Você suspeita ter fibromialgia? Parte - 1

Eis o que esperar da sua primeira consulta médica.

Você suspeita ter fibromialgia? Parte - 1
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Este post é o primeiro de uma série de três sobre como diagnosticar fibromialgia. Baseado num resumo a cargo do staff médico da Mayo Clinic, ele foca no que uma pessoa que pensa ter a doença pode esperar de uma consulta médica. O segundo post se refere aos critérios de diagnóstico recomendados pelo American College of Rheumatology, hoje vigentes em todo o mundo. E o terceiro post apresenta os critérios de diagnóstico da doença recentemente propostos por uma parceria público-privada ACTTION, a Food and Drug Administration (FDA) e a American Pain Society (APS). 

“Fibromialgia não é para fracotes”.

Anônimo

Apesar do Covid 19 monopolizar todas as preocupações com a saúde, a fibromialgia continua a liderar as consultas e comentários enviados ao blog. O post Fatos e Mitos Relacionados à Fibromialgia em pouco mais de 4 meses já teve 25.000 visitantes. O ebook “Tudo que você queria saber sobre FIBROMIALGIA e tinha medo de perguntar” da minha autoria, o qual pode ser acessado de graça no blog, é o mais procurado entre os 10 ebooks publicados até o momento.

Sinal de que a doença continua prevalente no Brasil.

Eu suspeito que boa parte do interesse se deve à dificuldade que os médicos têm em diagnosticar a fibromialgia – principalmente na mulher. A partir desse mal começo tudo mais se complica, principalmente as chances de sucesso do tratamento.

Resolvi então revisitar um capítulo do ebook “Tudo que você queria saber sobre FIBROMIALGIA e tinha medo de perguntar”, mostrando os protocolos que os médicos atualmente dispõem – e muitos não usam porque desconhecem – para realizar esse diagnóstico.

Isso será feito em três posts:

  • O primeiro, que agora você está lendo, é um resumo sobre o que as pessoas que pensam ter a doença podem esperar de uma consulta médica. Este foi preparado pelo staff médico da Mayo Clinic, costumeiramente ranqueada entre os três melhores hospitais dos Estados Unidos.
  • O segundo post se refere aos criterios de diagnóstico recomendados pelo American College of Rheumatology, publicados em 2016 e ainda vigentes. Supostamente, são considerados o padrão-ouro pelos reumatologistas em todo o mundo.
  • O terceiro post apresenta os principais critérios de diagnóstico da doença propostos por uma parceria público-privada ACTTION, a Food and Drug Administration (FDA) e a American Pain Society (APS). É um diagnóstico multidimensional, publicado em junho 2019 na revista PAIN e de autoria de um grupo internacional, formado por clínicos e pesquisadores com experiência em fibromialgia.


Então, agora vamos ao que interessa.

A fibromialgia não pode ser facilmente confirmada ou descartada através de um simples teste de laboratório. O seu médico não pode detectá-lo no seu sangue ou vê-lo em um raio-X. Em vez disso, a fibromialgia parece estar ligada a mudanças na maneira como o cérebro e a medula espinhal processam os sinais de dor. Na falta de um teste, o médico deve confiar apenas na sua capacidade para deduzir, a partir de apenas sintomas, um diagnóstico.

Segundo o American College of Rheumatology, um dos critérios para diagnosticar fibromialgia é a dor generalizada em todo o corpo por pelo menos três meses. “Difundido” é definido como dor nos dois lados do corpo, bem como acima e abaixo da cintura. Além da dor generalizada no corpo, inclui-se fadiga, falta de sono e problemas de humor.

Mas todos esses sintomas são comuns a muitas outras condições. Os sintomas da fibromialgia podem ocorrer sozinhos ou em conjunto com outras condições, e podem ir e vir com o tempo.

É necessário portanto começar excluindo outras causas possíveis, tais como:

  • Doenças reumáticas. Certas condições – como artrite reumatoide, síndrome de Sjogren e lúpus – podem começar com dores e dores generalizadas.
  • Problemas de saúde mental. Distúrbios como depressão e ansiedade geralmente apresentam dores e dores generalizadas.
  • Problemas neurológicos. Em algumas pessoas, a fibromialgia causa dormência e formigamento, sintomas que imitam os de distúrbios como esclerose múltipla e miastenia gravis.


O médico também pode perguntar se você tem:

  • Síndrome do intestino irritável
  • Dores de cabeça
  • Dor na mandíbula
  • Ansiedade ou depressão
  • Micção frequente ou dolorosa

Testes que podem ser necessários

Embora não haja um teste de laboratório para confirmar o diagnóstico de fibromialgia, eles podem ajudar a excluir outras condições que possam ter sintomas semelhantes. Por exemplo, exames de sangue tais como:

  • Hemograma completo
  • Taxa de sedimentação de eritrócitos
  • Testes de função tireoidiana
  • Níveis de vitamina D

Perguntas adicionais

  • Apneia.
  • Algum evento traumático recentemente.
  • Se outros membros da sua família imediata tiveram sintomas semelhantes.

Por fim, as pessoas com fibromialgia também costumam acordar cansadas, mesmo depois de dormirem por mais de oito horas. Breves períodos de esforço físico ou mental podem deixá-las exaustas. Elas também podem ter problemas com a memória de curto prazo e a capacidade de concentração. Se você tiver esses problemas, seu médico poderá solicitar que você classifique com que gravidade eles afetam suas atividades diárias.

Eis uma panorâmica do que você deveria encontrar numa primeira consulta médica sobre a possibilidade de portar fibromialgia. Veja no próximo post  os criterios de diagnóstico recomendados pelo American College of Rheumatology, aliás refrendados pela Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Se tiver interesse em conhecer como se chegou nesses critérios, o Volume 2 do e-book faz um breve relato nas páginas 38-45 no Capítulo 10, enquanto o artigo “New and Modified Fibromyalgia Diagnostic Criteria”, de autoria de Neha Garg, MD e Atul Deodhar, MD dá maiores detalhes.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

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