity & Respect Matters.  O seu objetivo? Inocular em todos no hospital, do mais alto executivo aos encarregados da limpeza, a importância da dignidade e do respeito ao paciente. No Mount Auburn o programa inclui workshops com a participação de pacientes e familiares – e simbolicamente passa ao largo do típico oba-oba, ao excluir os posters e buttons de praxe.

E no BIDMC? Trata-se de um dos 50 melhores hospitais dos EUA e aquele onde estudam os alunos da escola de medicina da Harvard University. Reservei um post somente para apresentar seu caso, que é raro. Talvez não seja tão estranho que hospitais queiram mostrar respeito e salvaguardar a dignidade dos pacientes, mas sim é anômala a maneira escolhida pelo BIDMC, para fazer isso. Pautando seu programa pró-Respeito & Dignidade dos Pacientes nos moldes das campanhas de Qualidade Total desenvolvidas pela Toyota nos anos 50, e depois pela IBM, pela Intel, pela Vale do Rio Doce e sei lá quantas outras corporações em todo o mundo, nos anos 90.

Procure saber neste outro post o case desse hospital, o BIMDC. Algo admirável. E copiável também, por quem quiser.

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