Você suspeita ter fibromialgia? – Parte 2

Critérios de diagnóstico do American College of Rheumatology.

Você suspeita ter fibromialgia? – Parte 2
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Nesse segundo post vou mostrar os Critérios de Diagnóstico da Fibromialgia do American College of Rheumatology, publicados em 2016, e ainda vigentes. A publicação se justifica por que, na minha opinião, eles não são conhecidos – nem a história de porque e como eles vieram à tona – pelos médicos no atendimento primário. Lembremos que é nessa linha de frente que recai a responsabilidade de um diagnóstico que frequentemente irá determinar o tratamento, e o sofrimento, do paciente nos meses e anos vindouros.

“A fibromialgia muda as pessoas. Para bem ou para mal. Isso não depende de médicos ou remédios, mas somente delas.”

Antes, para diagnosticar a fibromialgia, os médicos pressionavam firmemente 18 pontos específicos do corpo para ver quantos deles eram dolorosos. O diagnóstico requeria que houvessem 11 ou mais pontos dolorosos.

O problema era que:

  • São critérios subjetivos, e essa subjetividade se estende tanto ao diagnosticador médico quanto ao diagnosticado.
  • Para distúrbios convencionais, critérios são usados ​​para diagnosticar doenças. Mas os critérios de fibromialgia definem a doença (ou distúrbio ou condição ou o que você quiser chamar). Siga os critérios da fibromialgia de 1990: “Você tem ≥11 pontos de concurso? Fibromialgia. Apenas 10? Desculpe, não é fibromialgia. Vamos falar de outras coisas.”
  • A dor da fibromialgia viaja pelo corpo. Ela não se localiza, e portanto não é localizável em 11 pontos, ou mais ou menos.


Esses critérios pontuais não ajudam a revelar questões sobre quando a fibromialgia começa ou pára; como lidar com períodos baixos de sintomas; quando começa a fibromialgia e assim por diante.

O tema interessa a quem tem, ou pensa que tem fibromialgia? Julgue você mesmo:

“No próximo mês, dois estudos do nosso grupo serão publicados na Arthritis Care and Research e na ACR Open Rheumatology. Nos estudos, comparamos definições de critérios com diagnósticos médicos de reumatologistas especialistas (estudo 1) e médicos da atenção primária (estudo 2). A concordância entre o diagnóstico de critérios e o diagnóstico médico foi ruim. Alguns pacientes com FM clássica não foram diagnosticados e alguns com quase nenhum sintoma foram diagnosticados. Pelo que vale, e vale muito dinheiro para alguns, os diagnosticados receberam o tratamento caro; aqueles não diagnosticados não.”

Dr. Fred Wolfe, reumatologista e fundador do site The Fibromyalgia Perplex1

Enfim, o diagnóstico de fibromialgia agora se faz com base nos sintomas de dor generalizado, cansaço, sono não reparador e alteração cognitiva, normalmente depois que a pessoa tenha sentido dor em todo o corpo durante mais de três meses.

Se antes para explicar os sintomas, devia-se descartar outras condições dolorosas, como lesões, neuropatia, artrite e transtornos do teciduais, agora é claro que é possível ter um problema de saúde que provoca dor crônica e também fibromialgia.

Como se chegou nisso? Qual foi a modificação dos Critérios de Diagnóstico da Fibromialgia do American College of Rheumatology, publicada em 2016?

A fibromialgia passou a ser diagnosticada em adultos quando todos os seguintes critérios forem atendidos:

  • Índice de dor generalizada (WPI) ≥7 e escore de gravidade dos sintomas (SSS) ≥5 ou WPI 4–6 e escore SSS ≥9.
  • Dor generalizada, definida como dor em pelo menos 4 das 5 regiões (superior esquerdo, superior direito, inferior esquerdo, inferior direito, axial). Nessa definição, dor na mandíbula, tórax e dor abdominal não são avaliadas como parte da definição generalizada de dor.
  • O Índice de Dor Generalizada e os Escores de Gravidade dos sintomas que faziam parte dos Critérios de Diagnóstico da Fibromialgia em 2010 foram combinados em um único questionário com pontuação máxima de 31 e podem ser preenchidos por autorrelato. Uma pontuação de corte entre 12 e 13 pontos é usada para distinguir aqueles que preencheram os critérios do American College of Rheumatology revisados em 2010 daqueles que não cumpriram.
  • Os sintomas estão presentes em um nível semelhante há pelo menos 3 meses.
  • Um diagnóstico de fibromialgia é válido independentemente de outros diagnósticos. Ele não exclui a presença de outras doenças clinicamente importantes.


Os critérios médicos são válidos para o diagnóstico clínico individual do paciente. Porém, a versão de autorelato dos critérios é válida apenas para estudos de pesquisa.

Dor Crônica - O Blog das Dores Crônicas

A pontuação possível varia de 0 a 31 pontos. Uma pontuação de 13 pontos é consistente com o diagnóstico de fibromialgia.

O paciente pode usar a Escala de 31 pontos dos Critérios de Diagnóstico da Fibromialgia 2016, do American College of Rheumatology, para se autodiagnosticar?

Poder, pode, mas não deve. A tal escala, produto da modificação nos critérios do American College of Rheumatology 2010 permite a sua utilização em estudos epidemiológicos e clínicos sem a exigência de um examinador. Os critérios são simples de usar e administrar, mas não devem ser usados para autodiagnóstico. A escala pode ter ampla utilidade além dos limites da fibromialgia, em estudos epidemiológicos.23

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